Napoli merecia vencer a Juve, mas faltou ser mais agressivo

O jogo era cercado de expectativa. Desde aquele mês de julho, quando a venda de Higuaín para a Juventus foi concretizada, havia a expectativa por esse jogo do dia 2 de abril. O reencontro do atacante argentino, a primeira vez que ele pisaria em Nápoles depois de tudo aquilo.


Alguns esperavam um clima de guerra desde a chegada da Juventus em Nápoles. O fato é que a chegada juventina à cidade não trouxe nem os raros (e corajosos) torcedores bianconeri locais. O clima era mais colocado em torno do jogo.


E logo horas antes do jogo, apareceu a notícia que o torcedor do Napoli temia nos últimos dias: Reina não poderia jogar e, assim, Rafael, depois de mais de 2 anos sem jogar uma partida de Serie A, seria titular no clássico. Logo no quente San Paolo, cheio de vaias antes, durante e depois do jogo, que já são normais em clássicos com a Juve...


E nos primeiros minutos, um balde de água fria no torcedor napolitano. Os comandados de Allegri foram ao contra-ataque. Marcaram Higuaín, mas esqueceram de marcar Khedira, que criou toda a jogada, viu Pjanic, que devolveu magistralmente pro alemão tocar na saída de Rafael, que poderia fazer melhor no lance. A rival saía na frente e calava momentaneamente o San Paolo, em mais uma noite bela da torcida.


A partir daí, a dinâmica do jogo foi outra. Era o Napoli com a bola e a Juventus toda atrás. Napolitanos tentando criar, mas no primeiro tempo com um domínio mais estéril, sem ameaçar realmente Buffon, e com muitos cruzamentos errados na área.


Chutes de Mertens, Hamsik e bolas longas não resolviam. O jogo pelo alto não funcionava, especialmente se levar em conta os baixinhos do ataque napolitano. No segundo tempo, nem jogada individual de Insigne surtiu efeito.


Era hora de continuar com as tabelas. Elas já deram algo positivo quando em chute de longe de Hamsik após tabela com Mertens, Buffon bateu roupa e deu rebote pra Callejón, que estava quase na pista de atletismo, marcar o gol, que seria muito bem anulado.


E em uma jogada típica do Napoli de Sarri sairia o empate. Troca de passes intensa, a bola chegou a Mertens no meio, e ele deu um passe "à la Hamsik", justamente para Hamsik, e o capitão, "à la Mertens", bateu com classe. Jogada de papéis invertidos, e belo gol de empate pra colocar fogo no jogo.


Havia a sensação de que o Napoli poderia tentar a virada. Ela quase veio em mais uma jogada de pressão na saída de bola juventina, quando Mertens apertou Buffon e, sem ângulo, chutou em cima da trave. Lance de sorte para quem tem amizade com ela (ou pacto).


Era a hora de ser mais agressivo. De tentar mais. Faltava um centroavante pra empurrar aquela bola pro gol, mas Milik e Pavoletti ficaram no banco. O banco que não surtiu efeito com as entradas de Zielinski, Rog e Ghoulam. Sarri poderia ser mais ousado.  


Ao final, certa foi a torcida do Napoli. Vaiou, mas não deu a importância que achavam que dariam a Higuaín, que não tocou na bola dentro da área napolitana o jogo todo. Quem quis se juntar a eles pelo desespero de ser "mais um", em vez de "o cara", de fugir escondido da cidade onde era amado, como um bandido qualquer, para ir ao lugar onde todos lhe odiavam, foi ele.


E sempre é um deleite ver que a equipe que muitos na Itália falam em "triplete", com toda a arrogância (justificada) deles, se trancando toda quando viu o Napoli. O super time juventino passou 85 minutos a se defender, com somente um chute no gol do Napoli ofensivamente. Uma coisa é o Palermo fazer isso. Outra é a Juventus.


Mas por outro lado, não adianta também ao Napoli reclamar disso. Reclamar de um placar que o jogo mostrou que foi um tanto quanto "mentiroso". Pode servir muito bem como motivação e botar no currículo "fizemos equipes como Juventus e Real Madrid se trancarem na defesa". Mas não serve pro mais importante, que é vencer seus jogos. Não adianta nada fazer isso se a agressividade está em baixa.


