Lukaku tem tudo para ser a referência do ataque United por muitos anos

Foi só falar na inércia do clube dentro da janela de transferências que o United resolveu acordar. Em um anúncio que surgiu sem novela alguma, Romelu Lukaku se tornou o segundo reforço do United para 2017/18. Ed Woodward e companhia fecharam um acordo de £75 milhões pelos direitos do jogador ex-Everton, com algumas cláusulas e bônus adicionais. E vocês já devem estar acostumados com a opinião aqui no blog - dinheiro não vai ser problema, então prefiro não questionar. Se a peça vem pra somar de forma considerável, ignoro completamente o cifrão. Estamos em um mercado - e uma posição financeira - que nos permitem tal forma de pensamento.


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O que vale discutir, portanto, é o possível retorno dentro de campo. Apesar de ser relativamente novo (24), o belga está bem estabilizado na Premier League há algum tempo e sua produtividade nunca foi contestada. Ele apareceu com destaque pela primeira vez em 2012/13, aquela campanha que nos deixa saudades. Sendo a referência do West Bromwich de Steve Clarke, anotou 17 gols em 35 partidas - incluindo 3 naquela épica despedida de Sir Alex Ferguson - e despertou o interesse dos toffees. Se transferiu por empréstimo para o lado azul de Liverpool em 2013 e, de lá pra cá, evoluiu consideravelmente.


Getty Images
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Com vocês, nossa referência no meio e nossa referência no ataque para as próximas temporadas


No Goodison Park, foi transformado em uma espécie de atacante completo (teve boas performances partindo da direita) por Roberto Martinez e aumentou seus números a cada temporada. Foram 16, 20, 25 e 26 vezes balançando a rede desde 2013/14, com um adendo super importante: pouquíssimos foram de pênalti. Costumamos ver vários centroavantes desse "segundo escalão" do futebol impressionando nas estatísticas superficiais, mas enganando por registrarem uma boa porcentagem do total na marca da cal. Excluindo esse tipo de gol, chegamos a conta de 79 desde 2012; isso representa mais que Sanchez, Lacazette, Icardi e Kane, para termos alguns parâmetros. Pouca coisa?


Tão crucial quanto essa produção constante é o fato de que Romelu é um atleta moldado para o Campeonato Inglês. Não no sentido de ser o estereotipado target man que acaba com a vida de "zagueiros frágeis". Seria uma definição muito rasa. Falamos de um jogador capaz de reproduzir um alto padrão de performances com consistência. Diante de adversários fracos com seus doubles/hattricks ou frente a oponentes do G6. Esse e esse tweet demonstram em dados o que estou falando. É um atacante "sem tempo ruim", digamos assim. E se no começo da carreira existia certa preocupação com seu all-round game, cada vez mais as incertezas diminuem.



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Sua capacidade técnica e inteligência é menor que a de Álvaro Morata, por exemplo, mas o repertório se expandiu com Ronald Koeman. A maximização dos pontos fortes é destacável, enquanto aquilo que ele não domina fica de lado durante as partidas - a única coisa que chama a atenção negativa é seu falho first touch, alvo de perseguição na internet. Tem que melhorar, mas sua contribuição apaga a maioria das críticas. Em 2016/17, foi líder no quesito gols+assistências (tirando pênaltis): 30 no total; Alexis teve 26, Diego Costa 22 e Ibrahimovic 20.



Lembrando que tudo isso se aplica a uma trajetória construída no West Bromwich e no Everton. É praticamente impossível imaginar que o resultado em Old Trafford não seja satisfatório. Pra finalizar, é bom dizer que Pogba foi um dos responsáveis por convencê-lo a vestir nossa camisa. Os dois são amigos próximos e estão, inclusive, passando parte das férias juntos. Na noite desta quinta-feira, o francês publicou no Instagram fotos de treinamentos ao lado do novo reforço - e fez um anúncio indireto com esse vídeo. Ganha um companheiro de equipe que já tem harmonia e uma sede visível por deixar sua marca em Manchester. O processo parece natural, de time pequeno, passando pelo médio e alcançando o gigante. Lukaku tem o que é preciso para ser a referência do United nas próximas temporadas.