Não teve jogo, mas o United garantiu bom resultado

Depois do fiasco no último sábado, quando jogamos fora a chance de entrar de vez no top four, levantaram-se ainda mais questionamentos sobre nossas possibilidades na Premier League. É claro que as chances existem e não dá pra botar tanta fé nos inconsistentes Liverpool e Arsenal, mas o ânimo claramente diminuiu. Uma bola que não podemos deixar cair, porém, é a da Europa League. Temos o favoritismo para levantar o troféu e um novo passo foi dado nesse caminho. Jogando no Stadion Olimp 2, o United ficou no empate por 1 a 1 com o Rostov e deve cravar a classificação para as quartas em Old Trafford.


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Os russos não perdiam desde novembro, mas também registraram apenas três vitórias nesse período. Concentrando os esforços na UEL, acabaram destoando um pouco na liga nacional - ocupam, após 18 rodadas, a sétima colocação. Mas não falamos de uma equipe desqualificada, bastando olhar para o primeiro semestre da temporada. Estando em um dos grupos mais complicados da Champions, os comandados de Ivan Daniliants ofereceram perigo ao Atlético Madrid de Simeone, mesmo com duas derrotas, e surpreenderam o Bayern de Ancelotti (vitória por 3 a 2 em casa). Terminou em terceiro, na frente do tradicional PSV, e garantiu vaga para o torneio que disputamos hoje.



De forma surpreendente considerando o padrão implementado na campanha, Mou escalou três zagueiros para o confronto: Smalling, Jones e Rojo. A disposição de Young e Blind como alas fez com que Pogba e Mkhitaryan pudessem centralizar bastante as ações, com Herrera e Fellaini brigando que nem loucos nas batalhas do meio campo. Ibra faria o papel de pivô e catalisador das jogadas, tentando dar algum respiro dentro de um panorama relativamente caótico. Esse cenário foi pintado de tal maneira por todas as circunstâncias, desde tática, passando pelos jogadores e se resumindo no estado horrível do gramado. Era um adversário a mais.


O uso do 343 provavelmente vem carregado por duas grandes razões. Na próxima segunda enfrentaremos o Chelsea pelas quartas da FA Cup e, como sabemos, Antonio Conte vem conquistando o país com a mesma formação. Pode ser, então, uma preparação para algum plano posterior - lembrando que, frente ao Bournemouth, chegamos a atuar nesse sistema por uns 30 minutos. O outro motivo é visível, já que o próprio Rostov joga numa espécie de 532, encaixando com a nossa equipe. Melhor fazer isso do que arriscar ser pego de surpresa em jogadas de superioridade numérica. No um contra um, fazendo um espelho, somos bem superiores.



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E os duelos realmente provaram-se individualistas e sem qualquer tipo de articulação. Nas palavras de Jose, "não vejo um jogo de vários passes, vai ser mais direto". Dito e feito. Lembrava, de verdade, um embate de campeonato estadual. Pouco se falava do rendimento, que inexistia, quando esse long-ball game deu certo. Jones lançou, Fellaini controlou com categoria e deixou Ibra com condições de assistir o gol de Mkhi. Basicamente, os "ruins" facilitaram para os "bons". Fizeram o trabalho pesado - avançar até a área do oponente - e a técnica resolveu contra o goleiro. Tínhamos achado essa chance e o placar mínimo seria ótimo nessas condições.


Getty Images
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Peças como Pogba não tiveram muito o que fazer nessas condições totalmente sofríveis. Sair ileso é uma vitória


Com dois gols fora, então, teríamos um pé e meio na próxima fase. Mas não conseguimos nem mesmo buscar tal objetivo. Eles chegaram a empatar, com uma boa finalização de Bukharov (ajuda infantil de Jones, também), e o ritmo mudou. Saímos da acomodação, Martial deu um gás renovado e movimentamos mais o último terço. O fato, no entanto, era que não tinha jogo. Temos que dar graças a Deus por ninguém ter se machucado e por guardarmos uma decisão simples para o Teatro dos Sonhos, na quinta que vem. Antes disso, pegamos o Chelsea no Stamford Bridge pela Copa da Inglaterra - e esses torneios secundários representam boas oportunidades em 16/17.