Daniel Alves pode trazer o espírito vencedor que o City precisa

Se nesta última sexta-feira não se falou de outra coisa a não ser a recusa de Donnarumma em renovar com o Milan, neste sábado (17) o grande assunto do mercado é o possível acerto entre o City e o lateral brasileiro Daniel Alves, vice-campeão europeu na última temporada com a Juventus.


Alguns veículos da imprensa europeia, como o espanhol Mundo Deportivo, têm dado o acordo como bastante avançado e o anúncio da contratação por parte do City como uma mera questão de dias.


Romeo Agresti, jornalista italiano e setorista da Juventus no portal Goal, afirma que o próprio jogador já teria concordado com a transferência. Contudo, um acordo entre City e Juventus ainda precisa ser estabelecido para que a transação possa ser completada.


Mas se a chegada de Daniel Alves ao City é iminente como tem reportado a imprensa do velho continente, o que esperar do atleta em termos de produtividade uma vez que ele chegue ao Etihad?


A qualidade de Daniel Alves enquanto jogador passa ao largo de ser objeto de questionamento. Mesmo aos 34 anos, o lateral continua atuando no mais alto nível, tendo sido uma das principais peças que levaram a Juventus à conquista da Serie A, da Coppa Italia e da chegada da Vecchia Signora à final da última Champions League.



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Dois anos mais velho que Zabaleta e alguns meses mais jovem que Sagna, os laterais-direitos que deixaram o City ao final da última temporada, Daniel Alves ainda tem o direito de querer reclamar para si o título de melhor jogador do mundo na posição, ou ao menos um dos melhores.


Fosse pouco, há de se levar em conta que mesmo tendo entrado no que se convenciona chamar de curva decrescente da carreira, Daniel Alves foge à regra e segue evoluindo como jogador.


A mudança do futebol espanhol para o italiano mostrou que Dani, mesmo com todo o status adquirido, não se acomodou com o nome que fez e foi capaz de se adaptar a um novo sistema e novas funções dentro de campo, como bem atesta Murillo Moret, blogueiro da Juventus aqui no ESPN FC, e que acompanhou Daniel Alves bem de perto na última temporada:



“Dani Alves demorou a engrenar. O primeiro semestre foi bem fraco: partidas ruins, bronca pelo descompromisso com a defesa na estreia e a lesão não ajudou em muita coisa. O torcedor se rendeu a ele, em campo, a partir das oitavas-de-final contra o Porto, quando marcou no Dragão. Ante Barcelona e Monaco, o brasileiro se mostrou grande e que tem lenha para queimar mesmo em uma idade que a curva de declínio na carreira dos jogadores começa a acentuar. Foi importante notar nele, porém, que Alves segue com apetite para aprender. Foi banco, ganhou posição na bola, jogou como ponta (posicionamento semelhante ao que atuava no Barcelona de Guardiola) e foi habituado a um futebol líquido de coletivismo – ter a posse é um elemento a mais; o essencial é saber o que fazer em grupo para coordenar ações. Alves é um jogador de qualidade que, se possível, gostaria de manter no meu time.”



Além disso, há ainda de se levar em conta o espírito vencedor que Daniel Alves pode trazer ao City. O lateral da Seleção Brasileira já se provou por onde passou e venceu praticamente tudo o que podia em sua carreira, mas, ainda assim, parece disposto a aceitar a pressão de jogar na liga mais intensa do mundo num time de ponta, o que torna o desafio ainda maior.


Caso o acerto se concretize, Daniel Alves se reunirá com Guardiola, com quem foi multicampeão no Barcelona entre 2008 e 2012, quando o treinador deixou o clube catalão. De lá pra cá, não é segredo para ninguém que a admiração entre Pep e Dani Alves é mútua, dadas as mais diversas demonstrações públicas de apreço entre os dois. A mais recente delas foi o texto do jogador no The Players’ Tribune, quando Dani disse que Pep é um gênio do futebol.


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Juntos novamente?


Sabendo da afinidade entre os dois, da qualidade do jogador e da predisposição de Dani para executar em campo o que Guardiola pede na beira do gramado, o City só tem a ganhar com a chegada do lateral.


É importante lembrar, entretanto, que mesmo a possível chegada de Daniel Alves não deve, de forma alguma, frear o interesse do clube em Walker, do Tottenham. O City precisa de dois novos laterais direitos e, tendo dois jogadores de altíssima qualidade para uma posição tão importante, tanto melhor.


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