United deve contratar Fabinho ou Matic?

Depois de algumas especulações bem fortes nas primeiras semanas, todos os negócios deram uma esfriada - e, consequentemente, o ânimo do torcedor também caiu. Confesso que estou levando bastante tempo para acreditar e levar a sério a ponto de analisar um rumor, dado que a saturação da janela de transferências é bem verdadeira. Ainda mais com o United, que por vários motivos já foi linkado com mais de 70 jogadores. De qualquer forma, uma notícia ou outra parece ter um fundo de sustentação. É o caso da nossa lacuna no meio de campo: Fabinho ou Matic?


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Começamos pelo brasileiro, que é namorado pelo clube desde o ano passado e mostra uma clara (e eventual) reciprocidade no interesse. De férias pelo país, ele participou de um programa do Esporte Interativo e foi perguntado se "assim como pode acontecer com Morata", aceitaria trabalhar de novo com Mourinho. "É um convite tentador. Primeiro conversaria com meu empresário e com o Monaco também pra decidir tudo certinho. Mas é uma grande equipe e eu com certeza pensaria bem", respondeu com um ânimo visível no rosto.



E sim, você leu certo: apesar de ter surgido para os holofotes na última temporada, o atleta já foi treinado por José. Enquanto defendia o Real Madrid Castilla, nosso chefe comandava o time principal dos merengues e convocou o meia para uma rápida aparição em 2013. Entrou por 14 minutos diante do Málaga e conseguiu dar uma assistência para Angel Di Maria fechar o placar de 6 a 2. Poucos meses depois, assinou contrato de empréstimo com os franceses e começou a crescer exponencialmente.


No principado, teve uma boa participação já em 13/14, mas se tornou titular nas três campanhas posteriores. Foi lateral direito (sua posição de origem) na maioria das partidas em 14/15 e 15/16, só que explorava mais o seu potencial no centro do gramado. Isso ficou claro em 16/17, quando atuou 49 vezes por lá e apenas uma como um defensor. Se tornou em uma peça chave para o brilhante conjunto de Leonardo Jardim, que usou de seu estilo completo para conquistar a Ligue 1 - desbancando o PSG - e alcançar as semis da Champions League.


Terminou com dez gols e quatro assistências (para termos um parâmetro estatístico, Pogba teve 12/5), mas sua real importância não está no retorno em números. Sistematicamente, se trata de uma peça com a capacidade de defender a frente da zaga com solidez e, com a bola, lança ataques de forma consciente. Por mais que seja o "volante", sabe o que fazer na posse e tem no lançamento um de seus pontos fortes. Desarma bastante e de um modo mais limpo, sem tanta agressividade - o quão bom esse fator é fica a critério de vocês.


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Ao lado de Bakayoko, Fabinho formou a espinha dorsal do Monaco em 16/17


Particularmente, prefiro assim, até porque estamos buscando um substituto para ninguém menos que Michael Carrick e os estilos se correspondem. Na fase inicial do jogo, é claro, considerando que Fabinho tem um repertório ofensivo superior e conta com um tanque cheio de energia. Consistência garantida. O que não é o caso do nosso segundo alvo para a função: Nemanja Matic. O jogador do Chelsea estaria disposto a se juntar novamente a Mou e o preço seria de £40 milhões. Vale? Se vier, não contesto.


O negócio, entretanto, vai além de detalhes pequenos - e valor/disponibilidade não estão na lista de preocupações primárias da agremiação mais rica do planeta. Em campo, sabemos do que o sérvio é capaz; mobilidade defensiva, roubo de bola preciso e uma imponência notável como o meia defensivo. Em seus melhores momentos (mais especificamente, 14/15), foi um monstro na contenção e liberava todos aqueles contra ataques letais dos blues. Isso é inegável e, portanto, entendemos completamente a possível vontade do treinador.


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Se no seu primeiro título Matic foi fundamental, no mais recente a contribuição foi bem menor


Por outro lado, a forma recente preocupa um pouco. Enquanto Fabinho, aos 23, vive em uma ascensão considerável e vai complementando seu jogo a cada temporada, Matic fez o caminho inverso. Impressionou por suas atuações no Benfica e quando desembarcou em Londres, mas depois de levantar a Premier League como titular foi decaindo. Não que suas contribuições esporádicas fossem fracas - longe disso -, mas a falta de sequência prejudicou sua evolução.



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Na campanha vitoriosa foram 4.148 minutos jogados, e depois 2.993 e 3.147, respectivamente. Nesse processo, foi de "melhor meia da Premier League" para um atleta de rotação de Antonio Conte. E já tem seus 28 anos, sinalizando certa naturalidade na queda de desempenho - ainda mais se levarmos em conta que muito do seu estilo girava em torno de ações físicas. O brasileiro, portanto, se mostra a melhor opção considerando presente e futuro. Que José abra os olhos para isso e faça a escolha mais sustentável - e promissora.