O que resta a esses jogos é aumentar a ofensividade, atacar mais, sempre que possível. Mas serve também uma partida de atitude como essa, em que os jogadores não desistiam nem de bolas pela lateral, e sempre com vontade. Isso deve ser a tônica dos jogos que faltam para a temporada.  


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Rafael - Poderia fazer muito melhor do que fez no lance do gol de Khedira, mal posicionado no lance. Talvez o tempo fora de jogo ajudou um pouco nisso. De resto, mal foi acionado. Nota: 5,5


Hysaj - Começou um pouco mal nas coberturas, mas aos poucos foi se acertando no jogo, e vencendo bem o duelo físico com Mandzukic pelo seu lado. Nota: 6,0


Albiol - Muitas vezes nervoso e fora de tempo em algumas jogadas, praticamente assistiu de camarote a tabela entre Pjanic e Khedira no gol juventino. Nota: 5,5


Koulibaly - Neutralizou perfeitamente Higuaín na partida, que não tocou uma bola sequer dentro da grande área napolitana. E bem também na fase de saída pro jogo. Nota: 6,5


Strinic - Muito bem nas coberturas, onde a Juve criou muito pouco pelo seu lado. Poucos erros defensivos, e uma boa partida fisicamente e tecnicamente falando. Nota: 6,0


Allan - Talvez poderia fazer melhor no avanço de Khedira, mas fez uma boa partida, com boas recuperações de bola, acompanhando bem as ações juventinas. Nota: 6,0


Jorginho - O seu ritmo ofensivo parecia lento, mas ainda assim, alternava entre algumas bolas perdidas no meio e bons desarmes defensivamente. Ofensivamente, teve uma boa distribuição de jogo, com 120 passes. Nota: 6,0 


Hamsik - Estava difícil, com ele, como sempre, muito bem marcado, mas ainda assim, procurando espaços no muro juventino. E em um desses momentos de espaço, marcou o gol de empate no clássico. Com cansaço e problemas musculares, teve de sair logo, mas foi o melhor napolitano. Nota: 7,0


Insigne - Alguns momentos de cruzamentos pro nada, alguns momentos de jogadas individuais brilhantes, mas nunca se escondendo do jogo. Ajudou bem também na marcação, além, claro, da criação de jogadas. Nota: 6,5


Mertens - Bem marcado e em luta contra Bonucci, teve minutos apagados, minutos de boas jogadas como no primeiro tempo, e minutos brilhantes, como o lindo passe para Hamsik empatar o jogo. Nota: 6,5 


Callejón - Um pouco menos acionado, teve gol muito bem anulado, e uma boa chance nos minutos finais mal aproveitada. No mais, partida dentro da média. Nota: 6,0


Zielinski - Entrou para melhorar as progressões ofensivas ao ataque, que não aconteciam tanto com Allan. Conseguiu ir pior ainda, não criando quase nada ofensivamente. Nota: 5,5 


Rog - Sempre com personalidade, tentando boas jogadas, um chute de fora da área sem grandes sustos a Buffon, e dando energia ao meio-campo. Nota: 6,0


Ghoulam - Entrou mal, perdendo algumas bolas, e sem o poder ofensivo pelo qual Sarri lhe colocara. Mas dentro da média porque defensivamente foi bem quando entrou. Nota: 6,0


Sarri - A equipe foi relativamente bem postada, criou em boa parte do tempo, teve bom jogo, com escolhas inteligentes, como Strinic, para ter uma cobertura maior do lado esquerdo, onde a Juve não se criou por ali, e outras nem tanto, talvez como Jorginho, que apesar da boa partida, não representaria uma escolha melhor para um clássico com a rival. O time atuou bem, mas poderia ter finalizado um pouco mais. E quanto as mudanças, elas poderiam ser melhor feitas, nenhuma surtiu resultado para a equipe. A entrada de Milik ou até mesmo Pavoletti poderia ter ganho o clássico para o Napoli. Mas acima de tudo, foi uma boa atuação, e o placar foi mentiroso em relação ao domínio napolitano. Nota: 6,5


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

O capitão foi o cara no clássico diante da Juventus. Mas bem que poderíamos vencer....