City 2-0 Shakhtar: sem espetáculo, mas eficiente

Assim como no jogo diante do Crystal Palace no último final de semana, o que se viu nesta terça-feira (26) foi um jogo de dois tempos bastante distintos não só no que diz respeito ao City, mas também ao adversário.


É claro que o Shakhtar Donetsk passa ao largo de ser um time frágil como o Crystal Palace. Muito pelo contrário. Trata-se de um bom time e que não ganhou do Napoli na primeira rodada da Champions às custas do mero acaso.


ESPN.com.br | Com gols de Kevin De Bruyne e Sterling, City bate o Shakhtar e vence mais uma na Champions


A qualidade do Shakhtar de uma ponta à outra no campo fez com que o City sentisse muitas dificuldades no primeiro tempo não só para atacar, mas também para frear as investidas dos visitantes. Aliás, há de se dar o devido mérito ao time ucraniano, que ao contrário da maioria das equipes que vêm ao Etihad e procuram se defender, o Shakhtar tentou propor o jogo tanto quanto o City na etapa inicial.


Em dados momentos da primeira etapa, é seguro dizer que o Shakhtar mereceu abrir o placar muito mais que o próprio City, tendo também maior posse de bola nos primeiros quinze ou vinte minutos de jogo.


Mas, claro, não é como se só tivesse dado Shakhtar. O City também perdeu algumas boas oportunidades, como no lance individual feito por Sané onde a bola passou tirando tinta da trave.


À medida que o City ia tomando para si o controle da partida, as oportunidades iam aparecendo, mas os homens de frente insistiam de forma irritante em ficar em condição irregular. Quando isso não acontecia, o City pecava no último passe.



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No segundo tempo, o City deu a “sorte” de abrir o placar logo nos primeiros instantes. É claro que a sorte aqui em questão só de dá pela questão do tempo, porque o chute de Kevin De Bruyne foi algo de quem sabe – e muito! – o que faz com a bola quando a tem.


A partir disso, o gol foi tudo o que o City precisava para controlar de vez a partida. Tendo em vista a forma recente do City, o Shakhtar sabia que naquela altura, ir pra cima pra tentar buscar o empate poderia acabar de duas maneiras: com o time conseguindo a igualdade no marcador, ou abrindo espaços e tomando uma goleada.


Claro que não era como se o Shakhtar fosse simplesmente abrir mão de jogar. O time ucraniano até ensaiou algumas saídas, especialmente em contra-ataque, mas não foi nem a sombra do time que poderia até mesmo ter saído da primeira etapa em vantagem.


Mas mesmo que o Shakhtar não saísse tanto para o jogo, os espaços continuaram aparecendo para o City mesmo assim. Afinal de contas, quem tem Kevin De Bruyne e David Silva no meio de campo, eventualmente acaba encontrando brechas na defesa adversária e, a partir de então, o que se viu foi um festival de gols perdidos – incluindo um pênalti que colocaria Agüero em pé de igualdade com Eric Brook como maior artilheiro da história do City.


O gol de Sterling, já no final, mostra que temporada após temporada, o camisa 7 vai evoluindo sob a batuta de Guardiola e, assim como Sané, briga forte por vaga no time titular.


Getty
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Quanto mais falam, mais ele joga


Apesar da eficiência ofensiva que garantiu ao time mais três pontos nesta fase de grupos da Champions, uma grata surpresa se deu no setor defensivo da equipe. O improviso de Delph na lateral esquerda se mostrou uma decisão muito acertada de Guardiola, quando a opção mais óbvia parecia escalar Danilo na vaga do lesionado Mendy.


O meia inglês, que já havia feito um golaço no último final de semana, se portou muito bem defensivamente, ganhando diversas divididas e efetuando tantos outros desarmes que se provaram fundamentais para a construção do resultado. Além disso, volante de chegada que é, Delph se projetou muito bem no ataque dando opção de passe no meio de campo, puxando a marcação e viabilizando espaços para que Sané pudesse fazer a ultrapassagem pela ponta-esquerda.


Especulado para deixar o time na última janela, Delph pode ter encontrado para si uma nova função no elenco e, pelo menos até aqui, se prova útil para Guardiola.


O lado bom do Shakhtar ter se mostrado um adversário combativo nesta terça-feira é que a partida de hoje se fez um teste para o grande jogo da rodada do fim de semana na Premier League, quando o City vai enfrentar o Chelsea em Stamford Bridge – sendo claramente o maior desafio do time até aqui na temporada.


Hoje, contra um time que tem um ataque que se mostrou potencialmente perigoso, a defesa se portou bem. Resta esperar pra saber se o mesmo acontecerá contra um time que tem ainda mais qualidade como é o de Antonio Conte.


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