Só vale golaço? City bate o Leicester e segue mais líder do que nunca

A volta do City ao King Power Stadium neste sábado (18) terminou com ares de redenção para o time e, principalmente, para Pep Guardiola. Pra quem não se lembra, embora seja difícil de esquecer, foi neste mesmo estádio que o treinador sofreu aquela que seria uma das derrotas mais duras e humilhantes de sua carreira – assim admitida pelo próprio.


Na ocasião, o Leicester venceu o City por 4 a 2 com uma facilidade constrangedora, tendo aberto dois gols logo nos primeiros instantes e chegando a ter uma vantagem de 4 a 0 no marcador em dado momento da partida, até que o City pudesse ensaiar uma pretensa e inútil reação.


Hoje, no entanto, a história foi completamente diferente. Com duas verdadeiras pinturas marcadas por Gabriel Jesus e Kevin De Bruyne, o City não tomou conhecimento do Leicester e amassou o adversário de uma ponta à outra do jogo mesmo jogando fora de casa.


ESPN.com.br | Jesus marca, De Bruyne faz golaço, e City chega à 16ª vitória seguida contra o Leicester


Praticamente no primeiro lance da partida a grande polêmica do jogo se instalou, quando Vardy recebeu em velocidade no espaço dado pela defesa do City e foi derrubado por Kompany, que estava voltando de lesão após um longo período de inatividade.


Instantaneamente, os protestos para que o capitão do City fosse expulso começaram. O árbitro, por outro lado, interpretou de forma diferente e deu amarelo para o defensor, o que fez com que ele recebesse vaias durante boa parte do jogo a cada toque na bola.


Mas, afinal de contas, era pra vermelho? Não era? Bem, a regra diz que o vermelho deve ser aplicado em uma situação clara de gol. Embora seja bem verdade que Vardy disparava em velocidade em direção à meta de Ederson, o árbitro interpretou de maneira correta ao entender que Stones, que estava próximo ao lance, poderia eventualmente chegar a tempo de travar Vardy antes que ele entrasse na grande área.


Além disso, vale registrar que o carrinho executado por Kompany foi lateral, e não por trás, o que significa que o camisa 4 ainda estava minimamente no lance, embora estivesse em clara desvantagem.


Depois disso, só deu City no jogo, com o Leicester ficando absolutamente acanhado frente à área de Schmeichel. Vez ou outra, como é característico dos Foxes, o time de Claude Puel saía em contra-ataque, apostando principalmente na velocidade de Vardy e Mahrez, com o último até tentando proporcionar uma tarde difícil para Delph, mas, no fim das contas o lateral/volante inglês venceu o duelo particular contra o argelino com largas passadas.


Entretanto, por mais que o City tivesse a posse de bola e passasse a maior parte do tempo no campo ofensivo, isso não estava necessariamente se traduzindo em chances criadas. Com mais de 40 minutos jogados, Schmeichel só havia sido verdadeiramente exigido em um bom chute de David Silva da entrada da área.


Mas se o ferrolho armado pelo Leicester parecia intransponível, em algum momento o City ia fazer algo diferente pra passar por ele, certo? Certo.


Meias centrais, Kevin De Bruyne e David Silva abriram um pouco para os lados à medida que Sterling trazia a bola pelo meio como se fosse justamente um meia central. A movimentação feita pelo trio, somada à belíssima troca de passes executada dentro daquele miolo de campo fez com que houvesse uma quebra das linhas defensivas do Leicester, criando espaço suficiente para que Sterling avançasse pelo meio e David Silva fizesse o mesmo pela esquerda.


Este último movimento não era esperado por Danny Simpson, o que ajuda a explicar o fato do lateral do Leicester ter permanecido absolutamente imóvel durante o desenvolver do lance.


Quando David Silva rolou para Gabriel Jesus apenas empurrar a bola para a meta vazia, a primeira reação de qualquer um não era nem mesmo comemorar o gol, mas apreciar uma verdadeira aula de futebol bem jogado, baseado em construção coletiva, fruto de treinamento intenso e orquestrado por quem sabe o que está fazendo. Depois disso, comemorar.



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A volta dos times do intervalo pode ser iniciada com uma pergunta: existe algo que Kevin De Bruyne não seja capaz de fazer?


Com menos de cinco minutos da etapa final, o Leicester provou do próprio veneno ao ver o City marcar o segundo dando uma verdadeira aula de contra-ataque.


Num dos raros lances em que o Leicester proporcionou perigo a Ederson, o City recuperou a bola e partiu em velocidade, com De Bruyne lançando Sané pela ponta-esquerda. O alemão trouxe para o meio e devolveu para o belga, que com uma verdadeira patada de canhota, inalcançável para Schmeichel, deu números finais ao jogo. À essa altura, nem o próprio De Bruyne sabe mais qual é a sua perna boa e qual é a “ruim”.


Getty
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Esquerda? Direita? Aparentemente não faz muita diferença para Kevin De Bruyne


Ao decorrer do jogo, o City ainda perderia mais algumas oportunidades, o que faria com que a grande vitória de hoje tivesse contornos de espetáculo. Por outro lado, defensivamente falando, o que poderia ser um dia de apreensão acabou saindo melhor que a encomenda.


Foi muito bom ver Kompany de volta ao time titular, embora seja visível sua falta de ritmo de jogo. Quando Stones saiu lesionado e deu lugar a Mangala, deu-se a impressão de que sem o único zagueiro 100% do time em campo e com outro sem a confiança do treinador entrando em seu lugar, estava feita a receita para que Vardy e Mahrez fizessem algum estrago.


Longe disso. O Leicester ameaçou tão pouco que tais situações sequer fizeram diferença no contexto geral da partida. Além disso, a boa atuação de Delph pelo lado esquerdo, anulando Mahrez e quem mais quisesse subir por aquele lado do campo, só fazem reforçar a perspicácia de Guardiola ao “descobrir” um bom lateral-esquerdo no elenco.


Com a vitória de hoje, o City chega a 16 triunfos seguidos na temporada, o que nos leva a outra pergunta: alguém vai conseguir parar esse time?


Hoje, parece muito difícil.


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