Rodar o elenco do Milan de forma inteligente é obrigação de Montella

Amanhã, às sete e meia da madrugada na tela da ESPN Brasil, contra uma forte Sampdoria, poderemos ter mais um daqueles testes que podem dizer se, desde a derrota para a Lazio, o Milan conseguiu evoluir o suficiente ou ainda precisará de mais algum tempo para chegar ao status de time formado. Lógico que as vitórias nas duas últimas partidas são animadoras e o crescimento após a mudança para o esquema com 3 zagueiros foi nítido, mas qualquer um sabe que essa equipe ainda pode render mais um pouquinho.


A partida de amanhã será assunto de amanhã. Hoje nós vamos falar de uma consequência justamente da bem-vinda mudança de esquema: a rotação do elenco e a perda de status de alguns jogadores importantes.


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- ESTE QUE ESTÁ AQUI ATRÁS!


No começo da temporada qualquer milanista sabia a resposta na ponta da língua sobre quem eram os intocáveis de Montella. De pronto, os nomes de Suso, Bonaventura, Romagnoli e Donnarumma saiam com fluidez. O esquema da época, 4-3-3, acomodava todos ali em suas posições preferidas e o Milan seguia feliz. Após as contratações feitas e conforme os jogos foram passando, ficou claro que alguns dos novos jogadores, principalmente Bonucci e Rodriguez, renderiam muito mais com a mudança de esquema. Assim foi feito, só que criou-se um problema que só Vincenzinho pode resolver com inteligência.


Os três jogadores de dentro do meio campo continuam formando um trivote na teoria, com um regista e dois mezz'ale. O que vemos atualmente é a rotação de quem ocupa a vaga à esquerda, variando entre Montolivo, Hakan e Bonaventura enquanto Biglia e Kessié são titulares indiscutíveis. Montella precisa arrumar uma maneira de colocar o argentino e o marfinense na roda também se pretende chegar inteiro na reta final das 3 competições que tem pela frente.


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- Deixa eu jogar junto daquele cara com o nome esquisito ali, professor!


No ataque mora o problema. Enquanto todos ficamos satisfeitos em ver que Kalinic, Andre Silva e Cutrone estão correspondendo às expectativas, isso gera uma preocupação ligada a Suso. O espanhol, que é um dos melhores ponta direito que temos em atividade no futebol italiano, vai disputar vaga com um dos três citados e ter de se adaptar ou como segundo atacante ou como trequartista, centralizado e não mais fixo na ponta direita. Claro, o camisa 8 rossonero pode, num passe de mágica (baby), surpreender a todos com uma adaptação relâmpago, todavia, é algo improvável e o crescimento de alguém - seja dele ou de um dos atacantes - será atrapalhado.


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- Quem? Eu? na reserva?


Quanto à defesa, aí temos um dos casos menos preocupantes. Apesar do erro na última partida, Romagnoli conta com a vantagem de ser o único zagueiro canhoto no elenco e por isso tem uma vaguinha cativa no lado esquerdo da defesa a três. Algo que Montella precisa corrigir na próxima janela de transferências ou mesmo ir, aos poucos, adaptando Antonelli por ali já que, assim como não pode acontecer com Bonucci, não é interessante estourar o rapaz para que ele chegue ao final da temporada só o puro osso.


Não são exatamente problemas, e sim situações que merecem atenção do nosso querido comandante campano de cabelinho perfeitamente dividido - ai que inveja. Montella recisa pensar e repensar com carinho se quiser rotacionar o elenco com inteligência e chegar ao final da temporada com emoção garantida, e não com metade dos jogadores mostrando meio palmo de língua aos 70 minutos de partida e a outra metade sendo tratada pelos açougueiros Milan Lab.


A filosofia de trabalho do comandante do Diavolo deve ser semelhante a um velho e sábio ditado repetido à exaustão pela minha avó: se arrumar direitinho, todo mundo transa.