City 3-2 Villa: pressão, apagão e salvação

Quem acompanha o City sabe que não é de hoje que o time tem um péssimo costume de, às vezes, dificultar jogos que, na teoria, são fáceis. Desde os tempos de Roberto Mancini as coisas já eram assim. Ontem, na vitória por 3 a 2 sobre o Aston Villa, com gol de Fernandinho aos 44 do segundo tempo, não foi diferente.


ESPN.com.br | Goleirão ajuda, Fernandinho salva e City põe o pé na Champions com fim de 'jejum' de dois meses


A julgar pelos primeiros 20 minutos, quem estava no Etihad Stadium ou assistindo pela televisão achou que ia ser testemunha de um verdadeiro massacre à luz do dia. Especialmente porque logo aos três minutos o goleiro do Villa, Brad Guzan, deu um verdadeiro presente para Sergio Agüero abrir o placar e isso deu confiança para que o City seguisse pressionando o adversário em seu campo de defesa.


Mas depois o ímpeto do City cessou e o Aston Villa passou a gostar mais do jogo. Ainda na primeira etapa, Martin Demichelis e Joe Hart foram providenciais em dois lances criados pelos visitantes e é justamente nesse ponto que aparece uma das críticas mais recorrentes ao trabalho de Manuel Pellegrini.


Taticamente, o engineer foi muito bem hoje ao escalar cinco homens no meio de campo. Normalmente eu faria uma ressalva por conta da escalação de Jesús Navas pelo lado direito, mas, como ele foi o melhor em campo na partida contra o West Ham, é preciso dar esse crédito ao winger espanhol que, embora não tenha repetido a atuação que lhe garantiu a condição de man of the match na semana passada, hoje foi novamente importante para o time.


No entanto, o City tem sofrido alguns 'apagões' durante a temporada. E é justamente nestes momentos em que a figura de um treinador de fala firme à beira do campo é importante. Pellegrini é um cara de personalidade mais amena e que muitas vezes peca por apenas sentar no banco de reservas e usufruir da função de mero observador de seu próprio trabalho. Por conta desta condição, o City via o Villa chegando com cada vez mais perigo em busca do gol de empate e nada parecia fazer para mudar este panorama.


Getty
Getty

Fernandinho marca aos 44 do segundo tempo após cobrança de escanteio para desespero dos jogadores do Aston Villa


A verdade é que o City, hoje, venceu muito mais por conta das falhas individuais cometidas pelo seu adversário do que por mérito próprio. Vejamos pelo segundo e terceiro gols do time. No tento anotado por Aleksander Kolarov, a barreira abriu e deixou o Guzan completamente vendido no lance. No gol de Fernandinho, o brasileiro se encontrava completamente sozinho no meio da área no momento da cobrança do escanteio e isso lhe deu o espaço que ele precisava pra fazer o gol da vitória.


Os dois gols do Villa podem ser colocados muito mais na conta do tal 'apagão' do que nos problemas defensivos do time propriamente dizendo. O City tem uma séria deficiência no setor, mas é preciso destacar que na maior parte do tempo da partida de hoje a defesa conseguiu, sim, atuar com certa segurança, especialmente Demichelis.


Colocando as coisas deste modo, fica evidente que o problema hoje foi muito mais de desatenção do que qualquer outra coisa.


Assim, dá pra dizer que o time venceu e não convenceu? Até dá. Mas não por falta de qualidade técnica. O problema maior não apenas neste jogo, mas em boa parte da temporada, tem sido de atitude - ou falta de, se preferirem.


Siga @javierfreitas