Start me up! Em dia de Stones, City tem estreia dos sonhos na Champions

Há pouco menos de um mês, escrevi aqui que o City não teria vida fácil na fase de grupos nesta edição da Champions League. É claro que ainda parece cedo ao final da primeira rodada já dizer que a situação mudou completamente de figura, mas a goleada do City e a vitória do Shakthar sobre o Napoli certamente distorcem o cenário primeiramente imaginado.


Naquele dia em questão, escrevi que previa uma vitória magra do City contra o Feyenoord na Holanda, o adversário desta quarta-feira (13). Ledo engano. O que se viu hoje, especialmente se julgarmos pelo primeiro tempo, foi uma partida de um time só. O City, mesmo jogando longe de casa, não tomou o menor conhecimento do adversário e dominou do início ao fim. Literalmente.


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Ederson, hoje fantasiado de Dollynho após o choque com Mané no final de semana, foi praticamente um mero espectador.


Aquela tensão na estreia pelo primeiro gol foi embora com menos de dois minutos de jogo, quando Stones abriu o placar. O camisa 5 ainda faria o quarto gol do City e fecharia a conta em Rotterdam. E se o zagueiro foi o goleador do dia, não podemos esquecer que, claro, a dupla de artilheiros do City deixou sua marca, com Agüero fazendo um e Jesus o outro.


É claro que há uma série de fatores que transformaram o que, na teoria, seria uma vitória difícil em uma absurdamente fácil. A goleada sobre o Liverpool no fim de semana, por exemplo, certamente fez com que a equipe chegasse para a partida de hoje com a confiança lá no alto.


Além disso, é cristalino que o time tem assimilado melhor as ideias de Guardiola e, por consequência, tem sido capaz de executá-las como o planejado dentro de campo. E, claro, não há como simplesmente ignorar a disparidade técnica entre City e Feyenoord. Se no sábado a goleada se construiu após o Liverpool ficar com 10 em campo, isso não foi necessário nesta quarta-feira. O City tratou o time da casa como bem quis.


Mas as diferenças em relação ao jogo contra o Liverpool não pararam apenas nas circunstâncias, já que Pep também mexeu na formação do time ao escalar um time com dois zagueiros ao invés de três e ao promover a entrada de Bernardo Silva no time titular.



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Com mais gente no meio de campo e com dois homens de frente, a proposta ficou clara logo no início: apertar o Feyenoord em seu próprio campo de defesa sem deixá-lo ter um respiro sequer para sair jogando. Tanto deu resultado que com 25 minutos o City já estava com a vida resolvida com 3-0 no placar e um tanto de chances perdidas. A bem da verdade, se não fosse pelo goleiro Jones, o City poderia ter feito seis ou sete gols sem problema nenhum.


Embora na disposição tática Fernandinho aparecesse como único volante de contenção, foi interessante ver a movimentação feita pelos homens de meio de campo do City – especialmente Kevin De Bruyne que apresentou como um legítimo camisa 5 em vários momentos da partida ao buscar a bola no miolo de zaga e levando-a com qualidade para a construção das jogadas.


Tanto no final do primeiro tempo quanto na maior parte do segundo, se percebeu que o ritmo intenso de criação de jogadas e de marcação sob pressão diminuiu, o que era até natural, já que seria impossível manter esta mesma pegada por tanto tempo assim – além de se mostrar um exercício desnecessário, uma vez que o time já tinha uma vantagem bastante sólida desde o início.


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Contra o Feyenoord, os atributos ofensivos de Stones foram muito mais determinantes que os seus defensivos


O Feyenoord, por outro lado, esteve tão perdido durante o jogo todo que foram raríssimos os momentos em que a defesa do City foi minimamente exigida. Os laterais, Walker e Mendy, apareceram muito mais quando deram opção no ataque, enquanto Stones teve o devido destaque porque fez dois gols, embora tenha ganhado uma ou outra bola com relativa tranquilidade frente aos atacantes do Feyenoord.


Pode parecer clichê, mas acredito que nem o mais otimista dos torcedores do City esperava uma vida tão fácil como a que se viu no jogo de hoje. A quebra de expectativa, neste caso, foi das boas.


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