Napoli conquista de vez o 'império romano'

Depois da eliminação na Coppa Italia diante da rival bianconera na quarta, outro jogo decisivo. Ganhar da Lazio poderia praticamente pavimentar o caminho para a próxima Champions League, uma vez que abriria 7 pontos de distância e que a Atalanta tropeçou e a Inter conseguiu a proeza de perder pro Crotone. 


Por outro lado, perder reabriria a briga pela última vaga com a própria Lazio e deixaria mais distante ainda em relação a Roma, que hoje tem a vaga direta. Era necessário fincar de vez a bandeira napolitana na cidade, já que há um mês vencemos a Roma no Olímpico. 


Napoli dominava na frente do gol, mas sem ameaçar de verdade a meta defendida por Strakosha. Pior, às vezes sofria perigo diante de uma Lazio que rondava nossa área com as investidas de Felipe Anderson.


A torcida da Lazio, como sempre, fazia das suas. Em menos de 10 minutos, foi dos cânticos de discriminação territorial contra os napolitanos a cânticos racistas contra Koulibaly. E, como sempre, ninguém fez nada, finge que não aconteceu, fechando os olhos como sempre para esse paiol de estupidez.


Nenhum dos times chutava a gol. O Napoli estava naquele domínio estéril de alguns jogos que parece irritar. Aos 23 minutos de jogo, tuitei que o Napoli sequer tinha chutado ao gol laziale. Nem dois minutos depois, lá estava Mertens pra tocar pra Hamsik cruzar e Callejón completar pras redes, calando minha boca.


Depois do gol, lá estava Reina pra nos salvar em um chute de Felipe Anderson. O brasileiro sempre gerava perigo, mas o resto do time da Lazio parecia morto. E Insigne perdeu a oportunidade de matar de vez o jogo. Ali, Lorenzo deu a oportunidade de Inzaghi arrumar o time e igualar tudo. 


No segundo tempo, o Napoli finalizou o que não finalizou no primeiro. Ali sim parecia um time treinado por Maurizio Sarri, e não um aproveitador de contra-ataques. Empurrava a defesa laziale pra trás. 


E aí apareceria Allan. Ele precisava premiar a sua partida espetacular. Já mostrava um coração na ponta da chuteira fora do comum. E na entrada da área, fez um passe incrível para Insigne bater cruzado e se redimir do gol perdido, marcando o segundo gol napolitano. A dúvida entre o mais belo está no passe ou no chute. De qualquer forma, vantagem ampliada.


Depois que Inzaghi colocou Keita em campo, o jogo parecia outro. Ali ele mostrou por que o Napoli quer tanto ele para a próxima temporada. Um driblador infernal, que, mesmo com o jogo quase perdido, criava sempre, botava perigo em chutes de fora e fez Hysaj parecer um João qualquer.


Keita até criou uma boa oportunidade pelo seu lado, quando a bola passou até por Reina, após toque de Bastos, Immobile tentou empurrar pro gol, mas o mesmo Insigne que deu a oportunidade da Lazio voltar ao jogo tiraria a chance da rival.


O mesmo Insigne que mataria o jogo, quando Milik fez uma linda inversão de jogo pra Zielinski ajeitar com classe pra Lorenzo bater lindo pra marcar o terceiro. Nessa história toda, o torcedor do Napoli só tem um pedido. Pelo amor de Deus, Lorenzo (e Dries, você também, principalmente), renova logo esse contrato....


E o Napoli conquistou de vez o "império romano". Pela primeira vez desde a temporada 1975-76, com o eterno ídolo brasileiro Luís Vinício na casamata napolitana, vencemos duas vezes os dois clássicos contra os dois rivais na cidade eterna. Isso contra duas das melhores equipes nos jogos em casa deste campeonato. Para se ter o tamanho da importância da vitória nesse clássico.


O Napoli fora de casa parece outro. Não à toa que tem até aqui tem o melhor desempenho da Serie A como visitante. O problema são os jogos dentro de casa. A tabela mostra isso. O desempenho assim mostra a força do time de Sarri. Mostra a autoridade de quem sabe jogar futebol quando vai em território adversário. 


