Apesar da eliminação, orgulho e uma ponta de esperança

Ao contrário do que a derrota poderia sugerir, jogar como o Napoli jogou é um motivo de orgulho. E a noite de 7 de março de 2017 pode ser vista como símbolo de orgulho para o torcedor do Napoli, e o caminho para um futuro melhor.


Primeiro pelas demonstrações de paixão da torcida que jogou junto com o time o tempo inteiro dentro de campo, esteve ao lado do time fora dele, e encarnou o espírito azzurro. Desde as manifestações na cidade, a chegada no estádio incrivelmente seis horas antes do jogo, a torcida napolitana, pra variar, deu um show.


Depois pelo time. Que não desistia de uma bola. Que desde o apito inicial foi valente e impôs o seu jogo. Criando muito contra o Real Madrid. Chutando de fora com perigo a Navas. Passando perto de cabeça. O Napoli rondava o gol de todas as maneiras.


E finalmente, após um belo passe de Hamsik, Mertens bateu cruzado pra botar o Napoli na frente e enlouquecer o lotado San Paolo. E não havia bola na trave de Cristiano Ronaldo que desmentisse o que era óbvio pra todo mundo. O Napoli era muito melhor no jogo.


O Napoli terminou a primeira etapa com bola na trave de Mertens. Para uns, a sensação de que logo o 2-0 viria. Mas logo nos primeiros minutos de segundo tempo, um balde de água fria tão gelado quanto aquele de Butragueño em 1987.


Dessa vez, outra lenda madridista, Sergio Ramos, foi quem marcou de cabeça, sozinho. Não só uma, como duas vezes, uma cruelmente desviando em Mertens, em um espaço de cinco minutos. Ali a classificação iria para o vinagre. Se poderia culpar a defesa por não conseguir impedir o espanhol de cabecear.


Mas é sempre bom lembrar que outros times com defesas de qualidade, como Bayern, Atlético e Barcelona não conseguiram pará-lo pelo alto... É quase impossível de pará-lo pelo alto. Já era por baixo no campo de defesa, e no ataque pior ainda.


E mesmo assim, o Napoli tentou. Tentou e não conseguiu. Cansado pela sequência de clássicos e já abatido pela eliminatória que viera abaixo antes do fim, acabou em campo, e sofreu o terceiro gol, logo de Morata, que quando jogava na rival não fazia nada contra o Napoli...


Ao final do jogo, uma derrota previsível. O Madrid explorou um time que não aguentou o físico de três clássicos seguidos, e principalmente, aproveitou a experiência. Mas por outro lado, essa derrota de hoje, pode ser o início de um caminho de vitórias amanhã.


Há dois exemplos a se trilharem, de dois finalistas da Champions. Atlético de Madrid e Borussia Dortmund caíram na fase de grupos da competição antes de aparecerem fortes na briga pelo título. Com o tempo, a experiência da equipe, nos dois casos, foi aumentando, e a "casca" foi crescendo. 


Se levarmos em conta a experiência, alguns dos jogadores da equipe até essa edição, sequer jogaram uma Champions League. De experientes no elenco em disputar mais de duas edições do torneio, somente Reina, Maggio, Albiol, Hamsik e Callejón. Só dois deles jogaram somente pelo Napoli, o que diz muito sobre a "inexperiência".


Tudo vai melhorar se o Napoli se tornar presença fixa na Champions. A experiência do clube, do elenco, o dinheiro pra novos jogadores, e a continuidade daqueles que hoje lá estão no clube podem ser fatores vitais para permanência azzurra no panteão das melhores equipes da Europa.


Mesclando mais experiência junto à juventude que hoje brilha no Napoli, o caminho para títulos locais e internacionais pode ser pavimentado. Mas o fato é que uma coisa importante para chegar lá o Napoli tem, até mais que muitos que lá estão: A paixão. A paixão dentro de campo. A paixão pelo clube fora de campo.


