City finaliza a pré-temporada com um 3-5-2 promissor

*Por Igor Junio


Na abertura da pré-temporada nos Estados Unidos, o Manchester City enfrentou um United já com maior ritmo de jogo e só com um lateral disponível. Logo, ainda se arrastando fisicamente, o time de Guardiola foi derrotado. Depois disso, uma semana inteira de treinos e a contratação de Danilo foram mais do que suficientes para um crescimento notório da equipe nos jogos seguintes.


Em Los Angeles, o City enfrentou o Real Madrid e conseguiu uma grande vitória por 4 a 1. Mais do que isso: conseguimos um ótimo desempenho, mesmo na primeira etapa, enquanto o marcador se manteve 0 a 0. Com a estreia de Danilo, atuando pelo lado esquerdo, vimos outra dose de competitividade ser adicionada à equipe - assim como Walker no jogo diante do United. Ter laterais com vigor físico e capacidade maior de passe e chegada ao ataque já fez grande diferença, tanto em argumento ofensivo como em mais possibilidades de superar a pressão adversária na saída de bola.


A grande novidade de Guardiola foi a estruturação da equipe em um 3-5-2. Um sistema que deu maior proteção aos zagueiros, com Stones sendo o líbero, além de amenizar os problemas defensivos que as subidas de Walker e Danilo poderiam causar. Um meio-campo solto para flutuar nos espaços às costas dos volantes adversários e também podendo oferecer opção para passe vertical da linha de defensores. Além de acomodar Gabriel Jesus e Agüero perto da área, buscando resolver o problema da má finalização que nos assombrou temporada passada.


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À esquerda, a formação da equipe que enfrentou o Real Madrid; à direita, o time que foi a campo contra o Tottenham


Ainda contra o Real Madrid, Gabriel Jesus jogou mais recuado e Aguero foi o responsável pela profundidade da equipe. No segundo tempo, com algumas mudanças, Sterling entrou para ser o ‘2º atacante’ e Jesus passou a ser o centroavante, com o argentino sendo substituído. A partir daí, o time ganhou ainda mais em mobilidade com a entrada do camisa 7 inglês, que inclusive marcou um gol - o que mostra que Jesus poderia ter feito melhor na primeira etapa. Brahim Diaz, outro grande talento da base do City, marcou um lindo gol.


De Bruyne já mostrou o cartão de visitas para a temporada nessa partida. Impecável nas bolas paradas e ainda distribuindo duas assistências - para Sterling e Stones. Nesse esquema, o jogador tem muita liberdade de movimentação e ainda se vê com muitas linhas de passe disponíveis. A expectativa em volta do belga nessa temporada é grande: chegou a hora de pegar seu lugar como um dos melhores da liga e também do mundo.


Por falar em linhas de passe, hora de mudar o foco para o jogo diante do Tottenham. Outra belíssima atuação e vitória ainda mais convincente: 3 a 0. Com algumas mudanças na equipe titular, como David Silva (careca) fazendo sua primeira aparição na pré-temporada, tivemos uma atuação muito madura da equipe, com consistência nos 90 minutos - fator que inclusive foi destacado por Guardiola na coletiva pós-jogo.


O City encaixou um jogo posicional excelente nessa partida. A fluidez com que os ataques eram criados impressionou: os jogadores tinham sempre linhas de passe disponíveis e de maneira vertical, possibilitando tabelas e bolas em profundidade. Danilo voltou a se destacar, com uma noção de posicionamento muito boa, velocidade e eficiência nos passes. Só precisa melhorar seu produto final, seja finalização ou cruzamento. Terá papel vital no decorrer da temporada.


A equipe finalizou 21 vezes durante a partida. Houve alguns momentos que parecia um massacre. Gabriel Jesus e Aguero errando gols incríveis, Lloris e Vorm se destacando, chutes na trave...


Demorou para Sterling ampliar o placar no segundo tempo. Stones marcou o primeiro, seu segundo na pré-temporada - seria a bola parada do City ganhando algum protagonismo depois de tanto tempo? Várias jogadas perigosas nesses amistosos.


Outro fator a ser destacado na partida: Ederson. Após algumas críticas depois da estreia, o goleiro brasileiro mostrou todo seu potencial nas aparições seguintes. Mesmo sendo dominado, o Tottenham não deixou de criar algumas chances de gol na primeira etapa, e Ederson estava lá para impedir o gol de empate. Tudo que o City buscava: um goleiro capaz de segurar as pontas nesses lances pontuais, deixando a equipe ainda em vantagem na partida. Além do mais, mostrou suas habilidades com os pés: em tiro de meta, Ederson lançou Aguero na intermediária ofensiva. O argentino ficou no mano a mano com zagueiro e acertou a trave. Mais uma alternativa para a saída de bola.



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Desta forma, o City finalizou a pré-temporada deixando uma ótima impressão e um dilema: o 3-5-2 deve ser o esquema base da equipe para toda a temporada?


Acredito que, para os jogos mais competitivos, é o sistema ideal. Se encaixou perfeitamente. Porém, nem toda partida será conveniente atuar dessa forma: os zagueiros podem acabar acumulando minutos demais e se desgastarem; Leroy Sané pode perder muito tempo de jogo pela falta de wingers no esquema.


Enfim, o próprio Guardiola disse que irá alternar entre 3-5-2 e 4-3-3 dependendo da partida, mas o City ganha uma opção muito forte para ser mais sólido e competitivo.


*Autor convidado, Igor Junio é colaborador de longa data do blog e está no perfil @MCFCStuff_BR