United campeão: nunca duvide de Zlatan Ibrahimovic

Mourinho, de certa forma, fez história. Com o triunfo sobre o Southampton, se tornou no primeiro treinador do United a conquistar um título na temporada de estreia. É só a EFL Cup? Em termos diretos, sim - não é aquele tipo de feito que vamos relembrar por décadas, mas pode muito bem ser um marco. Um ponto de referência do nosso retorno ao topo, a caminhada pra cima após três campanhas sofríveis e entediantes. O português foi contratado pra isso e, por mais que existam pequenas dúvidas, ninguém questiona a trajetória até o momento - e as perspectivas futuras. 


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O chefe, inclusive, faz justamente como Ferguson ao ter em uma Copa o seu primeiro troféu. E como ele mesmo - quando chegou na Inglaterra para assumir o Chelsea, venceu o torneio secundário antes de marcar o nome em competições de alto escalão. A única filosofia que conhece é a das vitórias e não podemos subestimar a importância do fator psicológico em seus trabalhos. A decisão jogada em Wembley servia mais como oportunidade de instigar essa winning mentality do que uma prova de seus conceitos táticos, por exemplo.



Até porque finais geralmente são estranhas, extremamente cheias de tensão e com pouco espaço para atuações fluidas. Hoje a tarde foi nesses moldes, consistindo em uma performance fraca do ponto de vista coletivo. Os comandados de Claude Puel foram claramente superiores e, analisando pela lógica, mereciam o melhor. Só que tratamos de futebol e de uma partida única, o que possibilita qualquer coisa a acontecer. Durante o campeonato, somos nós os injustiçados em diversas vezes. A maré virou na hora H.



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Mesmo com Gabbiadini e companhia fazendo o máximo em todos os momentos. O italiano marcou três, tendo um anulado de forma precipitada pela arbitragem. Redmond por pouco não anotou uma pintura e De Gea nos salvou bastante. Em um campo agraciado por Pogba, Mata e Herrera, quem fazia bonito era Ward-Prowse. E o sistema adversário, baseado em engolir nossas transições com um counterpressing absurdamente intenso. Tanto é que Carrick saiu do banco no intervalo pra (tentar) controlar o ritmo, sem êxito. O posicionamento de Tadic e a sombra de Davis eram suficientes na neutralização disso tudo. Mas temos Zlatan, ponto final. 


Getty Images
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Com 35 anos e jogando duas vezes pro semana, ele continua correspondendo nos momentos mais importantes. Isso é Ibrahimovic


Erguer uma taça no templo sagrado do esporte significa o início do legado do gajo, e não o fim ou um prêmio de consolação como foi com Van Gaal em 15/16. E, continuando nessa pegada do simbolismo, pra que melhor do que ver Ibrahimovic decidindo como um verdadeiro líder? Os 90 minutos resumiram tudo aquilo que foi falado na época de sua contratação: goste ou não, temos um novo Rei na área. Em Manchester. No Reino Unido. Nas quatro linhas. Não há ambiente que combine mais com o sueco do que o vitorioso. Seu chefe sabe bem disso e, aos poucos, o vestiário vai se acostumando. Dia 26 de fevereiro de 2017, um possível benchmark dessa instituição. É o começo do recomeço. O United que conhecemos, e nos apaixonamos, está voltando.