Tomando gosto pelo drama, City precisou 'martelar' o West Ham para vencer

A lógica nos dizia que um confronto entre um time imparável e outro que não consegue vencer quase ninguém seria uma história de favas contadas. De um lado, o City, primeiro colocado com sobras, jogando em casa contra um desesperado e sofrível West Ham, penúltimo colocado.


No entanto, eis o problema: o futebol é o mais imponderável dos esportes, e com a Premier League sendo a mais equilibrada das ligas, mesmo numa partida com estes contornos não se pode cravar um favorito com a mais absoluta das certezas.


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A maior prova disso foi justamente o primeiro tempo do jogo de hoje, onde um City irreconhecível desceu aos vestiários perdendo para o West Ham, com gol de Ogbonna já aos 44 minutos.


Aliás, o gol marcado pelos Hammers acende um forte sinal de alerta no que diz respeito à bola aérea defensiva do City. De alguns jogos pra cá, tem sido possível perceber uma séria deficiência do time neste fundamento – especialmente depois da baixa de Stones, que está lesionado.


Contra o Huddersfield e também diante do Southampton não foram poucas as vezes em que o City passou muita dificuldade nesse tipo de jogada, que, mais cedo ou mais tarde, acabaria se materializando em gols sofridos, como foi contra os Saints, e hoje diante do West Ham.


Mas verdade seja dita, não foi só a defesa que nos deu motivos para preocupação no primeiro tempo. O time como um todo esteve muito longe de repetir seus melhores dias e errava demais onde normalmente atua com excelência: troca de passes e criação de jogadas. Poucas vezes se viu o City errar tanto no terço final do campo como na primeira etapa da partida de hoje.


E mesmo que algumas mudanças relativamente significativas tenham sido feitas no time titular, nem de longe isso serve para justificar uma atuação tão sonolenta e errante. Apesar do claro domínio do City no que diz respeito à posse de bola, com números chegando perto dos 90% em determinados momentos, as chances de gol foram quase iguais de lado a lado, com o West Ham criando basicamente a partir de erros do City ou em bolas aéreas.



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É até bem verdade que quase ninguém se salvou na atuação desastrosa do primeiro tempo, mas, de todos os onze, quem mais se destacou negativamente foi Danilo. Escalado na lateral enquanto Delph foi deslocado para o meio, o brasileiro não acertou nada do que tentou nos primeiros 45 minutos e acabou sendo o escolhido para deixar o campo na volta do intervalo, dando lugar a Gabriel Jesus.


A mudança foi um recado claríssimo de Pep: o time precisava ser mais agressivo do que havia sido no primeiro tempo. Com isso, Delph voltou à lateral-esquerda e o time passou a atuar num 4-2-4 pra lá de ofensivo, com dois homens de área, dois abertos e sem nenhum volante de ofício, ainda que Kevin De Bruyne estivesse sendo mais participativo nessa função ao jogar mais recuado e, a exemplo do que já havíamos visto diante do Southampton, buscando a bola praticamente junto a Ederson para fazer a transição defesa/ataque.


Com o time se atirando ao ataque, as alterações e a pressão exercida pelo City não demoraram muito a dar resultado, especialmente porque Gabriel Jesus pôs fogo na partida e construiu a jogada do gol de empate, marcado por Otamendi – que era justamente quem estava marcando Ogbonna no gol do West Ham.


De alguns jogos pra cá, tem sido comum ver o City passar alguma dificuldade contra adversários que simplesmente não querem jogar, e hoje não foi diferente. E mesmo quando o City conseguia passar pelas duas linhas defensivas do time de David Moyes – uma de cinco na defesa e outra de quatro no meio de campo, lá estava Adrian para fazer uma grande defesa atrás da outra.


A cada intervenção do arqueiro espanhol, fica mais concreta a impressão de que os goleiros que vão ao Etihad tendem a querer fazer os jogos de suas vidas.


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Passador, hoje David Silva precisou mostrar faro de artilheiro


Todo mundo que acompanha futebol sabe que nem sempre um time campeão dá espetáculo semana após semana, nem mesmo um time que tem o futebol vistoso como é o City. Às vezes, vitórias suadas são mais do que necessárias para dar a casca que um time precisa para ser superior aos outros não só no aspecto técnico e tático, mas também mental.


Mas é preciso fazer justiça ao City em um determinado momento no jogo de hoje. Mesmo que o volume de jogo tenha crescido muito na segunda etapa, com o time promovendo um verdadeiro bombardeio à meta de Adrian, não se viu um jogo plástico propriamente dizendo. Ainda assim, o gol da virada foi um daqueles momentos de verdadeiro brilhantismo que se espera do City.


A bola por elevação, marca registrada de David Silva, acabou sendo lançada por De Bruyne para que o próprio Silva, em um legítimo momento de Agüero, precisou se esticar para acertar um voleio e dar números finais ao jogo.


Além disso, por mais que mais uma vitória em circunstâncias dramáticas possa levantar alguns questionamentos sobre uma possível queda de rendimento à essa altura da temporada, o que tende a ser absolutamente normal dada a carga de jogos nesta parte da temporada, o importante é que esse tipo de triunfo costuma dar moral aos jogadores e elevar o estado de espírito do time – o que é justamente o que qualquer equipe precisa uma semana antes de um dos jogos mais importantes da temporada.


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