Fatores que dão uma ponta de esperança no torcedor azzurro para o futuro. Viver noites de Champions dão experiência. Dão esperança. Geram paixão, geram torcida. Só basta ao Napoli ser fixo na competição. Sendo fixo na competição, não terá apenas a promessa, mas a certeza de um bom futuro. 


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Reina - Não teve culpa em nenhum dos três gols, na minha visão. Teve boas saídas, mas foi batido por Cristiano Ronaldo e contou com a sorte da trave. Nada de grande, mas regular. Nota: 6,0


Hysaj - Não teve uma má partida, ainda que poderia fazer melhor no segundo gol madridista. Contra Cristiano Ronaldo, até que não se saiu mal durante o jogo. Nota: 6,0


Albiol - Uma partida regular dentro do que se apresentou com a bola rolando. Assim como na ida, poderia fazer melhor em outra jogada aérea, agora no gol de Sergio Ramos. Nota: 6,0


Koulibaly - Alguns sustos no primeiro tempo, mas uma partida normal do zagueiro franco-senegalês. Não teve culpa em nenhum dos gols sofridos pela defesa. Nota: 6,0


Ghoulam - Através de um erro seu, saiu o escanteio do segundo gol madridista. Sofreu muito na defesa com as investidas de Bale, um dos melhores em campo. Nota: 5,5


Allan - Uma boa prova do brasileiro, com muita vontade nas divididas (as vezes até em excesso), e muita disposição, apesar dos problemas físicos evidentes, tendo em vista que voltava de lesão. Nota: 6,0


Diawara - Muito bem na distribuição de jogo, foi um dos pilares do time, especialmente na primeira etapa. A sua boa partida ajudou muito na boa partida do Napoli. Nota: 6,5


Hamsik - Outra vez tirou um belo passe da cartola, agora para Mertens abrir o placar. Entre as linhas ficou entre altos e baixos, teve bons chutes de fora. Por outro lado, de um erro seu, saiu o escanteio do primeiro gol madridista. Mas ainda assim, boa atuação. Nota: 6,5


Insigne - Teve uma boa partida especialmente sem a bola, onde muitas vezes abria espaço para Mertens flutuar por aquela região. Criou também boas jogadas pelo seu lado. Nota: 6,5


Mertens - Abriu o placar que explodiu o San Paolo, e quase marcou outro numa bola na trave. Teve um bom trabalho de movimentação. Uma pena o gol contra num lance de azar. Nota: 6,5


Callejón - Bem no primeiro tempo, em que o Napoli esteve mais no ataque, esteve inexistente no segundo tempo, muito pela inexistência do seu lado no ataque. Nota: 6,0


Rog - Fazia girar melhor a bola em relação a Allan, e teve boas conclusões de fora da área, mas em seguida o Real Madrid matou o jogo e ali não fizera mais tanta diferença. Nota: 6,0


Milik - Não entrou tão bem, inexistente no jogo, muito pelo fato do ataque não ter entrado tanto na área. Por outro lado, não sei até que ponto é avaliável, porque foi mais um jogo onde ele entrou com tudo já decidido. Nota: 6,0


Zielinski - Fez pouco em campo. Mudou um pouco o ritmo, mas nada que fosse grande coisa em um momento em que Sarri já pensava mais na Serie A do que no jogo contra o Real Madrid em si. Nota: 6,0


Sarri - A equipe jogou muito bem até sofrer os dois gols em sequência. Jogando o seu jogo, tocando a bola, criando oportunidades. O problema foram os dois gols acontecerem em sequência. Talvez se fosse somente um deles, a história seria outra, os jogadores já não seriam tão abatidos, e por aí vai. Mas para o objetivo da temporada, a classificação para a próxima Champions, há de se ressaltar muito, que essa equipe conseguiu jogar melhor do que o todo poderoso Real Madrid, gerou orgulho a torcida do Napoli e esperança para o futuro. Nota: 6,5


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

San Paolo lotado. Um Napoli que joga bem. Fatores que dão orgulho e esperança para o futuro ao torcedor napolitano.