United 4-0 West Ham: uma performance perfeita de Lukaku e companhia

Temos ótimos jogadores. Em alguns cenários, eles podem decepcionar e causar a impressão de que não estão preparados para o alto nível da Premier League. O que acontece, porém, é tudo consequência do funcionamento coletivo. Em 2016/17, sem tantas variáveis de jogo, o peso caia demais nas costas de um ou dois e o resultado frustrava. Agora, chegaram os reforços funcionais e os mesmos vão dando a impressão de completarem o quebra-cabeça red devil. Funções bem definidas para Matic e Lukaku, provavelmente os melhores em campo, e um brilho visível saindo dos pés de Pogba, Rashford e companhia. Esses ingredientes culminaram na performance mais convincente que tivemos em um bom tempo. O triunfo pra cima do West Ham explica bastante coisa. E animam.


ESPN.com.br | United não deixa West Ham respirar e goleia com dois gols de Lukaku


Em relação ao jogo da terça-feira, Mourinho fez cinco mudanças na escalação. Smalling, Darmian e Lindelof perderam a vaga para Bailly, Blind e Jones - um upgrade nos dois primeiros e uma queda no terceiro, mesmo que o zagueiro ex-Benfica não esteja agradando tanto. A intenção deve ser prepará-lo aos poucos para assumir a bronca ao lado do marfinense. Herrera, após uma partida bem decepcionante na Macedônia, esquentou o banco também; o conterrâneo Mata entrou no seu lugar e assumiu a armação, alterando o esquema para um 4-2-3-1. Para alívio da maioria, Rashford pegou o posto de Lingard e deu apoio a Lukaku lá na frente.



Desde o apito inicial conseguimos perceber uma prática que a comissão técnica vem, aos poucos, implementando no time: a pressão (relativamente) alta. Nosso treinador sempre foi conhecido pelo estilo reativo, os blocos fixados no campo de defesa e a agressividade na marcação começando só quando o adversário entrasse em alguma zona pré definida. Em Manchester, até pela filosofia do clube, isso mudou de algumas formas. Não chegamos a aplicar um counterpressing extremo à la Klopp ou Guardiola, mas as peças avançam mais sem a bola e são ativas nos desarmes. Ou só obrigando um chutão/decisão precipitada.


Apesar da péssima preseason e perspectivas não tão empolgantes, Blind teve um ótimo rendimento. Qualidade a gente sabe que ele tem, mas muitas vezes se mostra em outra sintonia para com os companheiros e oponentes. Hoje, estava ligado em todas as situações e foi importante na defesa e no ataque. Quando os visitantes conseguiam romper nossa primeira onda de pressão, os laterais eram responsáveis pela proatividade. Valencia foi menos exigido e o holandês teve eficiência nesse aspecto. Na criação, depois de um puxão de orelha de Jose aos 5 minutos, foi participativo na conexão com os atacantes e até arriscou chutar.


Getty Images
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O desempenho de Matic é digno de aplausos por todos os aspectos possíveis


O que, previsivelmente, não foi uma boa escolha. Esse era o problema visível do conjunto. Controlar, ameaçar e se movimentar foram práticas bem desempenhadas por todos, mas a tomada de decisão deixava a desejar. Na hora H, era um passe a mais que estragava a jogada, uma finalização em local inapropriado ou lançamentos forçados. No primeiro período, o timing no último terço era frustrante - isso confirma a ideia de que precisamos de uma sequência de partidas convincentes para retomarmos aquela confiança que marca todos os campeões. Felizmente, temos um atacante disposto a melhorar esse cenário. E um meia completo que chegou para marcar presença.



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Matic já nos dava ótimos argumentos sem nem estrear na liga - e agora temos a certeza da evolução que trouxe do Stamford Bridge. O buraco deixado lá (vejam Chelsea x Burnley) foi o mesmo preenchido aqui: um cara capaz de dar imponência para a espinha dorsal, sendo sólido nos dois lados da bola. Em uma de suas ações agressivas, desarmou Fernandes e possibilitou o contragolpe que culminou em lindo passe de Marcus e perfeita finalização de Romelu. Uma chance nos pés do camisa 9, bang. Lacazette, Morata, Aguero e Firmino balançaram as redes nessa primeira rodada e mostraram que a concorrência é pesada. O nosso tá garantido.



No primeiro gol, Matic é fundamental no início e na conclusão da jogada. Depois de desarmar no campo defensivo, a ultrapassagem pela esquerda atraiu dois marcadores e deu tempo/espaço para Lukaku guardar. Aqui o momento chave para a resolução positiva do ataque. 



O belga é forte pelo alto também. Mkhitaryan, que acordou na etapa final e teve boa atuação, levantou e viu o centroavante ampliar. Na sequência, outro contra-ataque fulminante caiu nos seus pés e o hat-trick parecia certo, mas Ogbonna bloqueou. Rashford, por sua vez, continuou sepultando a carreira de Zabaleta. Toda investida era um desastre anunciado para o lateral ex-City, que nem viu a cor da bola. As ultrapassagens e sobreposições de Blind ajudavam, assim como o link-up play de Mata - aquela conhecida função de flutuar para o setor da posse. O atacante inglês certamente merecia balançar as redes, mas de qualquer forma foi sensacional.


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É seguro dizer que temos atacantes de alto nível para um bom tempo


O último parágrafo fica à parte para um dos jogadores mais talentosos da Inglaterra. Martial, mesmo com a desconfiança inicial do treinador e a mudança considerável de Van Gaal para Mourinho, continua rendendo sempre que entra. Aparentemente o Tottenham ofereceu £25 milhões por seus serviços - uma piada. O francês entrou na ponta esquerda e, em 10 minutos, fez de tudo um pouco. Se movimentando com fluidez, explorou o espaço aberto pelo pivô de Lukaku e apareceu como elemento surpresa para marcar. Pouco depois, deu a assistência para Pogba decretar a goleada. Quatro a zero e a melhor atuação sob o comando português. Hoje, nenhuma razão para nos preocuparmos - e muitas para a empolgação.