Matic chega ao United para elevar o nível do time - e de Pogba

Há pouco mais de um mês, o United parecia bem dividido entre dois alvos para o meio de campo: Fabinho e Matic. O brasileiro chegou a expressar abertamente sua vontade de jogar em Old Trafford, mas, semana após semana, as coisas foram mudando. Passamos a perceber que Mourinho realmente tem preferência por jogadores de certa bagagem no cenário envolvendo o time. Nesse caso - assim como foi com Romelu Lukaku -, o conhecimento da Premier League falou alto. Na manhã desta segunda-feira (31), foi anunciada oficialmente a contratação do sérvio junto ao Chelsea; o valor gira em torno de 40 milhões de libras.


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Como vocês viram aqui no blog, minha análise (e gosto pessoal) não bateu exatamente com a do nosso treinador. De qualquer forma, o negócio continua sendo bom e provavelmente nos dará um upgrade na espinha dorsal da equipe. Quando mencionei a inclinação pelo atleta do Monaco, pensei dentro de uma estrutura específica. Um conjunto mais solto, novas peças para infiltrar as linhas adversárias mesmo desde posições recuadas e certa renovação na idade média do plantel. Esse que, por outro lado, realmente carece de um meia defensivo capaz de proteger a defesa.


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Matic chega para formar um trio central muito balanceado; dará a imponência para complementar a energia de Herrera e a habilidade de Pogba


A contenção do nosso sistema teve sucesso na última temporada, mas na reta final começamos a sofrer com alguns efeitos negativos. Fadiga, falta de opção para a rotação e uma previsibilidade notável. Carrick já não tem aquelas pernas de antigamente, Fellaini é Fellaini e os únicos que realmente confiamos são Herrera e Pogba. O problema é que nenhum tem a marcação como uma das especialidades, fazendo com que um dia ruim no plano coletivo causasse certa apatia no desempenho por ali.


E tem um ponto chave nessa questão toda, mesmo que não se admita tanto pela comissão técnica: precisamos dar liberdade (quase) total para Labile. É um talento extraordinário e não podemos limitá-lo a lançamentos longos, domínio na faixa central e só. Seria um desperdício enorme manter por outras campanhas essa organização falha naquela faixa do campo, considerando que o francês muitas vezes ficou entre a explosão e a contenção - travado. Foi bem nesse papel acuado, é bem verdade, mas deixou visível o potencial de elite que tem quando avança com frequência contra a defesa adversária.



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Imagina-se, então, um 4-3-3 com Matic na base do triângulo e Ander-Paul menos sobrecarregados à frente. O espanhol naquele papel de meia energético, pressionando quando necessário e marcando disciplinadamente em outros momentos. Não muda tanta coisa na tarefa em si, mas teria um respiro para descansar e, principalmente, se posicionar de forma que o time não recue. Pogba finalmente teria a licença para ser o motor da equipe, já que por enquanto é apenas o coração. Se tudo passa pelos por ele mas logo sai, agora tudo chegará e terá a condução dos seus pés. Esperem jogadas individuais, finalizações constantes e um impacto maior na artilharia.


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Pogba já foi nosso principal jogador em uma posição recuada e as expectativas, daqui pra frente, só tendem a crescer


Os motivos no ponto de vista coletivo parecem bem justificados e com certeza animam. Falemos do jogador em si, então; trago alguns trechos do resumo que fiz em um post do mês passado. "Sabemos do que o sérvio é capaz; mobilidade defensiva, roubo de bola preciso e uma imponência notável como o meia defensivo. Em seus melhores momentos (mais especificamente, 14/15), foi um monstro na contenção e liberava todos aqueles contra ataques letais dos blues. Isso é inegável e, portanto, entendo completamente a vontade do treinador que o conhece muito bem."


"Ele impressionou por suas atuações no Benfica e quando desembarcou em Londres, mas depois de levantar a Premier League como titular foi decaindo. Não que suas contribuições esporádicas fossem fracas - longe disso -, mas a falta de sequência prejudicou sua evolução. Na campanha vitoriosa foram 4.148 minutos jogados, e depois 2.993 e 3.147, respectivamente. Nesse processo, foi de "melhor meia da Premier League" para um atleta de rotação de Antonio Conte. E já tem seus 28 anos, sinalizando certa naturalidade na queda de desempenho - ainda mais se levarmos em conta que muito do seu estilo girava em torno de ações físicas”. Por outro lado, o pessoal do Old Trafford Brasil apontou algumas questões importantes - e mais animadoras - sobre essa temporada.



A conclusão gira em torno do que pretendemos para o United: investimentos mais sustentáveis e promissores ou o tiro certo de um ou dois anos. Para a posição, preferia outra escolha, mas há espaço para os dois tipos. Teremos a Champions League pela frente e a contribuição de um volante dominante não pode ser subestimada, além de que nossa principal estrela ganha mais uma ajuda para explodir. O Chelsea queria vendê-lo para a Juventus, mas Matic forçou a vinda para o lado vermelho de Manchester. Vontade, qualidade e a compreensão da filosofia de Mourinho são aspectos garantidos. Que nosso novo camisa 31 consiga dar a sustância que precisamos no meio campo.


E que agora tragam um ponta criativo. Pra você, qual é a posição que o United ainda precisa reforçar nessa janela?