Martial é o talento que o United procura para 17/18

Bola lançada na ponta esquerda, poucos companheiros bem posicionados para tabelar e 3 adversários prontos para o desarme - fora outros três concentrados próximos ao goleiro. Martial domina, passa por esse primeiro bloco formado por ninguém menos que Carvajal, Lucas Vasquez e Modric como se fossem cones de treinamento e deixa Lingard na boa pra balançar as redes. Essa foi a jogada do primeiro gol diante do Real Madrid, em amistoso no domingo. Por ser uma partida de teste e sem grande importância, o impacto é pequeno; mas serviu pra relembrar a todos do potencial que temos em nossas mãos.


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O francês é, acima de tudo, uma das poucas peças diferenciadas do elenco. Contamos com jogadores muito bem capacitados em suas funções - De Gea, Bailly e Herrera, por exemplo -, mas é difícil encontrarmos aquele talento que salta os olhos. Pogba é o primeiro a vir na cabeça e depois fica complicado. Junta-se essa escassez de habilidade com a conhecida filosofia 'burocrática' de Mourinho e o cenário, ao menos nessa questão específica, não é dos mais animadores. E isso não é apenas uma opinião por gostos pessoais, já que ficou visível dentro de campo na última temporada.



Foram inúmeros os jogos desenhados da mesma maneira. Atuação sólida nas primeiras fases, começando pela defesa e passando pelo meio, mas certa quebra no setor ofensivo. Lingard mostrou seu valor na movimentação entre as linhas (por mais que muitos ainda o critiquem, o apreço dos treinadores é prova de uma determinada capacidade), Mkhitaryan serve prioritariamente para a transição e Mata não tem poder de drible. Rashford era o único com a mínima disposição para tirar oponentes do lance, muito pelo 'baixo centro de gravidade' do seu corpo e a aceleração elevada. Ibrahimovic dava uma lentidão e Lukaku, nesse aspecto, não deve colaborar tanto também.


Tony M, por sua vez, foi encostado pro banco de reservas mesmo tendo um repertório que cairia como uma luva nessa estrutura. Surgiram críticas sobre a atitude, aquela clássica análise rasa e totalmente contraprodutiva e alguns apontaram a falta de vontade do atleta. Tem um fundo de verdade, é claro - o estilo do ponta/atacante é desleixado, digamos assim. Atua - e treina - com uma linguagem corporal que pode facilmente passar a impressão de displicência. Ao mesmo tempo, porém, quando a fase é boa e as ações com a bola geram frutos com frequência, é exatamente essa postura que é reverenciada por torcida e imprensa.



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Ombros baixos, um jeito de correr que parece uma espécie de câmera lenta e expressão facial mínima; lembra um pouco os traços que caracterizam Mesut Ozil, outro alvo de julgamentos nesses moldes. Resumindo: se joga bem, é porque demonstra calma entre as quatro linhas e supera adversários com o olhar. Se joga mal, troquem as palavras: é porque demonstra preguiça entre as quatro linhas e é superado pelos adversários no olhar, enquanto ainda raciocina o que fazer. É um padrão de opinião que foi visto semana após semana em 2016/17, ignorando diversos fatores mais importantes e o próprio histórico do rapaz.


Getty Images
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Com confiança, é visível a bagunça que Martial pode causar nos adversários


Martial foi nosso melhor jogador (de linha) em 2015/16, ainda tem 21 anos e participou de 15 gols na campanha em que esteve praticamente encostado. São 61 gols+assistências - sem contar pênaltis - desde o início da carreira e a capacidade de criar jogadas individuais no meio do nada, seja pelos flancos ou centralizado. Não pode ser vendido, envolvido em qualquer negociação e nem entrar esporadicamente como estava acontecendo. Tem que ser um nome frequente entre os titulares ou algo próximo de um '12º jogador’'. Desperdício de talento não pode ser aceito tão facilmente em um clube que tanto carece.