Vitória vazia: a defesa destruiu o que o ataque do Napoli criou

Chegava a hora do segundo round entre Napoli e Juventus. Segundo round do duelo na Coppa Italia, e segundo em um período de quatro dias de duelos entre napolitanos e juventinos, após o empate do jogo de domingo na Serie A. Mas o jogo seria muito diferente daquele de domingo.


A Juve estava menos desfalcada, já com Dybala em campo, e agora com Daniel Alves e Alex Sandro. O Napoli, então, seria tão beneficiado quanto, com o retorno de Reina e o descanso de Diawara e Ghoulam.


Com a rival jogando mais aberta, o Napoli poderia criar mais em relação ao que (não) criou no jogo de domingo. Sarri já colocou de cara como centroavante Milik em campo, com a ideia clara de fazer o que fez no primeiro tempo do jogo anterior: jogar a bola na área.


A grande chance napolitana no primeiro tempo foi de uma bola cruzada, que Callejón chutou em cima de Neto e Zielinski não aproveitou o rebote. Fora isso, um primeiro tempo tenebroso. Vários erros na saída de bola, incluindo um presentaço de Chiriches pra Rincón, que não aproveitou.


Minutos depois, Higuaín recebeu na entrada da área, chutou de maneira não tão forte no canto de Reina pra abrir o placar. Culpa de De Laurentiis, como apontou na comemoração querendo tirar o seu corpo fora? Não, culpa da defesa que deixou o outrora ídolo fazer o que quis com a bola sem ameaçá-lo, além de Reina cair bem atrasado no lance.


O primeiro tempo foi tenebroso. O segundo haveria de ser melhor e, logo numa bola mal rebatida na defesa juventina, lá estava Hamsik novamente para empatar o jogo, como no domingo, chutando forte, sem chances para Neto. Uma ilusão ao torcedor napolitano no mundo todo.


E lá estava novamente o ex para jogar um balde de água fria na alegria. Depois de uma bela troca de passes juventina e diversos buracos deixados pela defesa napolitana, Cuadrado aproveitou e cruzou no meio para Higuaín, incrivelmente livre, fazer o seu segundo gol. Mais uma experiência ruim contra o ex (ainda que sejamos calejados com isso, afinal, Quagliarella, Altafini e tantos outros).


Logo, em uma trapalhada digna de videocassetadas. Em lateral batido pro goleiro Neto, ele escorregaria na frente de Mertens, que literalmente havia acabado de entrar, e no primeiro toque na bola colocou a bola nas redes para empatar o jogo.


E minutos depois, em bela jogada pela direita, com um drible de Callejón, o menos driblador da equipe, ele tocou pro meio pra Insigne, sempre ele aparecendo nos clássicos, e Lorenzo chutou sem chances para Neto, marcando o terceiro gol. 


Seria algo pra empolgar, certo? De fato, mas o Napoli tentou, criou chances, mas elas não assustaram tanto o já assustado com a pressão na saída de bola Neto. No desespero, colocou até Pavoletti em campo, mudando a tática para um 4-2-3-1 que já deu certo em outros jogos. 


Ao final de tudo, o Napoli ganhou, mas não levou. Ganhou o jogo na bola, ganhou o jogo na criação, na vontade. Não levou a classificação para a final, em busca do sexto título. Não levará o título. O que torna a vitória neste clássico um pouco vazia. 


De lados positivos, apenas o fato de a vitória entra nas estatísticas e do poder de reação da equipe, buscando duas vezes um placar adverso no jogo. De negativos, o de sempre, ser eliminado pela Juventus e ver a vantagem em mata-matas (Napoli 7-5 Juventus) diminuir.


Vale os elogios de De Laurentiis e de Sarri à equipe, com o pensamento para o futuro, e o resto da temporada, em que há coisas a se lutar. Para os irmãos Higuaín e suas provocações, sigam seus caminhos. Acabou para eles, e não adianta provocar no Twitter.


