É preciso muito mais do que jogar bem contra a Juventus

Site oficial: SSC Napoli
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É preciso muito mais do que jogar bola pra vencer no Juventus Stadium. Para derrotá-los já seria um jogo complicado, afinal, Allegri, ciente dos nossos problemas ao enfrentar equipes com três zagueiros - e logo eles tendo (na minha visão) a melhor defesa do planeta -, colocou logo o trio BBC pra tentar parar o Napoli.


E ainda assim, o Napoli conseguiu controlar a posse de bola, criar oportunidades. A Juve chegava por meio da ligação direta, como em um lance de Bonucci que, como um quarterback, acionou Dybala na cara do gol, mas Reina defendeu. 


O Napoli foi pra cima. Criou chances, como no chute de fora de Hamsik, após cabeçada errada de Callejón. Mas, ainda assim, a Juve chegava com perigo, como em uma bela jogada de Higuaín, que se livrou com uma facilidade incrível de dos zagueiros. Era assim em Castelvolturno?


Até que na parte final do primeiro tempo, em bela troca de passes, Insigne cruzou, a bola passou por todo mundo e Callejón aproveitou que estava na mesma linha que o zagueiro juventino e botou a bola na rede, colocando o Napoli na frente do marcador. 


Em primeiro tempo que Valeri já aprontava das suas, permitindo muitas vezes que o jogo desencambasse para a pancadaria (sejamos justos, a Juventus sofreu um pouco mais com isso) dos dois lados, logo a rival quase marcaria em belo chute de Mandzukic, que teve duas belas defesas de Reina na sequência.


No segundo tempo, Allegri colocou Cuadrado, e começou ali a gerar real perigo, inexistente com Litchsteiner. Mas foi do outro lado um dos lances capitais. Após lateral batido, Dybala recebeu dentro da área, chegou a ser tocado por Koulibaly, e aproveitou pra valorizar o lance. Valeri foi na dele e marcou pênalti. Na cobrança, o argentino bateu muito bem e empatou o jogo.


Lance que animou a Juve. E o mesmo Reina que salvou tudo no primeiro tempo, viraria o vilão no segundo. Saiu todo estabanado em um cruzamento de Chiellini, deixou a bola passar e Higuaín chutou pro gol vazio. Bonucci ainda fez que ia na bola, não foi, mas o gol foi do ex. Era preciso muito mais ao Napoli. Era preciso voltar a partir pro ataque.


Agora vamos ao lance de principal polêmica da partida: em ataque do Napoli, Albiol tenta se livrar de dois juventinos e é tocado claramente. Na continuação da jogada, Cuadrado avançou em meio ao espaço vazio que a zaga deixou, saiu na frente de Reina e caiu. Não adiantou Reina ter tocado a bola primeiro. Valeri marcou pênalti. 


Era tudo como uma revisão daquela clássica jogada que os interistas conhecem bem. Aquele lance de Iuliano em Ronaldo em 1998, que depois virou pênalti de Taribo West em Del Piero. Se há um critério real, por que Valeri deu no lance do primeiro pênalti com Dybala, e não deu no lance em Albiol? Lances semelhantes. Pelo critério dele, valeria até um em Dybala que não teria sido marcado no primeiro tempo. 


O que poderia ser um 2 a 2 em caso de pênalti convertido, virou um 3 a 1 com o pênalti bem batido por Dybala. E, quer queira, quer não, muda a história da partida. 

É bem verdade que a atuação do Napoli no segundo tempo não foi satisfatória. Mas quem garante que o jogo não poderia ser diferente se o árbitro não tivesse marcado o pênalti em Dybala? Quem garante que não poderia ser se o árbitro marcasse o pênalti em Albiol, em lance semelhante? Ou até mesmo em não assinalar o de Cuadrado?


Para a arbitragem, vale a máxima da mulher de César. Não basta ser honesta, é preciso parecer honesta. É preciso ter critérios, o que a arbitragem de Valeri não teve. Porque um jogo de futebol é coisa séria. Não se pode apitar com a irresponsabilidade na qual esse senhor estava apitando desde o início do jogo, que prejudicou ambos os lados, mas de maneira muito mais grave e escandalosa o lado napolitano.


E a quem fale de "choro" ou de "álibi de perdedor", bem, não é o que falam na Champions League quando são (constantemente nos últimos anos) prejudicados pela arbitragem por lá. Deve ser duro precisar de lances duvidosos pra vencer mesmo tendo um dos melhores times da Europa e com o faturamento sendo o triplo do adversário do qual comprou um de seus craques.


