Sunderland 0-3 United: alívio, mas uma interrogação para Mourinho

Não tinha como ser complicado - e não foi. Diante do pior conjunto da competição, o United cumpriu o esperado e despachou o Sunderland fora de casa. Mais uma vez, fica aquela sensação - corroborada pelos números - que somos melhores longe de Old Trafford. A partir do momento em que processo e resultado estacionam, a pressão dentro dos próprios domínios vira um peso muito forte nas costas. Inadmissível nesse nível do esporte, mas é o que acontece. De qualquer forma, agora estamos a quatro pontos do City, quarto colocado - e um jogo a menos. Só não me empolgo pois, além de tudo, nos compromissos finais pegaremos Arsenal e Tottenham em Londres. Momento de entender a possibilidade sem criar expectativa.


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Se na última rodada a escalação foi uma das piores da temporada, o talento voltou a ganhar espaço nessa manhã. Peças mais técnicas - Pogba, Mkhitaryan, Shaw - retornaram ao XI inicial e desde o começo mostraram que o negócio seria facilitado. Não tivemos dificuldade em controlar e avançar gradativamente, com uma conexão maior entre meio e ataque. Só que a relação da defesa com o resto do time acabou se defasando um pouco, dado a ausência de quem faz essa ponte: Michael Carrick. Quem se responsabilizou por tal função, Herrera, não estava confortável por ali.



O que me leva a pensar em algo que ainda não entendi muito bem; por que Mourinho não confia em Blind para posições centralizadas? O holandês até foi um dos zagueiros nas primeiras partidas, mas logo perdeu espaço e só voltou esporadicamente como lateral esquerdo. De 'regista', foram míseras duas aparições - como substituto, entrando na etapa final para tapar algum buraco. O próprio espanhol muitas vezes se mostra desequilibrado naquela zona e Fellaini nem deve participar da discussão, então se cria uma incógnita.


E é triste concluir, parcialmente, que nosso treinador vê o futebol por lentes não tão empolgantes. Continuando essa linha de raciocínio, são inúmeras as oportunidades em que a técnica foi preterida por atributos intangíveis e dependentes de contexto. Fale em idade, falta de confiança e etc, no fim das contas a verdade é que não podemos reduzir a qualidade da equipe por tanto tempo - e por fatores estranhos assim. Os jogadores funcionais, por responderem de forma mais automática às instruções, são os que o staff tira algo próximo do 100%.



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Que, geralmente, não é nem 60% do que nomes de nível maior poderiam trazer. Por um minuto retire todos os aspectos que não temos tanta informação e embasamento pra falar (dedicação nos treinos, mentalidade, estado físico): que clube ou funcionário, no mundo, consegue tão pouco retorno de atletas habilidosos/produtivos? Martial e Mkhi, para dar somente dois exemplos, certamente seriam armas super afinadas em qualquer adversário da Premier League. Fosse pra continuarmos na base da funcionalidade, Van Gaal provavelmente traria resultados melhores. Dói ler isso, mas é a realidade. Por enquanto, é claro - nada impede que, a partir de 17/18, o panorama cresça nesses pontos duvidosos.


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Shaw jogou nas duas últimas partidas e deve ser titular contra o Anderletch, pela UEL; que ganhe ritmo e assuma a posição


Falando sobre o confronto, seria bastante difícil não ganhar no Stadium of Light. Os comandados de Moyes estão praticamente rebaixados, segurando a lanterna com 10 pontos a menos que o décimo sétimo. Pouco entrosamento, só uma ou outra ameaça e ritmo abaixo do normal no campeonato. Romero trabalhou duas vezes em lances isolados e, fora isso, a disparidade prevaleceu. E dessa vez conseguimos reverter em bola na rede, com aqueles que mais vinham desperdiçando chances: Ibrahimovic, Mkhitaryan e Rashford. O sueco com estilo, recebendo de costas para a trave e tirando um coelho da cartola. Como fez em diversos casos quando precisamos. Que continue decidindo, pois o período mais importante começa agora.


Permanece, amargamente, aquela pergunta: por que Mourinho não consegue tirar o máximo dos principais jogadores? Deixe sua opinião nos comentários!