Talvez poderíamos classificar se não fosse a arbitragem no primeiro jogo. Se não fosse Higuaín um grande jogador. Se jogássemos o primeiro tempo. Se voltassem a entrar em campo. Se, se, se...


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Reina - Caiu atrasado no primeiro gol juventino, e fez o famoso "bracinho de jacaré". Poderia fazer muito melhor do que aquilo. Já no segundo gol, não teve tanta culpa. Nota: 5,5


Hysaj - Teve dificuldades, mas ainda assim não sofreu tanto em termos de marcação em relação a um adversário como Sturaro. Ofensivamente não apareceu tanto. Nota: 6,0


Chiriches - Uma partida tenebrosa do romeno. Errando várias vezes em saídas de bola, entregando bolas aos adversários, como o lance com Rincón e sempre atrasado nas jogadas. Nota: 5,0


Koulibaly - Não teve culpa nos lances de nenhum dos dois gols. Muitas vezes era ele quem consertava os erros defensivos dos companheiros, seja em relação a Higuaín, ou seja em relação a Cuadrado. Nota: 6,5


Ghoulam - Teve muito trabalho em relação a Cuadrado, com uma certa culpa no lance do segundo gol e o vazio que deixara por ali. Ofensivamente bem, criando as oportunidades, ainda que seus cruzamentos fossem baixos quando Milik era em campo, e altos quando era Mertens. A irregularidade o põe abaixo da média. Nota: 5,5


Zielinski - Defensivamente teve bons momentos, ofensivamente entre altos e baixos, mas sua saída de bola deu mais velocidade ao jogo em alguns momentos, o que põe a sua partida na média. Nota: 6,0


Diawara - Jogando a frente da defesa, teve um bom trabalho de roubadas de bola, e de início de jogadas importantes, as vezes aproveitadas, mas muitas vezes desperdiçadas pelo ataque. Nota: 6,0


Hamsik - No primeiro tempo, com o meio-campo em dificuldades, ele tentava armar o jogo como podia. No segundo tempo, reacendeu as esperanças da torcida com o primeiro gol, o seu gol 112 com a camisa do Napoli. Nota: 7,0


Insigne - Um primeiro tempo discreto, de algumas poucas aparições ofensivas, mas no segundo tempo aparecia em quase tudo. Não era seu dia nos chutes de fora, mas de perto, marcou o terceiro gol napolitano. Nota: 6,5


Milik - Foi um dos raros lúcidos na tentativa de troca de passes napolitana na primeira etapa. Teve uma boa chance de cabeça, mas fora isso, participou pouco, muito em função das poucas jogadas. Nota: 6,0


Callejón - Com grande espírito, foi um dos que acreditou até o fim, além disso, um bom jogo, com uma bela assistência e um belo drible, que não é uma das suas especialidades. Nota: 6,5


Mertens - Entrou com uma estrela incrível, colocando a bola nas redes logo em seu primeiro toque na bola. Fora isso, teve um bom impacto criando diversas jogadas ofensivas. Nota: 6,5


Pavoletti - Entrou no desespero, quando o Napoli já precisava de gols, e teve boa chance, numa bola que sem o desvio que teve, poderia gerar o quarto gol. Nota: 6,0


Allan - Entrou nos minutos finais para praticamente impedir novos ataques juventinos e armar dali as jogadas de ataque napolitanas. Nota: 6,0


Sarri - Depois de um primeiro tempo tenebroso, com a equipe em baixa, no segundo tempo, com muito espírito e vontade, além da técnica, as coisas se acertaram um pouco. Insuficientes para a classificação. Mas suficientes para vencer um clássico, ainda que tardio. A contestar, talvez somente a escolha de Chiriches como titular que se provou errada. Mas além disso, não havia muito o que mexer, inclusive nas substituições, que foram feitas corretamente. Nota: 6,5 


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Napoli tentou como pode, mas as fragilidades defensivas destruíram o que o ataque construiu no jogo