Eu tenho inveja do Napoli, um exemplo para o Milan

Talvez algumas pessoas tenham razão e do alto a vista seja muito diferente, mas tão diferente que quem está um pouco abaixo acabe virando algo imperceptível, pequeno e sem muita importância. Quem sabe olhando de cima tudo pareça meio perdido, sem destaque, em tons pastéis e todas as cores se misturem em uma combinação de fraqueza, melancolia e fracasso, vai entender. Afinal, há tempos nós não conseguimos ter essa visão e eu tenho muito a agradecer por isso em alguns momentos.


Quem vê de baixo, dali do 7º andar desse prédio de 20 andares onde a cobertura está sempre ocupada pelos mesmos inquilinos, consegue ver que alguns dos apartamentos nesse edifício tem seus detalhes muito peculiares, algumas particularidades que são tão bonitas, tão singelas e que talvez lá do alto não apareçam. E se for para ter inveja de alguém, para fazer uma obra geral e copiar um estilo, esse inquilino aqui não quer saber da cobertura, imponente e arrogante, mas sim daquele que está dois andares abaixo dela, aquele sim é um apartamento lindo de se copiar.


Deixando agora a metáfora de lado, se um dia o Milan voltar a jogar um futebol bonito e vistoso, que seja igual a esse Napoli de Hamsik, Mertens, Callejón e Insigne, que Montella incorpore o espírito de Maurizio Sarri que, ao contrário do que já foi escrito, faz sim um trabalho ótimo dentro de suas limitações técnicas e, principalmente, orçamentárias. Em nada quero que o meu Diavolo se pareça com os multicampeões do topo da tabela, vizinhos do norte do belpaese. É para o sul que devemos olhar como exemplo.


Getty Images
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Aqui sentado, de boas, vendo um puta time jogar...


Exemplo de time, de jogo, de torcedores apaixonados e barulhentos, que carregam o time durante toda a partida, mesmo que a tarefa seja a mais complexa que existe atualmente. Um exemplo de clube que há pouquíssimo tempo estava falido, quebrado, e agora é presença obrigatória para que qualquer edição da Champions League tenha graça. Sempre perseguidos por coros preconceituosos; por serem do chamado "sul pobre da Itália", os napolitanos estão sempre ali, dispostos a jogar o máximo que podem, de forma linda.


Nessa sexta-feira, nós teremos uma pedreira pela frente e tudo que mais quero é ver o Milan jogar como o Napoli de Sarri jogou nessa partida de ontem contra o Real Madrid. Alguns podem sentir pena, mas o que devemos sentir é uma inveja de um time que jogou durante uma hora de igual para igual contra um dos maiores campeões do futebol mundial e saiu com a sensação de que podem fazer bem mais do que isso.