United desaprendeu a jogar em Old Trafford

É muita incompetência para um clube só. Não há explicação cabível para os inúmeros tropeços dentro de casa em 16/17, vindo da equipe que mais investiu na montagem do elenco. Uma soma de team building esquisito (no meio campo, a espinha dorsal, temos os piores reservas do top-6) e falta de confiança resulta em situações assim. O empate sem gols frente ao West Bromwich representa apenas uma constante em uma campanha irritante, quando deveria ser exceção. Fosse isso, aceitaríamos - o placar em si não é um desastre. Colocando em contexto, a decepção cresce. Com uma vitória do City, ficaremos a 7 pontos da quarta posição. O United tem que se salvar na Liga Europa.


ESPN.com.br | Manchester United sofre em casa e não sai do empate sem gols com West Bromwich


Mourinho não tinha tantas opções pra escalação, então ficou difícil desagradar. O ataque foi o ideal, sinalizando muita movimentação pra quebrar uma defesa dura de Tony Pulis. Um double-pivot de Carrick e Fellaini não inspira tanto, mas era o que tínhamos e o belga vinha de boas atuações. Outro ponto que causaria contestação é a preferência por Young na lateral esquerda, com Blind e Shaw prontos para uma chance. Só que já chegou a hora de aceitarmos que o jovem inglês não terá futuro por aqui, por exemplo. Provavelmente será vendido na próxima janela.



Diante de um 4-5-1 que se tornava 3-6-1, esperava-se uma extrema dificuldade para chegar nas zonas de perigo. A chave, então, era ter paciência e trocar passes curtos até encontrar algum espaço. Essa opção ficou relativamente viável quando se percebeu que, apesar de uma estrutura de marcação zonal, os visitantes acompanhavam nossos jogadores em encaixes individuais. A mobilidade se tornou crucial e, a princípio, dois especialistas nisso estavam em campo: Lingard e Mkhitaryan. O primeiro iniciava oferecendo amplitude na direita, mas esperava a aproximação de Valencia e partia pro centro; a partir daí, o armênio flutuava de sua posição de '10' e causava confusão na defesa.



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Fomos ganhando terreno dessa forma, mas a principal arma - Martial - demorou um pouco pra se desprender. Foi conseguir em um raro contra-ataque que se ofereceu, batendo pra fora. Rashford, substituto direto de Ibrahimovic, também se deu conta disso e começou a cair mais pela esquerda, sendo um corpo extra para os rivais se preocuparem. Só que isso era apenas uma parte da equação. De nada adianta entender o sistema se, com a bola, as ações corretas não são executadas. Faltava um punch decisivo, alguém pra achar uma finalização limpa. Um Zlatan. 


Getty Images
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Rashford foi o melhor em campo, mas sozinho não conseguiu superar a sólida defesa dos Baggies


Mkhi ganhou de presente uma dessas chances, mas foi displicente e parou em Foster - de quebra, foi sacado. José apostou em Rooney, que entrou nos 30 do segundo tempo e até deu uma cara diferente ao setor ofensivo. Não tanto em termos táticos, mas sim como uma ameaça constante, com presença na área. Prendendo a zaga, deu fôlego para os garotos que vinham ao redor. Marcus tentou bastante e quase marcou de falta, mas não era o dia. De novo.



O United desperdiçou 19 pontos como mandante nessa Premier League. Oito dos últimos 12 compromissos no Teatro dos Sonhos terminaram em empate. Mesmo com goleiros adversários inspirados e desfalques frequentes, é inadmíssivel. 



Jogue argumentos atrás de argumentos, é indiscutível a vergonha que essas partidas representam. Em Old Trafford, desde o início da temporada, vamos colocando nossas oportunidades no lixo. Temos um jogo a menos e terça enfrentamos um Everton desmotivado, mas não há motivos para criar expectativa. Chegamos ao ponto de considerar o que vier nesse campeonato como lucro. A Europa League fica, a cada dia, mais importante.