Swansea 0-4 United: Mourinho tem o poder de fogo que faltava

O ânimo parece corresponder ao desempenho dentro de campo. Depois de uma das melhores partidas dos últimos anos diante do West Ham, no opening day, o United bateu cruelmente o Swansea fora de casa e continua 100% na Premier League. A atuação lembra inúmeros pontos positivos dos esquadrões campeões que tivemos ao longo dos anos. Imposição física e técnica, a sensação de que podemos marcar a qualquer momento e um toque de confiança considerável. É uma máquina totalmente diferente das comandadas por Moyes e Van Gaal. Falamos de um plantel construído minuciosamente por Mourinho do jeito desejado por ele e agora todos vão ter que aceitar: brigaremos firme pelo título.


ESPN.com.br | Lukaku faz mais um, zagueiro marca pela 1ª vez, e United goleia de novo na Premier League


Mesmo que alguns desejem certas mudanças em nossa escalação ideal, saber que mandaram ao campo um time igual ao do fim de semana passado é um detalhe empolgante. Nas recentes campanhas marcadas pela inconsistência, um dos aspectos comuns era a falta de sequência no XI inicial e nunca conseguimos decorá-lo. E tem outro fator: o treinador poderia ter demonstrado que a goleada foi exceção e voltado ao mais defensivo 4-3-3, mas manteve fé no 4-2-3-1 com Matic e Pogba no double pivote. A única mudança foi a inclusão de Lindelof no lugar de Darmian no banco de reservas.



A performance foi convincente de novo, mas os primeiros minutos foram caóticos. De forma surpreendente, os anfitriões tiveram uma postura agressiva logo de cara, causando certo pânico em nossos jogadores e garantindo transições perigosas. Em uma delas, Bailly afastou mal e Ayew acertou a trave. Para termos noção do ritmo do negócio, poucos segundos depois e Lukaku quase marcou do outro lado. Com esse alarme precoce em ambas as equipes, passamos a rodar a bola no chão e o controle foi tomado. A movimentação com e sem a posse teve traços agradáveis, mas não foi a ideal. É uma dos aspectos mais importantes do esporte e, gradualmente, vamos dominando as nuances.


Os comandados de Paul Clement foram dispostos em um 5-3-2 com foco em fechar a última linha e anular as investidas pelos flancos. Roque Mesa, Carrol e Fer se posicionaram centralmente e, em tese, representaram um desafio complicado para os visitantes. A chave para manipular essa estrutura, porém, aos poucos foi se desenvolvendo. Considerando que Mkhitaryan e Mata são playmakers de origem e Rashford é centroavante, é natural a tendência em flutuar pelas faixas centrais do gramado. Fosse só isso, no entanto, teríamos uma unidimensionalidade simples de ser combatida.



Curta o Old Trafford Brasil no Facebook 



Consequentemente, o entendimento dos laterais no último terço se tornou fundamental. A função prioritária de Valencia e Blind tratava de se aproximar dos limites do campo, espaçar horizontalmente a defesa adversária e dar o fôlego necessário para construirmos o jogo com as peças do meio. O diferencial era não ficar só nisso, mas sim colocar interrogações nos oponentes ao frequentemente trocar de setor com os atletas ofensivos. Tal artifício foi usado apenas esporadicamente e, assim, o congestionamento provocado pelo sistema contrário travou bastante a partida. Bom teste, levando em conta que contra os hammers tivemos o trabalho facilitado nesse sentido.


Getty Images
Getty Images

Lukaku prova que não precisa participar de todas as jogadas, mas sim colocar a bola na rede


Se na prática o jogo por baixo não estava fluindo, precisamos mostrar que vai ser difícil nos conter nessa temporada. Pelo alto, com nosso 'conjunto de basquete' incomodando os zagueiros na área, devemos ter um bom rendimento. Nessa manhã foi a vez de Bailly anotar seu primeiro gol com a camisa vermelha após Labile mandar no travessão. Antes da campanha começar, Jose falou sobre a necessidade de uma variedade em nossa lista de artilheiros. Duas rodadas e quatro nomes diferentes já balançaram as redes. Com o esférico rolando, as complicações continuavam.


Os donos da casa fizeram um segundo tempo bem ousado se compararmos com o primeiro, colocando mais gente para as fases ofensivas (sem tanta criação, com atuações apagadas dos interiores Fer e Carrol) e uma mudança tática garantiu certa retenção da posse em áreas interessantes. Routledge e Narsingh substituíram Bartley e Mesa, ou seja: dois pontas por um zagueiro e um meia defensivo. No 4-4-2 (que mesclava com o 4-2-3-1 em alguns momentos), tiveram investidas que preocuparam o chefe. Martial e Fellaini entraram em funções diferentes, é claro, mas com o mesmo propósito: bloquear as transições e ajudar nos contragolpes.


Getty Images
Getty Images

Martial mais uma vez entrou no segundo tempo e deixou sua marca. A titularidade é logo ali para o francês


O impacto não poderia ser maior - e melhor. Ambos participaram do gol que garantiu a vitória, com o belga lançando para frente e o francês pegando o pivô de Lukaku - esse que, depois de Mkhitaryan aparecer para dar o passe final, fez aquilo que podemos nos acostumar. Uma chance, bola no barbante. Não foi uma performance vistosa e ativa com bola por parte do nosso 9, mas é exatamente isso que faltava desde a saída de Van Persie; ter um cara pronto para cansar defesas com corridas nos ombros das mesmas, oferecendo alternativas agudas para quem vem de trás. Ibrahimovic não faz falta, ainda mais se considerarmos que o sueco geralmente dava lentidão ao ataque com seus recuos desnecessários.



Com as duas registradas hoje, Mkhitaryan chegou ao número de 4 assistências no campeonato. Uma a mais do que em toda a temporada passada. E o United já tem 15% dos gols marcados em 16/17.



A grande notícia pode ser observada nos últimos 10 minutos: chegamos à meta adversária com uma naturalidade impressionante. Pogba foi o coração dos dois lances que transformaram o triunfo em goleada, no primeiro finalizando com classe e depois assistindo Martial. O garoto novamente entrou bem e, somando a sequência de entradas produtivas ao jogo errôneo de Rashford, podemos esperar a titularidade em breve. Enfim, em 2016/17 certamente essa partida terminaria em um empate frustrante. Mas falamos de um United remodelado. É o "novo velho" clube que mostra, sem dó, que pode ferir de várias formas qualquer tipo de rival.