United 3-0 Basel: triunfo com brilho e solidez

Começamos a Champions League da maneira que precisávamos: vitória, boa atuação e ânimo renovado para a próxima sequência de jogos. O mês de setembro traz uma maratona interessante e, por mais que não seja tão difícil no quesito nível dos adversários, um início forte em todas as frentes é fundamental para times vencedores. Nesta terça-feira, o United não tomou conhecimento do Basel e o resultado dá a sensação de que conseguiremos ser soberanos no grupo. O Benfica mostrou inconsistência, perdeu para o CSKA e é pra Moscou que viajamos na segunda rodada, onde devemos triunfar e garantir uma tranquilidade rápida. Os sinais continuam apontando na direção certa.


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A escalação trouxe certa desconfiança de um lado e motivos animadores do outro - no fim das contas, todos os setores acabaram agradando. Pela suspensão de Bailly e Jones, a dupla de zaga mudou totalmente para Lindelof e Smalling; um atleta que ainda não engrenou e um consensualmente fraco. Creio, inclusive, que se tratam dos dois menos inspiradores para Mourinho, considerando os titulares e o eventual retorno de Rojo. Nos 90 minutos, porém, o que vimos foi uma performance sólida e imponente dos mesmos. Moral elevada e um elenco cada vez mais calibrado nesse sentido.


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Mourinho pode ter surpreendido, mas acertou nas escolhas para a escalação e na montagem do sistema


Na lateral direita, podemos ter pensado de cara: para complicar, Young foi surpreendentemente escalado; esse é tipo de partida que, pra mim, Fosu-Mensah deveria estar iniciando - mas está emprestado ao Crystal Palace. Foi uma amostra pequena, é claro, mas queimei a língua. O inglês demonstrou uma vontade contagiante e estava acertando com e sem a posse. Conteve as investidas do ala oponente - Riveros - e teve fôlego para atacar com intensidade. Em um dos cruzamentos, encontrou Fellaini na área para abrir o placar. Deve ser uma opção interessante na rotação, talvez superando Darmian na ordem de substitutos.



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Quem tirou o zero do marcador, inclusive, foi o Player of the Match para a maioria da torcida. É até irônico descrever algo assim após tantas críticas e desânimo com o jogador, mas Marouane vem fazendo por merecer os votos positivos do treinador. Ele pode não ter o estilo de uma peça de alto nível e nos decepcionar com algumas decisões estúpidas, só que o rendimento claramente evoluiu. Hoje, infelizmente Pogba (que estava com a faixa de capitão) sentiu dores musculares e saiu logo no começo, mas seu suplente tomou conta do embate. Sem a mesma técnica, o belga compensou com passes e dribles imprevisíveis e terminou com gol e assistência. Cabem muitos créditos ao rapaz.


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Seu companheiro na noite, Matic continua provando que é um verdadeiro monstro no miolo do conjunto. É uma espinha dorsal de um nome só, funcionando como base para o restante se expressar e tomar ações mais livres sem o medo de não ter cobertura. O ex-Chelsea deixou Fellaini ser o motorzinho e cobriu as esporádicas ameaças de Steffen e Elyounoussi com imponência física e classe/timing nos desarmes. Seu passe é um grato elemento adicional nesse quebra-cabeça vermelho, gerando saídas rápidas e de qualidade em zonas que o adversário geralmente não está esperando.


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Matic e Pogba é a dupla que precisamos, mas com Fellaini o rendimento foi surpreendentemente muito bom


Lá no último terço, os caras não perdoam - e mostram que estão preparados para todo tipo de ocasião. Lukaku marcou seis vezes na mesma quantidade de aparições e, ainda mais, balançou as redes na estreia pelo clube (vs. Real Madrid), na Premier League (vs. West Ham) e agora na Liga dos Campeões. A atuação foi ótima e só sua presença por todos os cantos da área já desestabilizou a defesa de forma visível. Seu parceiro no ataque, por sua vez, é outro capaz de render em vários cenários e torneios. Depois de debutar com gol na Europa League, PL, Manchester derby, EFL Cup e seleção da Inglaterra, Rashford fechou a vitória na maior competição. O garoto tem futebol, tranquilidade e estrela.



São seis gols provenientes de cruzamentos nos últimos cinco jogos. A escolha de Mourinho por uma equipe física e potente vem dando resultado em vários aspectos.



E nosso poderio anima tanto em números individuais quanto no repertório coletivo. Se a temporada passada foi de extrema dependência em Ibrahimovic (que é uma máquina e voltará ainda neste ano), em 17/18 já temos 6 artilheiros e, crucialmente, 5 deles tem 2 ou mais. Romelu vai disparando, mas Marcus, Pogba, Fellaini e Martial vêm mostrando que a pontaria está calibrada. Mata, responsável por 10 tentos na última campanha, deve subir nas estatísticas em breve. Mkhitaryan não é bem prolífico, mas tem papel de articulador e se manter as assistências estaremos bem servidos.