Schweinsteiger no United: fim melancólico, mas esperado

O fim dessa trajetória parece que vem sendo costurado há muito tempo. Nos primeiros meses após desembarcar em Manchester, já conseguíamos perceber que Bastian Schweinsteiger não traria o retorno esperado. Em agosto de 2016, cheguei a publicar um texto com tom de despedida. Mourinho havia traçado planos ainda mais distantes do que o jogador poderia oferecer, portanto o first team a princípio não contaria com seus trabalhos. Alguns consideraram a dispensa para o sub-23 um tremendo desrespeito. O fato é que tínhamos que confiar no chefe que acabara de assinar.


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E, apesar de todo o apelo - e currículo - do alemão, não se tratava de uma peça especial. As pernas não respondem tão bem o cérebro desde 2012/13, quando levantou sua primeira e última Champions. Após essa bela coroação, a realidade teve que ser encarada: os dois principais técnicos do século não viram tanta utilidade em seu repertório. no Bayern, Guardiola lidou da forma esperada, com aparições esporádicas em cenários pontuais. O sistema de jogo não se moldava mais, nem um pouco, para o ídolo bávaro.



No United, os 1.688 minutos acumulados em duas temporadas resumem toda a história. O poder midiático claramente foi maior do que as possibilidades dentro de campo. Nem mesmo Van Gaal, quem o contratou e valorizou, soube aproveitá-lo de forma consistente. Sob o comando de José, só entrou quando muito necessário e já não era visto como parte do elenco. Se víamos Schweini relacionado pra qualquer confronto, a primeira reação era de surpresa - apesar de que, analisando friamente, cabia um espaço diferente.


Em compromissos que encaramos cheios de desfalque, como a vitória suada sobre o Middlesbrough, o meia poderia trazer pontos interessantes. Ao menos um nível respeitável de controle, calma com a bola nos pés e lucidez nas transições. Tenho certeza que seria bem melhor do que deixar a partida nas mãos do adversário, criando um ritmo caótico totalmente evitável e quase levando o empate. Existiram, então, situações em que ele foi ignorado por teimosia. Assim como infelizmente aconteceu com Shaw e Fosu-Mensah nessa temporada.



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No fim das contas, foram inúmeros casamentos que deram errado: o estado do clube não facilitou o entrosamento do atleta, o treinador (e filosofia) que escolhemos demonstrou ainda mais a falta de lógica na contratação. Nada combinava e era um jogador em declínio tentando encontrar lugar em uma equipe de altos e baixos, que por si já passava por uma fase pós-enfraquecimento. Obviamente não fará falta. E são £200 mil/semana liberados na folha salarial; com a possível saída de Rooney (£250k), podem esperar investimentos mais sensatos daqui pra frente. Para Basti, boa sorte no fim de carreira em Chicago. Que consiga ao menos jogar futebol, porque lá poderá render - é o nível que se encontra agora.