Real Madrid 2-1 United: um sistema quebrado por Isco

Muitos tratam a Supercopa da Europa como um amistoso, outros consideram um teste competitivo antes da temporada 'de verdade' começar, mas o fato é que se trata de um título reconhecido. Não pela campanha, até porque a nossa foi a conquista da competição secundária do continente - enquanto nossos adversários levaram a UCL, maior que tudo isso junto. De qualquer forma, essa terça-feira foi o dia em que percebemos claramente o trabalho que vamos precisar para alcançarmos um nível próximo do Real Madrid. A inferioridade técnica - e de entrosamento - falou mais alto e não podemos se desesperar. Nossa caminhada de volta ao topo será de forma orgânica, avançando aos poucos e dando maturidade para essa equipe que está em montagem.


ESPN.com.br | Casemiro marca em outra decisão, Real bate o United e vence a Supercopa


A Phillip II Arena, na Macedônia, foi invadida em sua maioria pela torcida inglesa e o time começou disposo a retribuir o apoio. Como era esperado, a escalação trouxe o duvidoso trio Smalling, Lindelof e Darmian entre Valencia e Lingard, estes atuando como alas. Bailly e Jones estão suspensos, então não temos como contestar as escolhas para a zaga. O trio Matic-Herrera-Pogba teve sua primeira apresentação e Mkhitaryan foi a válvula de escape, futuando atrás de Lukaku. Fica a menção para a ausência de Andreas Pereira do banco de reservas. Provavelmente o garoto só começará a ter chances na liga nacional.


Getty Images
Getty Images

Em um confronto de altos e baixos, Matic foi ótimo durante os 90 minutos - com e sem a bola nos pés


Como aconteceram algumas vezes sob o comando de Mourinho, o principal papel dos wingbacks nesse cenário - em um 3-5-2 e diante de uma equipe superior - é cuidar das subidas dos laterais. Com Carvajal de um lado e Marcelo de outro, a preocupação se justifica. O peso, porém, subiu nas costas de Pogba - que precisou trabalhar bastante para não deixar nossos atacantes isolados. Assim como fez na final da UEL frente ao Ajax, se conseguem lembrar. Tudo isso indica um padrão sendo desenvolvido para abordarmos confrontos europeus com certo equilíbrio. Ponto positivo. O problema é que, na prática, a estratégia foi superada.


Deu pra perceber desde o primeiro minuto que a bola longa seria utilizada, principalmente nas costas dos atletas de lado do Madrid. O estilo de jogo 'chato' de Romelu se encaixa bem para aproveitar o máximo de qualquer instabilidade na defesa. E sua força como referência vai se provando uma arma interessante para a dinâmica ofensiva. Mkhi, posicionado como um shadow striker, ia tirando proveito disso e dominando as sobras por ali com duas opções: infiltrar verticalmente ou procurar as sobreposições nas pontas. Como Antonio e Jesse não estavam avançando tanto, o jogo ficou mais central.



E pudemos ver exemplos dos contra-ataques que praticamos na preseason. Transição veloz, Labile no centro de tudo e as peças de frente em movimentos coordenados. Um tentava atrair a defesa e outro identificava espaços livres a serem explorados. No outro lado da moeda, os merengues começaram a ameaçar quando Bale inverteu com Benzema e cedeu liberdade para Isco articular. Se Modric e Kroos não apareciam tanto ofensivamente, o espanhol se posicionou entre as linhas e quebrou totalmente nossa estrutura. E o gol veio em outra distorção do sistema, quando Carvajal saiu dos flancos e passou para Casemiro marcar.


Os oponentes, ali, davam algumas lições de como mover um conjunto relativamente estático. Nossos pilares foram atraídos pelas constantes trocas de posição e, consequentemente, o panorama pesou a favor dos mais qualificados. A disparidade técnica apareceu e o confronto se tornou aquilo que representa: o campeão espanhol contra o sexto colocado da Inglaterra. Mudamos de formação - para o 4-3-3 -, avançamos as linhas, de perfil dos jogadores (Rashford no lugar de Lingard, Fellaini por Herrera), mas nada adiantou. A movimentação das estrelas que enfrentamos acabou sendo demais. Isco continuou brincando com o esférico e ampliou o placar após tabela simples com Bale.


Getty Images
Getty Images

Mesmo com uma estrutura sólida de Mourinho, a técnica falou mais alto. E isco soube tirar proveito de todos os espaços


E, mesmo que o gol de Lukaku tenha dado alguma esperança, o cenário não mudou do jeito que desejamos. O que fica é o conformismo com a distância que estamos da elite, mas a frustração pelas chances perdidas. O próprio belga jogado fora uma oportunidade praticamente sem goleiro e, em outro momento, mostrando falta de consciência ao tocar a bola em impedimento quando Ander saia na cara de Navas. Rashford também perdeu o duelo com o costa-riquenho. Pogba foi egoísta por finalizar em uma situação de 3v2 ainda na etapa inicial e, portanto, a atuação não foi de todo ruim.



Curta o Old Trafford Brasil no Facebook



 Com decisões mais inteligentes e a confiança elevada, podemos competir. Mas ainda há muito trabalho a se fazer. Não adianta montar um esquema bem fechado se a simples movimentação de um oponente quebra tudo. Isco foi quem se aproveitou das falhas no sistema e precisamos tomar cuidado daqui pra frente. Pra você, o que o United poderia ter feito de diferente nessa final?