Até onde o United pode ir para ter Cristiano Ronaldo de volta?

Enquanto alguns jornais falam de Dier, Perisic e outros jogadores que pouco animam o torcedor, no feriado surgiu uma notícia gigantesca: Cristiano Ronaldo estaria interessado em deixar o Real Madrid. O português recentemente se envolveu em problemas com a justiça fiscal da Espanha, foi acusado de sonegar 15 milhões de euros entre 2011 e 2014 e gostaria de deixar o país. Faz sentido por tais motivos, mas não podemos ignorar o (até provável) fato de que ele pode estar forçando um apoio maior do seu clube atual em todo esse caso.


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Ou somente provocando uma oferta de salário mais exorbitante ainda. Fomos usados nesse jogo de rumores com o mesmo, em 2013, e com Sergio Ramos, em 2016. Seu último contrato foi assinado em novembro de 2016, é válido até 2021 e garante £365 mil por semana - tirando impostos, já que os merengues gastam £500 mil. Foi o esportista mais bem pago do planeta pelo segundo ano seguido, de acordo com a tradicional lista da Forbes: £72 milhões apenas na folha de pagamento, bônus variados e acordos de patrocínio. Tirando da equação o projeto CR7 Hotel, construído em quatro cidades. 


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Cristiano viveu a melhor reta final de temporada em Madrid, mas estaria descontente e disposto a forçar uma saída


Não é surpresa pra ninguém que o atleta é uma máquina de gerar, movimentar e receber dinheiro. Só não sabemos ainda se de escondê-lo também. A realidade é que sua cláusula de rescisão de £874 milhões (um bilhão em euros, você leu certo) faz com que uma transação se torne extremamente complicada. Basicamente, um negócio só existiria se Cristiano estiver muito disposto a fazer as malas e Jorge Mendes - aquele mesmo, amigo e agente de Mourinho - conseguir convencer a direção do Real a deixá-lo sair por um preço realista. Florentino Pérez é um cartola conhecido por dificultar transferências que não o agradam e a novela seria enorme.

Considerando o valor apenas simbólico dessa release clause, a agremiação teria definido £131 milhões como uma quantia aceitável para a venda. Os dados são reportados pelo Telegraph, que cita o Paris Saint-Germain e o United como os dois maiores interessados - e alvos - do jogador. É uma estrada de duas vias: são talvez os únicos capazes de oferecerem tanta grana e aqueles que o gajo vê com bons olhos. Enquanto a França lhe dá certa motivação, não existem dúvidas de que Manchester seria a prioridade. Por mais que isso consista em um downgrade em nível prático para o profissional, é fácil entender suas razões.


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A Premier League é vista como prioridade pelo português - e só existe um clube inglês que ele vestiria a camisa


Ronaldo despontou para o mundo do futebol em Old Trafford, chegando na sombra de Kleberson em 2003 e se transformando em um ícone incontestável. Faltam 136 gols para assumir o posto de maior artilheiro da história dos red devils e a sensação é que ele possa pensar em 'planos inacabados' por aqui. Todos sabem da ambição que carrega em sua trajetória e não é difícil imaginar um cenário desses agradando o jogador. Narrativa garantida, retorno financeiro, o amor da torcida e novos desafios em um ambiente que ele poderia ter feito mais.



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Desde que saiu em 2009, CR deixou uma lacuna considerável em termos de impacto dentro e fora do campo. A icônica camisa 7 não encontrou seu dono e justamente o mais famoso poderia voltar para reassumi-la. Nos elevaria de patamar, mas diminuiria as chances dele em obter sucesso contínuo. No Bernabéu o time funciona voltado aos seus serviços na área, proporcionando a melhor plataforma possível para que os números se multipliquem e os títulos também. Aqui, teria uma equipe em construção e ainda inconsistente dentro de vários sentidos. Por isso a incógnita sobre o quanto é verdadeira a ideia de que ele deseja voltar: em termos unicamente futebolísticos, não seria uma mudança positiva.


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A torcida sempre foi compreensível com sua saída para Madrid e totalmente receptiva com Ronaldo, mantendo a relação positiva


Mas o peso da transação pode ser grande o suficiente para que, aliada ao fator emocional, o sonho se torne realidade. Por enquanto ficamos na análise do realismo, mas compreendendo que é possível. E no fundo, claro, criando fantasias sobre a contratação que explodiria a Europa. Sobre a relação desgastada com Mourinho, não há nada que o potencial de game changer não resolva. Vencedores se juntam com vencedores e, segundo o Sunday Times, o treinador estaria disposto a trazê-lo e esquecer todos os outros alvos para a posição. Dos empecilhos esse é o menor, podem ter certeza. Só que ainda seguimos no pensamento: não saberemos se o bom filho a casa torna até que o mesmo se posicione. A camisa está reservada.