Evolução e taças: o que esperar do City na temporada

Desapontamento. Fracasso. Quebra de expectativa. Estes podem ser alguns dos termos para definir o 2016/17 do City. Apesar do início arrebatador, o time caiu em uma inconsistência absolutamente irritante e só mostrou sinais de recuperação no final da temporada, fazendo com que o time apresentasse o mínimo esperado para garantir uma vaga na Champions League nesta temporada que se inicia.


As explicações e as justificativas podem ser as mais variadas também. Desde a incapacidade de algumas peças do elenco de se adaptarem ao esquema proposto por Guardiola, bem como o envelhecimento da média de idade do mesmo, assim como a ideia de que o novo comandante precisaria de um tempo de adaptação na nova liga. Ainda assim, esperava-se melhores resultados. O time caiu de forma muito precoce na Champions League, tendo sido eliminado nas oitavas-de-final pelo surpreendente Monaco e não passou nem perto de ser um postulante ao título da Premier League.


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O primeiro ano foi pior do que se imaginava, mas nem por isso a expectativa no que Guardiola pode ser capaz de fazer deve ser diminuída


Mas, afinal, para 2017/18, seria o caso de diminuir as expectativas para amortecer eventuais casos onde as coisas não ocorram como o planejado? Muito pelo contrário. A atual janela de transferências foi a melhor feita pelo time em muitíssimo tempo. Como melhor exemplo disso, as laterais foram renovadas como há muito se esperava e se fazia necessário. Além disso, comparadas as peças que deixaram o clube com as que chegaram, o upgrade no setor é inegável. Além disso, a média de idade do elenco foi consideravelmente diminuída.


Com as saídas de jogadores que já haviam passado a casa dos 30 anos há algum tempo e a chegada de alguns atletas que ainda estão a atingir o ápice, conclui-se que há um planejamento para que se obtenha resultados não só no presente, mas também no futuro a médio e longo prazo.


Indo para o seu segundo ano no City, tendo em vista seu contrato de três temporadas, Guardiola merece a colher de chá de que precisava de tempo para se adaptar, além de construir gradativamente um elenco que melhor atendesse suas demandas. Para a temporada que se avizinha, Pep tem condições melhores de trabalho do que as que encontrou em seu primeiro ano à frente do clube. Contudo, isso se traduz também em maior cobrança sobre seus ombros – especialmente se considerarmos que ele terminou sua primeira temporada no City de mãos vazias. Dado o panorama em que se 2016/17 se encerrou, até mesmo uma conquista da FA Cup teria sido vista com bons olhos e recebido um valor até maior do que realmente tem.


A pré-temporada, embora os resultados dos jogos não sirvam de parâmetro para nada, serviu para mostrar que as novas peças trazidas dão variação tática ao time. O esquema com três zagueiros se mostrou eficiente e com um enorme potencial promissor a ser desenvolvido. Além disso, gratas surpresas como Brahim Diaz e Phil Foden tiveram uma chance maior de mostrar do que são capazes no time de cima, tendo o segundo já sido oficialmente promovido.



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O que fazem os adversários diretos na briga pelo título da Premier League também influenciam o que esperar do City em 2017/18.


O Chelsea, atual campeão, parece sofrer um processo de involução e parece difícil imaginar que repitam a forma quase impecável da temporada anterior. O Tottenham, vice, não fez barulho no mercado e ainda parece viver o eterno processo de evolução que se menciona ao falar do time. Contudo, há de se perguntar se eles não vão novamente sucumbir sob pressão numa eventual batalha pela taça.


O Liverpool, apesar de uma ou outra contratação, não parece dar sinais de que subiu de patamar e, caso não resolvam os problemas que os levaram a perder muitíssimos pontos para times muito inferiores, parecem muito mais postulantes às vagas na UCL do que candidatos ao título em si. Aqui, então, há de se concordar com o texto do vizinho Lucas Filus, blogueiro do United aqui no ESPN FC: com as contratações feitas, somadas aos atletas que já estavam no elenco, o United está de volta à disputa do título e o que se previa no ano passado tem grande chance de ser visto esse ano: Guardiola e Mourinho tomando para si a disputa da liga.


É evidente que o City tem seus próprios problemas para resolver. Ederson foi trazido para ser o titular após um ano tenebroso de Claudio Bravo. Em 2016/17, o sistema defensivo como um todo teve muito para responder sobre no que diz respeito a uma infinidade de gols sofridos no período menos produtivo da temporada. As chegadas de Danilo, Walker e Mendy ajudam a reforçar o que se espera da defesa, além do processo de evolução de Stones – especialmente se ele jogar com Kompany liderando o setor.


Se o City apresentar a evolução que se espera, e tudo indica que sim, o time não deve ser postulante apenas à Premier League, mas é evidente que se espera melhores resultados também no terreno europeu. Até mesmo porque Guardiola foi trazido não apenas para levantar taças domésticas, mas justamente para elevar o patamar do clube e, finalmente, levá-lo à conquista da Champions – onde há claramente adversários mais à frente nesta corrida, mas, ao menos, uma campanha melhor que a última é o que se espera.


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