Stoke 2-2 United: resultado normal e garantia de aprendizado

O retrospecto dava noção do desafio: desde a aposentadoria de Sir Alex Ferguson, o United não conseguiu vencer em Stoke on Trent. Com Mourinho no comando e o conjunto demonstrando um futebol bem convincente, também tínhamos razões para acreditarmos no triunfo. Por certas decisões precipitadas e vários atletas meio enferrujados - foi a performance de menor impacto da nossa espinha dorsal, formada por Bailly, Matic, Pogba e Lukaku -, não fomos capazes de superar essa conhecida pedra no sapato. Seguimos na liderança, entretanto, e temos tudo para vencer Everton e Southampton nas próximas semanas. Ambos vem decepcionando e são 'bons' rivais para retomarmos o ritmo na Premier League.


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Tendo em vista o início da Champions League já na terça-feira, esperava-se que alterassem alguma coisa em relação ao time que vinha sendo escalado. Mesmo estando suspenso no torneio europeu, falava-se que Bailly seria poupado por ter voltado do international break em cima da hora. O marfinense foi à campo, porém, assim como Darmian, Herrera e Rashford. Os dois primeiros simbolizaram a mudança de formação, implantando o trio central que a maioria imaginava antes da temporada começar. No ataque, parece que a intenção é realmente criar uma disputa saudável do atacante inglês com Martial. Até agora vem dando resultado.



Com a bola rolando, mais uma vez tivemos caos logo de cara. Em apenas alguns segundos, os anfitriões já haviam dado dois exemplos da velocidade que pretendiam utilizar e os visitantes deram um aperitivo de contragolpe perigoso também. Normalmente disposto em um 4-2-3-1, o sistema alternativo montado por Mark Hughes vem sendo refinado a cada confronto importante - e contou com a última janela de transferências para acertar as pontas do quebra-cabeça. Linha de 5 na fase defensiva, com três zagueiros fortes (Cameron, Wimmer e Zouma) e mantendo a potência física nas laterais (Diouf e Pieters). Allen e Fletcher davam consistência no miolo e aí já encontramos uma estrutura sólida, mas o risco estava lá na frente.


Um tridente ofensivo composto por jogadores que podem ser considerados: a) renegados de clubes grandes ou b) 'bons demais para um time de meio de tabela'. Shaqiri é uma fonte de incertezas pela inconsistência mesclada com a ameaça visível do pé canhoto. No ponto focal de praticamente 100% das jogadas, duas caras novas nos incomodaram com bastante movimentação; Jesé, ex-Real Madrid e PSG e Choupo-Moting, ex-Schalke, invertiam posições entre a esquerda e o centro, envolvendo Valencia e tirando Bailly da segurança costumeira. Aí que entra a figura de Ander, que voltou a ser titular em um cenário propício apenas defensivamente; foi preciso daquela energia sem posse para reduzir o ritmo adversário, mas o efeito colateral acabou sendo negativo. 


Getty Images
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De forma crucial para o resultado, Bailly foi envolvido facilmente pela movimentação constante de Choupo-Moting e companhia


Esse foi somente o jogo tático - a partida nas ações produtivas em si demorou para se desenvolver. A marcação em pressão média dos Potters travou consideravelmente a fluidez das coisas, trazendo como consequência um aspecto a ser trabalhado em Manchester. Na ausência de Mata, sentimos falta daquela peça de conexão na chegada ao último terço. Herrera oferece algo parecido mais atrás, mas a pressa nas corridas de Mkhitaryan e Rashford colocam um peso desnecessário nas costas de Pogba. Lukaku vem a ser obrigado a recuar uns metros também, diminuindo relativamente o poder de fogo. O baixinho espanhol demonstra, através de sinais até meio indiretos, que tem um papel bem importante em determinadas circunstâncias.


O tradeoff que a comissão técnica precisava fazer, então, era avançar alguém com capacidade para ser essa presença na articulação. Naturalmente, Ander se viu menos preocupado com a contenção e se soltou na intermediária ofensiva. Se eles ganhavam uns metros para os eventuais contragolpes, nós passamos a ter uma dose (levemente) reforçada de criação - mas ainda era longe do ideal. A missão parecia ficar mais complicada quando Choupo-Moting, em uma das investidas diagonais, apareceu como elemento surpresa e abriu o placar. Em seguida, porém, Marcus desviou sem querer o cabeceio de Labile e empatou. Um alívio e tempo para pensar em algum artifício que nos trouxesse de volta a eficácia das rodadas iniciais.



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Demorou pra surgir alguma substituição, enquanto isso vivemos certa aflição com a dificuldade para trabalharmos perto da área. O retrospecto encardido no Britannia Stadium já dava a sensação que poderíamos engolir uma derrota, mas outra vez fomos lembrados de dois reforços pra essa campanha. Mkhitaryan, depois de um ano fantasma, está mostrando o que pode produzir em 17/18 e hoje não foi diferente. O que mudou foi a atuação, bem abaixo do esperado, mas bastou uma transição repentina para deixar Lukaku na cara do gol. Butland fez uma defesaça e, no rebote, o artilheiro balançou as redes.


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Lukaku marcou novamente, mas teve dificuldades diante de um sistema fechado - e com a ausência de Mata


Nesse ritmo esquisito do embate, sofremos de novo; Moting aproveitou o posicionamento falho de Jones e, em escanteio, fez seu segundo. Claramente se tratava de uma tarde lamentável para nossa dupla de zaga - que até então não havia deixado a bola entrar sequer uma vez. De Gea chegou a operar um milagre, mas sucumbiu (sem culpa) ao estado extremamente vulnerável da defesa. Isso fica para reparo no treinamento, porém, já que precisávamos de potência ofensiva. Martial, Mata e Lingard entraram com a missão de manter a escrita de gols anotados por quem sai do banco (eram 4 em 3 compromissos), mas esbarravam na marcação oposta.


Acontece. Empatar com o Stoke fora de casa é algo absolutamente normal, só fica o gosto amargo por esperarmos coelhos da cartola desse time que tanto empolgou. As perspectivas continuam ótimas e Mou certamente pensará duas vezes antes de nos encaixotar no 4-3-3 dentro de cenários 'pesados' como esse. Na terça temos a Liga dos Campeões, recebendo o Basel dentro de Old Trafford; ambiente perfeito para começar com tudo na Europa e retomar a confiança do elenco.