Alô, tem alguém aí? De Jesus a Sané, City atropelou o Liverpool

Dizer que a goleada de hoje do City pra cima do Liverpool vai entrar para a história passa longe de ser mera força de expressão. Prova disso é que a última vez que o time tinha batido os Reds por uma vantagem tão elástica foi em 1937, quando o City fez 5-1 no Liverpool em Maine Road.


Com o 5 a 0 de hoje com gols de Agüero, dois de Gabriel Jesus e outros dois de Sané, a história contra o Liverpool foi reescrita. Pois é. Logo contra um time que gosta tanto de história.


ESPN.com.br | Em jogo marcado por susto com Ederson, City goleia o Liverpool e quebra tabu de 80 anos


A bem da verdade, ninguém esperava um jogo fácil contra o Liverpool hoje no Etihad. Nas três primeiras rodadas, os comandados de Klopp vinham de um empate e duas vitórias, sendo a última uma acachapante goleada pra cima do Arsenal por 4 a 0 em Anfield.


O City, por outro lado, encontrou dificuldades contra o Brighton, teve de buscar um empate contra o Everton, mesmo com um a menos, e sofreu demais pra conseguir bater o Bournemouth fora de casa.


A julgar pela forma recente, haveria quem pudesse afirmar que a fase do Liverpool inspirava mais confiança e, francamente, não haveria nenhum absurdo em debater isso. Além disso, desde a temporada passada o que se vê do time de Klopp é uma equipe que costuma crescer quando joga contra adversários do Top 6. Tanto é que em 2016/17, o City não conseguiu tirar nada além de um ponto em seis possíveis no confronto direto.


Então, de certa forma, a goleada de hoje serviu não só para lavar a alma do time, mas também como um jeito de buscar afirmação e ganhar confiança para o desenvolver da temporada. Afinal de contas, na próxima quarta-feira (13), o time vai à Holanda enfrentar o Feyenoord na estreia da Champions League.


E como se esperava um jogo complicado, foi até natural ver que o City demorou um pouco a encontrar a forma que se espera da equipe quando atuando dentro do Etihad. O Liverpool povoou o meio de campo e em dados momentos reteve mais a posse de bola.


Mas se do meio pra frente o Liverpool tem um bom time, não dá pra dizer o mesmo da defesa adversária. E quando você tem Kevin De Bruyne no meio de campo, eventualmente ele vai achar um clarão no meio da defesa adversária e colocar o atacante na cara do gol – e assim ele o fez quando achou Agüero, que passou por Mignolet e abriu a contagem para se tornar o maior artilheiro não-europeu da história da Premier League.


O gol do City fez com que o Liverpool reagisse rapidamente e, a partir daí, Ederson virou um dos grandes personagens do jogo. Primeiro, ao intervir de forma providencial para evitar o gol de Salah e, na sequência, ao cortar a bola de cabeça fora da área e sofrer uma tentativa de assassinato por parte de Mané.


É claro que não dá pra falar sério nesta última frase. Ninguém acredita de forma alguma que o atacante do Liverpool tenha agido de forma intencional para acertar Ederson. Contudo, o cartão vermelho dado ao jogador não deveria nem ser objeto de questionamento porque, intencional ou não, o que se deve levar em conta aqui é a imprudência do jogador no lance ao levantar a perna numa altura considerável sabendo que alguém vai chegar com a cabeça baixa no lance como Ederson o fez.


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O lance capital do jogo


Ederson, que saiu de maca do gramado, passou por exames e não só está muito bem, como assistiu ao final do jogo do banco de reservas. Ou seja: apesar do susto, felizmente não há maiores preocupações sobre o estado do arqueiro brasileiro.


Com a expulsão de Mané, era evidente que o desenho do jogo seria alterado drasticamente. O Liverpool não só perderia sua principal peça de ataque, mas, com um a menos precisaria correr mais atrás da bola e concederia ainda mais espaços – justamente contra um time que gosta tanto de trocar passes como é o City.


A partir daí, a sensação era de que o 2-0 era uma questão de tempo. E foi, quando Gabriel Jesus, logo na sequência de ter um gol anulado, aumentou a vantagem de cabeça ao ser encontrado praticamente sozinho dentro da área por – mais uma vez – Kevin De Bruyne.



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Na volta do intervalo, podia se esperar duas coisas do City: um time que iria se contentar com a vantagem bem estabelecida, ou seaproveitar de um adversário desfigurado e abatido para tentar marcar tantos gols quanto fosse possível. Felizmente, o City fez a segunda opção.


O terceiro gol do City foi um verdadeiro tapa na cara de quem costuma dizer que não há possibilidade de Agüero e Gabriel Jesus dividirem o ataque do City. Com a mesma frieza que teve para fazer o primeiro gol, o argentino se mostrou completamente desprendido ao rolar para Jesus, com o gol aberto, fazer o terceiro.


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Logo após deixar seu segundo tento, Gabriel Jesus deu lugar a Sané – o que mostrou que Pep estava disposto a continuar indo pra cima. E como Sané estava vindo do banco, era evidente que ele iria tentar mostrar serviço a qualquer custo.


O alemão não só encontrou tempo para deixar sua marca após boa tabela com Mendy, mas ainda apagou as luzes do Etihad com uma verdadeira pintura num chutaço de fora da área pra sacramentar a maior goleada do City pra cima do Liverpool em 80 anos.


É claro que uma goleada por 5 a 0 vai chamar todas as atenções para o ataque, que, de fato, foi especialmente eficiente neste sábado, desde Agüero a Jesus, passando pela aula de Kevin De Bruyne. Entretanto, enquanto o Liverpool teve forças para providenciar qualquer ameaça ao City, o sistema defensivo se portou muito bem, especialmente na figura de John Stones, que simplesmente anulou Roberto Firmino.


Como dito no começo, é o tipo de resultado que dá confiança, espanta fantasmas recentes e mais do que isso: ao ser contra um adversário direto pelo topo, pode fazer muita diferença ao final da temporada.


Em tempo: ainda há algo para os torcedores do Liverpool se agarrarem. Se não fosse por Mignolet, o estrago teria sido ainda maior.


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