United 1-1 Bournemouth: casamos com a 6ª posição

Embalados por um título, estrelas decidindo, Bournemouth dentro do Old Trafford. Seis vitórias consecutivas contra oito jogos sem vencer. No resto da tabela, Liverpool (5º) e Arsenal (4º) se enfrentando pra tirar pontos cruciais de alguém. Era fazer o dever de casa e entrar no top four, simples assim. Rodada perfeita, né? Mas não teve jeito. O United está num relacionamento sério com o sexto lugar e, ao que parece, vai continuar jogando fora as chances mais claras. Na classificação e nas quatro linhas. Sem fazer o básico, fica difícil. 


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Surpresas logo na escalação: Shaw, que vinha jogando esporadicamente até nas Copas, teve sua tão aclamada oportunidade na liga depois de 126 dias. Rooney, completando 550 aparições pelo clube, também foi à campo na vaga originalmente preenchida por Herrera. E ambos participaram das duas jogadas de perigo iniciais. O atacante teve a bola duas vezes dentro da área, mas foi displicente e travado em suas ações. Já o lateral deu um lançamento primoroso pra Pogba, que foi bem até ser negado pelo goleiro.



O francês, inclusive, jogava novamente numa função mais acuada. Isso porque Ander esquentou o banco dessa vez, a exemplo de Carrick em Wembley. É uma rotação necessária e sadia no miolo do time. Entrosamento vale muito, mas manter as pernas leves e instigar competição também. Sendo o cérebro do conjunto, a contratação mais cara da história destoava um pouco no meio e brilhava lá na frente (spoiler: só até o Fergie Time). Ele claramente sente a falta do espanhol, ou de qualquer companheiro, pra liberá-lo até mesmo no fator psicológico. A pressão de estar relativamente sozinho por ali fala alto.


Como na maioria dos compromissos em Old Trafford, o camisa 1 do adversário se destacava. Boruc incorporava um arqueiro world class e era o maior responsável pelo placar se manter intacto. Os craques não achavam espaço pra superá-lo - nem mesmo debaixo da trave, como demonstrou Zlatan. Os defensores, então, apareceram pra surpreender; Valencia deu um daqueles chutes que ninguém sabe se é um cruzamento e Rojo, infiltrando na área, desviou pras redes. Em tese, abriu a porteira e pôs nos números a supremacia imensa dos mandantes. Mas a prática foi diferente, como veremos depois.



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Sobre o argentino, vejo diversas críticas exageradas nas últimas semanas. O tratam como um atleta desqualificado por falhas crônicas que demonstra na função de lateral esquerdo. Ok, por lá seu desempenho é totalmente frustrante e deve ser evitado, mas comparem com o que faz na zaga. Ao lado de Jones, Bailly ou Smalling, ele vai bem. Defende sem o desespero que mostra quando LE e ataca com certo primor. É o tal do ball-playing centerback, que se faz até necessário quando Blind não está jogando. Sem algum dos dois, a saída fica engessada e trava o desenvolvimento posterior das jogadas. É questão tática.


Ainda antes do intervalo, o árbitro Kevin Friend protagonizou um teatro vergonhoso. Ibra e Mings trocaram o futebol pela luta livre e, obviamente, deviam ser punidos. No fim das contas, ambos passaram impunes - o sueco já tinha amarelo - e Surman, por algum motivo desconhecido, foi expulso. Atrapalha o espetáculo e levanta cada vez mais a pauta do auxílio visual no esporte. Os argumentos contra tal recurso são irrisórios perto do bem que essa mudança traria. O Telegraph, na mesma hora, publicou uma matéria indicando testes na próxima temporada. Que seja verdade.


Getty Images
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Dominamos e criamos bastante, mas hoje Mourinho e companhia ficaram à sombra dos comandados do brilhante Eddie Howe


Na metade da etapa final, nossos lances ofensivos ficaram previsíveis demais. E certas peças não correspondiam frente a uma equipe que tinha um a menos. Naturalmente, Mou olhou pro banco e chamou logo três: Lingard, Rashford e Fellaini substituíram Shaw, Rooney e Carrick. Compreensível até chegar no nome do belga que foi escolhido em vez de Herrera. E no fato de que Zlatan continuou lá, mesmo tendo sua pior atuação em meses e estando desligado mentalmente. O resultado? Pênalti logo em seguida, batido por ele mesmo e defendido por Boruc. Não era a tarde dele.



Boa fase? O United empatou 7 dos seus últimos 11 jogos da PL em Old Trafford. Os adversários? Stoke, Burnley, Arsenal, West Ham, Liverpool, Hull e Bournemouth. Imperdoável.



Assim como não era de Pogba, ao menos em termos de definição. Acréscimos, aquela correria de sempre e duas chances caem nos pés dele. Na primeira uma furada, na segunda uma queda inexplicável dentro da pequena área. Méritos ao Bournemouth, que é um dos times mais organizados da Premier League mesmo com nove na linha. Eddie Howe faz por merecer toda a reverência que vem ganhando, enquanto decepcionamos em momentos simples demais. Pra voltar à Champions, precisamos ganhar dos pequenos sem ter que colocar a culpa no arqueiro adversário. Virou rotina e isso pode decidir nosso destino.