City será o grande adversário do United na Premier League 17/18

Não sei se é uma impressão minha ou consenso geral, mas o período de offseason passa a cada ano mais rápido. Se em certas épocas ficávamos angustiados com tanto tempo sem futebol inglês, hoje em dia nem parece que os jogadores tiveram férias. A abundância de torneios de seleção e a glamourização da pré-temporada ajuda, pelo menos nesse sentido. Enfim, vamos para o que interessa. A Premier League, que completa 25 primaveras de existência (recomendo, inclusive, esse texto do Telegraph), está de volta para a nossa felicidade - espero. Façamos algumas previsões para os próximos meses, deixando o clubismo de lado, mas confiando no nosso taco. 


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Depois de três campanhas frustrantes para os clubes da cidade, Manchester voltará a monopolizar a briga pelo título. Vejamos a situação dos concorrentes. A curto prazo, duas das três contratações significativas feitas pelo Chelsea consistem em downgrades; Bakayoko e Morata, apesar de serem bons valores para o futuro, não farão mais que Matic e Diego Costa nesse momento. Ao lado de Kanté, o ex-Monaco formará uma dupla combativa e onipresente, mas pouco criativa. Moses e Alonso continuam como os alas titulares e não passam de sucessos sistemáticos, propensos a uma volta a realidade que já começou a aparecer na reta final de 16/17. O peso estará, novamente, nas costas de Hazard - que está lesionado e só deve pegar ritmo em outubro.



Os times do norte londrino vivem momentos distintos se analisarmos o desempenho de cada um nesse século, mas contam com circunstâncias que podem inverter a balança. O Tottenham vem em uma crescente sob o comando de Mauricio Pochettino e deve brigar pelo top four, esbarrando em um aspecto importante: a mudança de casa. Enquanto um novo estádio é construído nos arredores do agora inexistente White Hart Lane, o icônico Wembley será utilizado e, se considerarmos o exemplo do West Ham no Olímpico de Londres, a adaptação não será tão amigável. Lembrando que os Spurs jogaram lá na última Champions League e foram eliminados na fase de grupos. Sem reforços anunciados, nem o entrosamento e a estrela de Harry Kane serão capazes de sustentar um title challenge.


O Arsenal, por sua vez, teve fatores positivos que surgiram longe dos holofotes e isso pode contribuir. Sem aquela expectativa (pressão) contraprodutiva que conhecemos, os gunners apontam para um campeonato melhor que os recentes. A troca para o 3-4-3 vem se provando muito proveitosa e potencializa peças importantes; Kolasinac é um wingback de qualidade, Xhaka passou a corresponder como box-to-box e o setor ofensivo - Ozil, Sanchez e Lacazette - é garantia de produtividade. Só não coloco no mesmo patamar que red devils e citizens pela instabilidade que Arsene Wenger consegue criar no meio do nada. E ainda precisam de um meia para evitar a dependência nos injury prones Ramsey e Cazorla.



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Em Merseyside, o Liverpool viu seu rival Everton se reforçar com mais peso - e grana -, mas conta com adições interessantes no XI inicial. Para resumir a movimentação dos scousers nessa janela, dá para se dizer que o lado esquerdo do campo passou por uma reformulação. Robertson, ex-Hull, é um dos laterais mais promissores do país e deve oferecer o que Milner não consegue e Moreno faz com falhas: dar uma opção de profundidade para abrir espaços centrais e acabar com a unidimensionalidade. Salah pode atuar em qualquer função da linha de ataque, mas deve ser originalmente posicionado para dar poder de fogo àquele flanco. Se Coutinho ficar, soma-se esses argumentos à potência de Firmino/Mané e os homens de frente em si devem garantir o alto rendimento. Caso Van Dijk desembarque no Anfield, aposto neles para a terceira colocação.



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Porque os dois primeiros parecem bem visíveis para mim. Analisando friamente, o City tem inúmeros motivos para ser considerado o favorito. Mesmo que a campanha de estreia tenha apresentado percalços difíceis de serem combatidos, Guardiola continua sendo um treinador diferenciado e capaz de montar um conjunto harmônico. Passando um filtro (de dinheiro) no plantel, o espanhol pode se contentar com as alterações promovidas; Sagna, Zabaleta, Clichy, Kolarov, Navas, Nolito e outros pesos mortos fizeram as malas e deram espaço para uma injeção extrema de qualidade. Walker, Danilo e Mendy são ótimas aquisições e dão alternativas variadas para o aproveitamento dos corredores e frequentes trocas de formação que nos acostumamos a ver. Ainda mais considerando o escasso mercado de laterais.



Palpites: United, City, Liverpool, Arsenal, Chelsea e Tottenham. Rebaixados: Huddersfield, Brighton, Burnley. Artilheiro: Sergio Aguero. Melhor jogador: Paul Pogba.



Éderson chegou para assumir as luvas e dar a excelência com a bola nos pés que Pep sempre desejou. Isso ainda é uma incógnita e o rendimento pode muito bem ser semelhante aos altos e baixos de Claudio Bravo, é claro, mas nos amistosos tivemos um exemplo de seu potencial. As posições avançadas, mesmo com as dispensas, já eram abastadas e Bernardo Silva parece um atleta que irá se adaptar com rapidez. Ele é uma mescla de ponta com armador, Sterling e Sané dão velocidade, Aguero e Jesus são sinônimos de bola na rede e De Bruyne pode ser visto como o principal jogador. David Silva é o maestro. Em tese, falta um regista para controlar as coisas como Busquets e Xabi Alonso fizeram em Barcelona e Munique. E a zaga tem um ar de 'hit or miss' nos próximos meses, com Kompany limitado fisicamente e Otamendi/Stones apresentando algumas incertezas.



De qualquer modo, vejo o lado azul de Manchester bem preparado para dominar o top flight do seu jeito. Mourinho, por sua vez, traz uma curiosidade que pode nos animar bastante: desde sua passagem marcante pelo Porto, entre 2002 e 2004, o gajo conquistou a liga nacional em todas as suas segundas temporadas. Foi assim no Chelsea, Internazionale, Real Madrid e na outra passagem por Stamford Bridge. Seus times costumam amadurecer dentro da filosofia única que conhecemos na tentativa número dois, sempre complementando os pontos positivos da campanha anterior. Em sua chegada, trouxe game-changers: Bailly, Pogba, Mkhitaryan, Ibrahimovic. Agora, busca os ingredientes para promover o funcionalismo do coletivo: Lindelof, Matic, Lukaku - possivelmente Perisic. Temos as peças para, de alguma forma, voltarmos ao topo. A disputa eu considero garantida.


E pra você, deixando o clubismo de lado, quem fará sucesso e quem irá fracassar na 25ª edição da Premier League?