City: pagar 50 milhões de libras por Walker está longe de ser absurdo

Há um mês, quando a história da transferência de Walker do Tottenham para o City estava ganhando cada vez mais força, escrevi aqui que o jogador tinha todos os atributos necessários para chegar ao time para ser o dono da posição por algum tempo. Seu desenvolvimento sob o comando de Pochettino em Londres o credenciou como um dos melhores laterais da Premier League.


Nesta sexta-feira (14), o lateral foi anunciado pelo City com um contrato de cinco anos, após uma longa negociação com o Tottenham que se arrastou por meses.


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Na ocasião, registrei também que a negociação não aconteceria por pouco dinheiro. É aquela velha história: o mercado inglês é caro, jogadores ingleses tendem a serem ainda mais valorizados por conta da homegrown quota e ninguém está para brincadeira quando se trata de reforçar ou não um rival direto. Ou seja, dentro do Top 6 da Premier League, cifras astronômicas são, na verdade, absolutamente normais.


De um mês pra cá, outro lateral-direito esteve muito próximo de se juntar ao City. Livre de contrato com a Juventus, Daniel Alves era esperado em Manchester para fazer seus exames médicos e assinar sem custos. No entanto, o PSG interceptou a negociação e acabou levando o jogador para a França.


As negociações por Walker e Daniel Alves estiveram interligadas o tempo todo. Afinal de contas, não só o fato do PSG ter dobrado a proposta salarial, mas também a garantia de titularidade absoluta soou tentadora para o lateral da Seleção Brasileira. No City, com Walker fazendo sombra, Daniel não desfrutaria de tal condição.


Man City
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Com ou sem Daniel Alves, Walker seria jogador do City mais cedo ou mais tarde


Com a recusa de Alves, o Tottenham sabia que o City estaria disposto a pagar o que fosse necessário para contar com um lateral world-class. Negociador ferrenho que é, Daniel Levy certamente deve ter subido a proposta em relação ao valor inicial, já que há um mês atrás, falava-se em £40 milhões pelo jogador, enquanto hoje, o valor reportado pela aquisição do atleta é de £50 milhões, sendo £45mi + £5mi de add ons.


É evidente que há quem considere loucura tanto dinheiro empenhado na contratação de um defensor, mas, será que é mesmo?!


O City entrou na nova temporada sem nenhum lateral-direito a não ser por Pablo Maffeo, jovem cria das categorias de base. Contar com um jogador já testado na Inglaterra e na Europa de modo geral era uma necessidade que se fazia, de certa forma, urgente. Walker reúne essas qualidades e é alguém que se encaixa no estilo proposto por Guardiola. Como se sabe, achar bons laterais no mercado não é tarefa das mais fáceis, e esperar que uma revelação da base se estabeleça requer tempo e paciência.



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Para o Tottenham, entretanto, ainda que a saída de Walker vá deixar uma lacuna, é possível supor que Pochettino vá trabalhar para fazer com que Trippier, que deverá ser o novo titular da posição, entregue resultados tão consistentes quanto. Ou seja, vender Walker passa longe de ser o fim do mundo para os Spurs.


Se fôssemos imaginar o que estaria se passando na cabeça de Daniel Levy, seria algo mais ou menos no sentido de: “Eu tenho dois bons laterais. Eu posso vender um. Não preciso, mas posso”.


No outro lado, estava o City precisando desesperadamente de um jogador desta posição. Logo, pagaria-se o necessário para tê-lo. Somando os fatos de que o Tottenham não precisava vender, mas o City precisava comprar, caberia aos Spurs fazerem o preço que bem servisse. Conceito de oferta e demanda puro e cristalino.


Há quem esperneie e ache o fim dos tempos, mas é assim que o mercado funciona.


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