City bate o Bournemouth em 100 minutos de caos

Depois do tropeço em casa diante do Everton, o City entrava no Vitality Stadium hoje com a obrigação de sair com os três pontos. Com todo o respeito que o Bournemouth merece, mas podemos enumerar uma série de razões pelas quais apostar em uma vitória do City seria uma escolha óbvia, desde o histórico nos confrontos diretos, passando pela diferença técnica entre os times e, finalmente, a forma com a qual o time de Eddie Howe começou a temporada, com duas derrotas.


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Só faltava combinar isso com o próprio Bournemouth, que nos primeiros minutos do jogo promoveu uma verdadeira blitz no campo de ataque e deu um sufoco no City, que culminou no gol dos donos da casa logo aos 12 minutos, num chute de raríssima felicidade dado por Charlie Daniels, naquele tipo de gol que nem tem como achar ruim.


Na verdade, a única coisa que é preciso destacar no lance como um todo foi a dificuldade do City em tirar a bola de perto da grande área.


E se imaginávamos que o City iria acordar para o jogo ou o Bournemouth iria se contentar com a vantagem no placar, ledo engano. Logo adiante, Ederson teve que fazer uma belíssima defesa em outra boa chegada dos donos da casa. Naquela altura, o 1-0 já estava saindo barato e o City se mostrava completamente perdido no jogo.


Mas, eventualmente, o City iria ter que conseguir produzir algo substancial na partida. Antes dos 20 minutos, o que se via era algumas chegadas esporádicas, mas também se via muita dificuldade em furar o bloqueio armado pelos Cherries.


E quem tem David Silva em campo, sempre tem uma oportunidade de uma bola bem colocada para o atacante finalizar. E foi justamente o que aconteceu quando o City bateu rápido uma falta, pegou a defesa do Bournemouth tentando se recompor e David Silva encontrou Gabriel Jesus livre para empatar o jogo.


A partir daí, o City que se viu em campo foi o time que se esperava desde o primeiro minuto: uma equipe que domina a posse de bola, controla o meio de campo e cria inúmeras oportunidades de gol.



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No segundo tempo, ficou claro logo cedo que a proposta de ambos os times continuaria a mesma: enquanto um ia se defender para manter o placar, o outro iria pra cima pra buscar os três pontos.


Entretanto, Howe fechou ainda mais o seu time, proporcionando ainda mais dificuldade ao City para chegar ao gol de Begovic, que, diga-se de passagem, nas vezes em que precisou ser acionado, fez uma partida para ser lembrada.


Mas embora a proposta do Bournemouth desse toda a impressão de que a ideia era única e exclusivamente se defender, o time da casa fez aquilo que todo time de fora do Top6 faz quando joga contra o City: se fecha atrás esperando um erro e tenta criar algo no contra-ataque tentando pegar a defesa desprevenida.


Em dado momento deu certo, e o Bournemouth quase voltou à frente do marcador quando Josh King acertou a trave de Ederson. Numa outra oportunidade, já nos acréscimos, o estreante Mendy perdeu a bola na intermediária e Ederson teve que fazer outra grande defesa.


Quase que imediatamente após este lance, veio a virada do City com Sterling. Criticado o jogo inteiro por não conseguir replicar a boa partida que fez contra o Everton, o camisa 7 dominou na área e contou com um desvio do zagueiro para fazer com que o City voltasse com os três pontos para Manchester.


É evidente que a grande polêmica deste jogo vai ser o tempo no qual Sterling fez o gol. Como todos bem perceberam, Mike Dean deu cinco de acréscimo e Razza foi às redes aos 97 minutos de jogo. Contudo, é bom lembrar que já nos acréscimos, houve atendimento ao jogador do Bournemouth e o jogo ficou parado por um tempo considerável.


A partir daí, o que se viu foi o caos instaurado no Vitality Stadium. A torcida do City invadiu o campo para comemorar o tento de Raheem e o jogador furou o bloqueio dos stewards e da polícia para celebrar com os torcedores. Já tendo sido amarelado, Sterling foi expulso por Mike Dean, embora ainda não saibamos exatamente pelo quê.


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No aspecto tático, pela primeira vez nesta Premier League não houve a opção de Pep pelo esquema com três zagueiros, e o treinador foi a campo com uma linha de quatro homens na defesa, com Danilo, Kompany, Otamendi e Mendy, enquanto tinha no meio Fernandinho na contenção, David Silva e De Bruyne como organizadores do meio de campo, além de Bernardo Silva e Sterling mais abertos, e com Gabriel Jesus no comando de ataque.


O esquema podia variar entre 4-1-4-1 e 4-3-3 dependendo do que o jogo pedisse. Em determinados momentos, pôde-se até mesmo perceber o time jogando com dois atacantes, quando Sterling ou, principalmente, Bernardo Silva se encostava mais em Gabriel Jesus.


No que se refere às alterações promovidas por Pep, houve quem pudesse questionar a saída de Bernardo Silva e não a de Sterling para a entrada de Agüero, já que o português vinha tendo uma ótima apresentação. Contudo, tal mudança pode ser justificada pelo fato de que Pep poderia querer continuar com um time que continuasse tendo uma opção veloz em campo, daí a manutenção de Sterling e a mudança definitiva para o 4-3-3.


Com isso, Agüero jogou centralizado e Jesus foi para o flanco. Mas à medida que os minutos passavam e o City precisava virar o jogo, a entrada de Sané como mais uma opção de velocidade parecia questão de tempo e, por consequência, Gabriel Jesus acabou sendo sacado.


Mais uma vez a permanência de Sterling poderia ser colocada à prova, mas ele a justificou na hora certa.


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