Diante do Chelsea, City passou no primeiro grande teste da temporada

Nas últimas semanas, estávamos acostumados a ver o City acumulando goleada sobre goleada, tanto na Premier League quanto na Champions League. Contudo, sabíamos que o grande desafio para a forma recente do time seria o jogo deste sábado (30) contra o Chelsea em Stamford Bridge – de onde o time saiu vencedor.


ESPN.com.br | De Bruyne decide clássico e City bate o Chelsea


Da vitória do último final de semana diante do Crystal Palace pra cá, o City sofreu duas baixas significativas com a lesão de Mendy e o acidente sofrido por Agüero. Sem Mendy, a apreensão se dava para saber como o sistema defensivo do City iria se portar diante de um adversário com tanta qualidade como é o Chelsea.


Por outro lado, o ataque não tem dado qualquer motivo para a torcida duvidar de sua força. No entanto, é evidente que a ausência da principal peça do setor acabaria fazendo alguma diferença.


A expectativa de um jogo duro contra o Chelsea foi confirmada, mas, desde os primeiros instantes, pelo menos uma característica da partida quebrou expectativas de lado a lado: o City dominou o adversário de uma ponta à outra do campo mesmo em Stamford Bridge. Nos primeiros vinte minutos de jogo, o City tinha 70% de posse de bola e trocava quase três vezes mais passes que o Chelsea.


A partir disso, não surpreendeu a estratégia do Chelsea, mesmo jogando em casa, não propor o jogo e tentar criar a partir de erros cometidos pelo City, que, por sua vez, tendo mais a bola, estaria mais propenso a errar, evidentemente.


Como consequência deste panorama, o City criou muito mais, enquanto o Chelsea, das vezes que chegou com algum perigo à meta de Ederson, só o fez porque aproveitou alguma falha do City na transição e encontrou algum espaço.


Outro aspecto interessante foi ver que, apesar de errar a tomada de decisão na parte final da jogada ou até mesmo na finalização, o City criou chances tanto pelo meio quanto pelos flancos, além de promover uma intensa movimentação a fim de povoar o meio de campo para oferecer mais opções de passe. Não era nada raro ver os laterais Walker e Delph trazendo a bola do lado para o meio, além de se apresentarem como meio-campistas quando o City tinha a posse.



Curta o Manchester Connection no Facebook



Aliás, falando em Delph, é preciso dizer que ele foi um dos melhores jogadores do City em campo e, por consequência, um dos responsáveis diretos pela boa partida e pelo resultado positivo obtido hoje em Londres.


Com exceção de uma jogada em que o City perdeu a posse para o Chelsea no meio e o deslocamento de Delph criou um espaço para que houvesse um cruzamento e uma chance perdida por Morata logo no início, o agora lateral-esquerdo fez uma partida irretocável tanto no ataque, quanto na defesa, ganhando boas divididas e executando alguns desarmes providenciais, evitando que o Chelsea ganhasse terreno no campo defensivo do City.


Getty
Getty

Se reinventando na lateral, Delph se prova cada vez mais útil ao City jogo após jogo


De resto, o sistema defensivo do City respondeu exatamente da forma que esperávamos em um jogo grande, com Stones e Otamendi sendo sólidos no centro da defesa, com Fernandinho sendo o cão de guarda. Das vezes em que o Chelsea conseguiu passar por estes, lá estava Ederson para sair do gol e jogar o perigo pra longe.


O back-four do City, acompanhado de Fernandinho, promoveu uma espécie de revezamento, com Hazard passando do bolso de um para outro enquanto o camisa 10 do Chelsea esteve em campo.


Mas, claro, não dá pra falar da vitória de hoje sem falar de Kevin De Bruyne. Não só pelo golaço, em boa troca de passes com Gabriel Jesus que fez um belíssimo pivô na jogada, mas pela partida como um todo. Um free #8 como gosta de jogar, De Bruyne esteve em todo canto durante a maior parte do jogo, ajudando na marcação, trazendo a bola da defesa para o ataque e, claro, criando jogadas. E como não poderia deixar de ser, todo seu esforço foi premiado com o golaço que deu os três pontos ao City.


Se Agüero fez falta? Evidente que fez. Algumas das jogadas feitas pelo City, especialmente no primeiro tempo, teriam sido melhor aproveitadas se Kun estivesse em campo.


Claro que Jesus é excelente no comando de ataque, embora hoje tenha ficado bastante isolado no primeiro tempo, e Sterling tenha marcado muitos gols recentemente, mas Agüero é muito mais matador e sua presença dentro da área poderia ter feito com que o City saísse com um placar até mais tranquilo – e que refletiria melhor o que foi o jogo de hoje.


A importância da vitória de hoje não se dá apenas pelo fato de que ela devolve o City ao topo da tabela após a goleada do United pra cima do Crystal Palace na manhã deste sábado, mas também porque são três pontos conquistados fora de casa contra um adversário direto e que confirma cada vez mais que o City vem muito forte para a disputa do título da Premier League.


Siga @javierfreitas