E o time de Sarri não teme ninguém, mostrando que, no fim, jogar futebol sempre é o melhor caminho. 


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Reina - Fez grandes defesas durante boa parte da partida. A dúvida entre qual a melhor está entre a de Felipe Anderson no primeiro tempo ou a defesa no chute de Keita de fora da área no segundo. Uma bela partida. Nota: 6,5


Hysaj - Uma partida mais segura até Keita entrar em campo. Sofreu contra o senegalês na marcação, tomou amarelo, mas além dele, não teve lá muitos problemas. Nota: 6,0


Albiol - Não deixou Immobile se criar contra ele. O italiano que sonha tanto em jogar no Napoli sumiu no jogo. O seu retorno ao time titular deu mais segurança ao jogo em linha. Nota: 6,0


Koulibaly - Outro que colocou não só Immobile, mas também Felipe Anderson no bolso. Depois dos minutos iniciais em que o brasileiro se criava, ele foi "acalmado" por Kalidou. Errando pouco e vital na saída de jogo. Nota: 6,5


Strinic - Outra grande partida, ainda que não ajudando tanto ofensivamente como Ghoulam. Mas compensando com uma grande partida defensivamente, praticamente sem errar pelo seu lado. Nota: 6,5


Allan - Uma partida espetacular. Marcando absurdamente bem, sem passar nada pelo meio. Mesmo quando estava mais cansado, conseguia jogar com uma qualidade incrível. E na fase de passes, deu a espetacular assistência para o segundo gol. Nota: 7,5


Jorginho - Uma partida mais silenciosa, mas também uma grande partida na saída de jogo. Uma partida tão importante para o desempenho da equipe, que fez o jogo com o incrível recorde de passes em um jogo nesta temporada em todas as grandes ligas europeias (151, segundo o WhoScored). Nota: 7,0


Hamsik - Quando o capitão está em noite inspirada, é difícil segurar. Com seus movimentos, sempre liberava espaços aos companheiros. Foi assim no segundo gol. E pra variar, sempre tem que haver um passe seu de qualidade. Callejón transformou-o na sua décima assistência pra gol no campeonato. Nota: 7,0


Insigne - Uma partida espetacular. Aproveitando as linhas laziales, criava sempre perigo. Perdeu um gol incrível na primeira etapa, é verdade, mas fez dois belos gols na segunda etapa, e na fase defensiva ainda tirou um gol certo de Immobile. Um show. Nota: 8,0


Mertens - Participou muito bem na criação da jogada do primeiro gol napolitano. Não foi tão incisivo nas jogadas como em outros dias, mas fez uma boa partida. Nota: 6,5


Callejón - A defesa da Lazio sofreu pra tentar colocá-lo na linha de impedimento. Sofreu tanto que não conseguiu impedir de deixar José livre pra completar com classe o cruzamento de Hamsik pra abrir o placar. E sempre vivo no jogo. Nota: 7,0


Zielinski - Substituiu Callejón com a mesma intensidade do espanhol, e com a mesma classe, ajeitando e fazendo o passe definitivo para Insigne marcar o terceiro gol. Nota: 6,0


Rog - Partida de muita intensidade, com uma boa ajuda na marcação, e em alguns cortes em um momento em que a Lazio ameaçava diminuir o marcador. Nota: 6,0 


Milik - No pouco tempo que teve, já foi capaz de uma inversão de craque pro terceiro gol napolitano. Se tivesse mais tempo, poderia até fazer mais do que fez. Só falta reencontrar as redes. Nota: 6,0


Sarri - A sua escalação foi a mais correta para bloquear o jogo laziale, com Strinic partindo de titular, e o retorno de Albiol, para dar mais segurança ao jogo de linhas. O time demorou um pouco a finalizar, é verdade. Mas quando o fez, transformou o jogo numa partida espetacular. Uma das melhores do Napoli no campeonato, facilmente. A dúvida é ver qual dos três gols representa melhor esse estilo sarrista. Três substituições demoradas, mas muito bem feitas, duas delas, aliás, que geraram o terceiro gol napolitano. Nota: 7,5 


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Insigne comemorando o primeiro de seus dois gols. A partida dele foi quase a síntese do Napoli no jogo...