E assim caminha a humanidade. Mas é preciso muito mais do que uma partida bem apresentada assim pra vencer a Juventus. É preciso aproveitar as suas oportunidades e não conceder espaços e chances para a rival. Dá pra melhorar na bola jogada. E ao que tange fora da bola jogada pelo Napoli e aos senhores neutros em campo, principalmente. 


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Reina - Como avaliá-lo? Pelas defesas incríveis no primeiro tempo, ou pela falha grosseira, de saída de gol e especialmente de comunicação no segundo gol juventino? Entre o 10 pelo primeiro tempo e o 0 da falha, fica com a meio-termo disso. Nota: 5,0


Maggio - Jogou melhor do que as expectativas mostravam. Alguns erros, talvez no lance do lateral que gerou o primeiro pênalti inexistente, mas no fim, uma boa partida e de muita luta. Nota: 6,0


Albiol - Defensivamente fez uma boa partida, embora em um ou outro lance tenha tido problemas com Higuaín. Ofensivamente, teve seu lance de pênalti não marcado. Bem ou mal, varia o critério. Nota: 6,5


Koulibaly - Bons cortes no primeiro tempo, e ainda que não tenha feito tantos no segundo, teve como saldo uma boa partida, até mesmo neutralizando Dybala com a bola rolando (ainda que este tenha aparecido nos pênaltis...). Nota: 6,0


Strinic - Bom primeiro tempo, e um segundo tempo seguro. Uma partida baseada em um jogo mais no campo defensivo, sem ter atacado tanto em relação ao que Ghoulam costuma fazer. Nota: 6,0


Rog - Se impôs de uma maneira impressionante. Com o coração na ponta da chuteira em cada bola, sempre ganhando jogadas, girando bem a bola, criando possibilidades, foi o melhor do Napoli. Nota: 7,0


Diawara - Fez uma partida boa, fazendo girar bem a bola, ainda que defensivamente nem tanto. Mas o seu cartão amarelo lhe condicionou a não jogar tão forte. Nota: 6,0


Hamsik - Um pouco mais apagado, e menos brilhante, mas ainda assim, útil para a equipe, fazendo girar bem a bola, e com uma boa chance de fora da área. Nota: 6,0


Insigne - Criou boas jogadas com Milik, mas pelo lado esquerdo, sempre desafogava o time quando necessário até mesmo na defesa. Em uma bela jogada, deu uma boa assistência para Callejón marcar. Nota: 6,5


Milik - Teve dificuldades, teve de sair um pouco mais da área, mas fez um bom jogo dentro das possibilidades. Teve boa movimentação no lance do gol napolitano. Nota: 6,0


Callejón - Não esteve no seu melhor nível, mas foi importante para a partida. Não só pelo gol, mas pelo básico de sempre, a disposição técnica e tática. E claro, ressaltando novamente, a importância do gol. Nota: 6,5


Zielinski - Muito pouco impacto na partida. Ainda que não tenha comprometido defensivamente, foi quase nulo ofensivamente, quando o time precisava de progressões maiores ao ataque. Nota: 5,5 


Mertens - O que poderia ser uma boa opção, se tornou em uma opção apagada em termos de produção técnica para a equipe. Quase não flutuou entre os zagueiros, como costuma fazer. Nota: 5,5


Pavoletti - Pouco tempo para fazer alguma coisa. Entrou com a condição de que o Napoli jogasse mais bolas na área, mas foram poucas, e não fez diferença. Nota: 6,0


Sarri - Finalmente a equipe fez uma partida decente contra uma equipe que postava com três zagueiros. Ofensivamente com boas ações, a criação de jogadas não era inexistente, e o jogo foi de igual pra igual, parelho. O problema foram algumas trapalhadas individuais. E de um outro indivíduo que não vem ao caso. Quanto as substituições, eram boas ideias (ainda que a minha primeira substituição seria, incrivelmente, Jorginho no Diawara para ao menos deixar um meia sem cartão), que não foram executadas talvez pelos erros individuais. Nota: 6,0

Reprodução: Twitter
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'Nós somos orgulhosos, não precisamos de ajuda. Somos Napoli e lutamos sempre sozinhos' #ForzaNapoliSempre - HIGUAÍN, Nicola