Contra o Everton, City mostrou caráter, mas também velhos problemas

*Por Igor Junio


Na segunda (21), o City entrou em campo para seu primeiro jogo como mandante na temporada 2017/18. Diante de um adversário como o Everton, já se esperava uma partida para lá de complicada, mas cabia ao City se impor e amenizar as dificuldades para sair com uma boa apresentação e os três pontos. Não aconteceu.


Tudo começou com algumas escolhas de Guardiola: como já dito aqui neste blog, o técnico tem mandado a equipe ao gramado em um 3-5-2, mas o contexto das partidas da Premier League tem se apresentado bem diferente do que vimos na pré-temporada. O City tem enfrentado times fechados e, por falta de encaixe nesse sistema, jogadores importantes para perfurar retrancas como Sterling, Sané e agora Bernardo Silva, têm recebido oportunidades reduzidas. Os alas falham na missão de abrir o campo ofensivamente e o time perde opção de ataques incisivos pelos lados do campo, grande característica da temporada passada.


Por falar em Sané, Pep tentou dar mais criatividade à linha ofensiva escalando o jovem alemão na ala esquerda, mas esse é um erro que não pode mais se repetir. Infelizmente, deve-se aceitar que Sané não é um wingback. Leroy, tradicionalmente, é um jogador que perde muito a bola por sua agressividade; escalá-lo partindo do campo de defesa significa chances consideráveis de perda de posse em uma zona perigosa do campo - e assim saiu o gol do Everton. Sané errou, visitantes foram rápidos e Rooney foi fatal na grande área para abrir o placar.


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Mas era claro que ia ter gol dele...


Antes disso, o City não fazia uma partida encantadora, mas tinha certa presença de ataque e chegou a ter duas chances claras para abrir o placar. Sergio Agüero, inexplicavelmente, não finalizou uma bola limpa que recebeu de De Bruyne; na sequência, o argentino serviu Silva, que acertou a trave. Parece familiar, não? Temporada passada, a grande reclamação de Guardiola e de grande parte da torcida era a falta de capitalização das chances criadas em momentos chave do jogo. Se abre o placar, partida era outra.


Adiante, a expulsão de Kyle Walker. Após tomar um amarelo merecido, o lateral do City se envolveu em choque com adversário e o 4º árbitro resolveu aparecer e indicar novo cartão para Walker e, consequentemente, a expulsão. Não foi absolutamente nada. O City, que já não tinha um lateral na esquerda, perdia seu nome de confiança para a direita.



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Guardiola voltou com Sterling no lugar de Gabriel Jesus, mas o time só veio a embalar com as entradas de Danilo e Bernardo Silva - Fernandinho foi deslocado para a lateral-esquerda e o time teve mais firmeza, com Danilo na direita. Após os 70 minutos, várias chances foram criadas, sempre por iniciativa de Sterling e Bernardo, que mudaram o jogo. Outro detalhe que influenciou o segundo tempo foram as mudanças de Koeman, que tentou preencher o meio-campo e evitar a pressão do City, mas não obteve sucesso e ainda piorou o rendimento de sua equipe.


No fim das contas, City, com um a menos por tanto tempo, conseguiu dominar na base do abafa a segunda etapa, tendo 67% de posse de bola. Buscou o empate com Sterling e quase viu Bernardo servir David Silva na pequena área nos acréscimos. Atuação de grande caráter dos jogadores, que mostraram um espírito muito bom na segunda etapa. Jogos como esse são importantes para a formação de identidade de um elenco que ainda vai se conhecendo.


Como lição, cabe a Pep repensar a utilização de Agüero e Gabriel Jesus juntos. Vejo mais vantagem em deixar um como arma para o segundo tempo. Nesse jogo, por exemplo, um deles precisou ser substituído, mas, na reta final, o City precisava de outro finalizador para jogar na última linha ofensiva, mas não havia a opção. Sané não pode jogar como ala e Sterling tem que ser titular na próxima partida.


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Entrada de Sterling deu outra cara e fôlego novo ao City contra o Everton


Além disso, talvez vale também reconsiderar o esquema tático e fazer um teste no 4-3-3, com Bernardo Silva também ganhando mais espaço. O meia português teve um impacto técnico incrível na partida, além do trabalho físico: foram 3 desarmes nos poucos minutos em campo.


*Autor convidado, Igor Junio é colaborador do Manchester Connection e está também no perfil MCFC Stuff BR, no Twitter.