Boro 1-3 United: foi feio, mas o que importa é vencer

É bem provável que encontraremos empecilhos, mas a vaga à semifinal da Europa League parece encaminhada. Pelo menos é o que o favoritismo aponta depois do sorteio das quartas. Na Premier, então, se espera um enfraquecimento natural - ainda mais quando o elenco sofre com nove desfalques, ficando sem Zlatan por três partidas (só mais uma agora) e Pogba por três semanas. Mesmo assim, vamos empurrando da forma que dá. A vitória fora de casa frente ao Middlesbrough coloca o United na quinta posição, finalmente, e na condição de secar City e Liverpool. 


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Lesões, suspensões, fadiga devido ao calendário intenso… chegamos ao Riverside com uma quantidade enorme de desfalques e várias incógnitas no time. Até doeu um pouco ler a escalação, cheia de peças secundárias e que davam pinta de um 343. A realidade, porém, foi que Mou preferiu o mais simples 4-4-2. Bailly e Young nas laterais, Valencia avançado como meia direita (lembrando os velhos tempos) e Rashford-Lingard puxando o ataque. Esse último ponto em questão deu um raro ânimo pra partida. O resto não inspirava muita coisa, principalmente quando víamos o double-pivot de Fellaini e Carrick.



A arma número um era aquela da derrota pro Chelsea na FA Cup - bola pro Marcus nas costas da zaga. É algo que vem sendo complicado de fazer com Ibrahimovic, cansado ultimamente, e de relativamente fácil execução. Fabio e Barragan não protegiam bem o miolo de defesa e, consequentemente, os canais nos cantos da área se abriam com frequência. Passes incisivos por ali resultavam em perspectivas de gol, mas Valdes tinha uma missão de provar valor ao clube que o dispensou. Só teve uma forma, nada convencional, de superá-lo. Young na ponta, corta pra dentro, cruza com curva na cabeça de Fellaini.


Lembra a época de Van Gaal e, em tese, nos dá calafrios, mas hoje deu certo. Placar aberto e ao menos tínhamos conseguido quebrar a empolgação inicial dos anfitriões. Quem acabou por se tornar no maior desafogo foi Valencia, um dos mais ativos durante os 90 minutos. O equatoriano se colocava em ótimas posições durante todas as fases do jogo, mas era totalmente displicente com o esférico. Nada que surpreendesse, claro. O camisa 25 é uma eterna confusão entre entusiasmo e mediocridade. Na maioria das vezes, Lingard pode ser descrito da mesma maneira.



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Nesta manhã, não decepcionou. O reserva que divide opiniões na torcida dominou muito bem a função centralizada, focada nas transições. Basicamente, pra fazer aquilo que Mkhitaryan exerce - sem o brilho, mas com bastante consistência. Conduzia bem entre as linhas, dando um fôlego necessário em uma equipe que chegou a ter 22% de posse. Também se responsabilizava nos toques mais agudos, além de fechar a atuação com estilo: um daqueles seus golaços, verdadeiro coelho tirado da cartola. Ninguém esperava e os três pontos ficaram próximos ali. Apesar de que, na última parte do confronto, tenhamos sofrido uma pressão evitável.


Getty Images
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Sim, esses dois foram os melhores em campo hoje - na defesa e, principalmente, no ataque


O controle sempre esteve com o Boro, mas sem tantos argumentos ofensivos e chegadas perigosas. O panorama mudou com as ações na casamata. Mou optou por recuar, trocando Mata por Rojo e formando uma linha de 6 lá atrás. Steve Agnew, interino que substitui Aitor Karanka, foi inteligente ao sacar os pouco intensos Leadbitter e Ramirez; no lugar, Traoré e Gestede sinalizaram uma blitz tradicional se aproximando. Velocidade e força aérea redobradas, resultado imediato. Smalling e Jones nos fazem sofrer. Mas a vontade, nem tanto a técnica, fez a diferença. E o favor vergonhoso de Valdes selou o triunfo de modo conveniente. Seguimos relativamente esperançosos pelo top four.