Temos que dar um contrato vitalício pro David Silva

Como só um desastre evitaria que o Chelsea fosse campeão na rodada deste fim de semana, tudo o que o City poderia fazer era jogar para vencer o Tottenham e se manter entre os quatro primeiros e, quem sabe, até beliscar o vice-campeonato.


Com os seguidos tropeços do United, tudo indica que a briga pela segunda colocação será diretamente contra o Arsenal, que como tem uma partida a menos por fazer, o time de Arsène Wenger possui hoje, virtuamente, três pontos a mais.


Em todo caso, vamos ao que interessa: a vitória do City sobre o Tottenham.


Foi interessante notar algumas coisas a partir do jogo de hoje. A primeira delas é que Demichelis mesmo sem uma das pernas é melhor que Mangala. É bem verdade que o argentino comprometeu em um lance que quase culminou num gol dos Spurs, mas no geral ele foi muito bem. Aliás, pode parecer até exagero para alguns, mas podemos arriscar dizer que ao longo da temporada ele deixou menos a desejar do que Kompany, que, verdade seja dita, fez uma temporada muito, mas muito abaixo daquilo que se espera dele.


Pode até parecer cruel com Mangala criticá-lo de maneira tão contundente logo em sua temporada de estreia na Premier League, afinal de contas, tem toda aquela coisa de adaptação e tudo mais. Por outro lado, se considerarmos o preço que ele custou, no mínimo era para que ele chegasse como dono da vaga no time titular e fosse, finalmente, o companheiro ideal de Kompany no setor.


Mas de qualquer maneira, ainda há muita controvérsia sobre os valores empenhados na contratação do zagueiro francês por dois motivos. O primeiro, é que Mangala ainda não estava consolidado como um dos melhores zagueiros do mundo. Era apenas uma boa promessa. Não poderia valer tanto dinheiro. Em segundo lugar, é de conhecimento histórico que o Porto supervaloriza seus jogadores na venda, logo, neste caso não poderia ser diferente.


Mas voltemos ao jogo de hoje.


O segundo aspecto do City na partida deste domingo que definitivamente não pode passar batido é: o meio de campo conseguiu funcionar tanto defensivamente quanto ofensivamente mesmo com a ausência de Yaya Touré. Seria talvez um sinal de que há vida sem o marfinense? Na última quarta-feira, o Igor Junio, do MCFC Stuff, escreveu sobre isso - clique aqui para ler mais.


Hoje coube a Lampard ser um dos comandantes do meio de campo do City e mesmo numa partida rápida como foi a de hoje, podemos dizer que o veterano cumpriu seu papel com sobras, contando claro com a ajuda de Fernando e principalmente de Fernandinho, que, pelo menos por hoje, voltou a ser o box-to-box que se espera dele.


Mas se teve alguém que regeu a meia-cancha, sem dúvida foi David Silva. Num primeiro momento há de se destacar o passe para o gol de Agüero. Eu mesmo quebrei a cabeça para encontrar uma definição e a mais próxima que consegui foi pornográfico.


Há poucos meias no mundo que conseguem controlar a velocidade do jogo com a qualidade que Silva faz. Prova disso foi a partida de hoje. Quando o City precisava acelerar, Silva o fazia. Quando era necessário segurar o jogo, também cabia a ele realizar tal tarefa - e assim foi.


Getty
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Agradece, Agüero. Com grande ajuda de David Silva na temporada, o argentino chegou hoje ao seu 22º gol na Premier League


É bem verdade que nesta temporada da Premier League, Silva foi mais artilheiro do que garçom tendo ido às redes em 11 vezes e dado 6 seis assistências, mas se considerarmos desde 2011/12, quando o City foi campeão, o pequeno mágico criou 37 gols. Significativo.


Neste caso, parece certo dizer que com a iminente renovação de elenco do City, se tem alguém que não pode sair do time, este alguém é David Silva. Mas nem é preciso repetir isso ou mesmo implorar aos céus para que o camisa 21 não seja vendido. A diretoria também entende a importância dele para o time. Na verdade, por mim ele ganhava logo era um contrato vitalício e se aposentava como lenda do time. Mas, vá lá, não sou eu quem assina os cheques em Eastlands.


E falando em jogadores que poderiam pendurar as chuteiras vestindo azul, seria uma injustiça não destacar a atuação de Joe Hart. Quando a defesa não deu conta de segurar o bom ataque do Tottenham, lá estava ele para garantir o resultado sempre com suas intervenções providenciais, assim como já o fez em inúmeras vezes na temporada, especialmente quando evitou o que ficaria para a história como o massacre de Barcelona - clique aqui para ler mais.


E graças à maestria de David Silva, ao gol de Agüero e às defesas de Hart, o City venceu o Tottenham e agora só depende de seus próprios esforços para ir para a Champions. Parece pouco para um time que entra em toda temporada lutando para ser campeão, mas é o prêmio de consolação de 2014-15.


Se tem time que entra todo ano jogando apenas pra ir pra Champions, não é o fim do mundo o City fazer isso vez ou outra. Às vezes é só um mal necessário.


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