Foi suado, mas o City mostra força no início da Premier League

Se o City entra na Premier League como um dos favoritos ao título, as ambições do Brighton & Hove Albion são bem mais modestas. Tendo subido da Championship na última temporada, a maior aspiração dos comandados de Chris Hughton é simplesmente permanecer na elite do futebol inglês. Favorito, o City fez o que se esperava e bateu o Brighton por 2 a 0, com gols de Agüero e Dunk (contra).


ESPN.com.br | City 'martela' e vence o novato Brighton em estreia na Premier League


Até por conta do panorama desenhado, não era nada difícil imaginar que seria um jogo de ataque contra defesa, com o City mantendo absoluto domínio da posse de bola, enquanto o Brighton se seguraria no campo de defesa para manter a igualdade no placar enquanto fosse possível. Como consequência disso, o City manteve pela maior parte do jogo uma posse que girou em torno de 80%. Com 40 minutos de jogo, o City já havia trocado mais de 270 passes, enquanto o Brighton mal passava dos 80.


Para o início desta nova temporada, uma das maiores dúvidas na cabeça da torcida, da imprensa e do próprio Pep Guardiola seria como como armar um time que comportasse Agüero e Gabriel Jesus em campo.


No esquema com três zagueiros e dois homens de frente isso é possível. Aliás, desde os primeiros minutos logo se notou a intensa movimentação entre o argentino e o brasileiro frente à zaga do Brighton, com alta rotatividade na troca de posição, embora o último tenha sido bem mais acionado na primeira etapa.


E já que se falou na formação com três defensores, há de se registrar que o time se mostrou muito bem postado defensivamente, ainda que o Brighton tivesse passado ao largo de oferecer qualquer perigo real antes dos 44 minutos do primeiro tempo, numa cabeçada que Ederson nem teve tanta dificuldade para defender.


Fechado atrás, o Brighton dava toda impressão de que tentaria algum lance mais ousado se conseguisse jogar no erro do City. Num contra-ataque armado onde a defesa não conseguiu se recompor com os três zagueiros e mais os dois alas, o que chamou a atenção foi a velocidade com que Danilo chegou junto ao winger do Brighton para o combate. Tivesse sido na última temporada, Kolarov ou Clichy certamente teriam chegado três dias depois para o desarme.


E falando em laterais com grande disposição física, há também de se destacar a grande partida que fez Walker. Se Danilo contribuiu muito mais para o time no aspecto defensivo, Walker fez um jogo muito mais completo, com muita velocidade para recuperar bolas que pareciam perdidas na defesa, bem como ao chegar de forma bastante aguda ao ataque para se apresentar como opção pelo lado direito.



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No segundo tempo, embora desse a impressão de que havia definitivamente apelado para o park the bus, o Brighton começou a se mostrar mais corajoso e querendo acreditar que poderia ir pra cima e até mesmo ganhar o jogo.


O que pode nos ajudar a entender como o Brighton melhorou na etapa complementar é notar que a disposição tática e física parece ter aumentado à medida que os minutos passavam – o que não deixa de ser surpreendente, já que a tendência era que os jogadores tivessem menos perna para executar um sistema baseado no jogo físico.


Ao perceber que se o Brighton saísse mais para o jogo os espaços eventualmente iriam aparecer, Pep sacou Danilo para promover a entrada de Sané, que faria a função de ala pelo lado esquerdo.


A partir disso, o City não só iria ficar mais ofensivo, mas bem como ganharia um reforço na pressão da saída de bola do adversário. E foi justamente num lance como esse que o City abriu o placar, quando De Bruyne roubou a bola pela ponta direita, passou para David Silva, que entregou para Agüero finalmente vencer Ryan.


Um ponto interessante é que David Silva passava longe de fazer uma grande partida, mas alguém com a sua capacidade de mudar uma partida não pode nunca ser ‘dado como morto’. Um simples toque e o atacante está na cara do gol para mandar para as redes.


No segundo gol do City, o gol-contra marcado pelo zagueiro Dunk, o que vale registrar é a disposição de Agüero na construção de praticamente toda a jogada. Kun estava tentando furar a defesa do Brighton na base da habilidade e, no tranco, ao dar o combate para recuperar a bola, conseguiu dar sequência na jogada que acabou no cruzamento de Fernandinho e na cabeçada do zagueiro do Brighton contra o próprio patrimônio. E isso com mais de 75 minutos de bola rolando.


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Autor do primeiro gol e com participação direta no segundo, Agüero foi o cara da vitória do City sobre o Brighton


Mais adiante, Pep ainda promoveu as entradas de Sterling e Bernardo Silva nas vagas de Jesus e Agüero, o que nos mostra que o esquema permaneceu inalterado durante toda a partida, com os dois que entraram fazendo a função de homens de frente da equipe.


O placar de 2 a 0 em si dá a impressão de um jogo absolutamente tranquilo. Não foi necessariamente o caso. O City, embora favorito e dominante durante praticamente todo o jogo, sofreu para furar o bloqueio imposto pelo Brighton e chegou até mesmo a ser ameaçado em algumas oportunidades no início do segundo tempo, o que só faz provar a máxima de que não existe vida fácil pra ninguém na Premier League.


Contudo, se considerarmos as estreias de Arsenal, Chelsea e Liverpool, dá pra dizer que o City se saiu de forma bastante satisfatória.


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