Com Ederson, Guardiola quer resolver um problema que ele mesmo criou

Logo em sua chegada ao City, Guardiola tomou uma decisão polêmica: tornou claro que não contava com Hart, há 10 anos no clube e ídolo da torcida, e foi buscar Claudio Bravo no Barcelona, já que o jogo com os pés do arqueiro chileno atenderia melhor as suas necessidades.


Ao longo da temporada, a decisão não poderia ter se provado mais equivocada. Bravo foi, de longe, a pior contratação do City na janela e sua presença no time titular custou diversos pontos à equipe ao longo da temporada.


Que Hart não é mais uma realidade do City, isso é fato. Mas apenas para título de informação e comparação, fica a pergunta: Hart já falhou quando titular do City? Evidente que sim. Mas, mesmo com tanto tempo, jamais comprometeu tanto o desempenho da equipe quanto Bravo o fez em pouco menos de uma temporada completa.


Quando digo menos de uma temporada completa, isso se dá porque Pep, à sua maneira, admitiu o erro e promoveu Caballero ao time titular. Com a oportunidade dada, o argentino não decepcionou.


Bravo até entrou em alguns jogos de copa durante este período, mas o fato de Bravo seguir tomando gols em todo chute dado à meta do City, em muitos casos logo o primeiro do adversário na partida, acabaram minando a confiança do goleiro junto à torcida e, consequentemente, até mesmo à comissão técnica.


Como prova disso, a torcida comemorava como um gol a cada chute defendido por Bravo no Etihad. Não em sinal de apoio, evidentemente. A forma irônica das celebrações ao mais fácil dos chutes defendidos só significa uma coisa: a paciência com o camisa 1 havia acabado e uma solução precisava ser encontrada para o próximo ano. Afinal de contas, se o City quer levantar alguma taça em 2017/18, Bravo é um risco que o time não pode correr.



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Pensando nisso, Guardiola foi ao mercado e trouxe Ederson para ser o novo dono da posição. Inquestionável no Benfica e convocado para a Seleção Brasileira por Tite, o goleiro tem tudo o que Pep procura num jogador da posição: parece ser confiável sob às traves e confiante na saída do gol para interceptar cruzamentos, até por ser fisicamente maior que Claudio Bravo, além de ter um bom jogo com os pés.


Por £34.9m, a maior quantia paga por um goleiro na história, o City vai contar com os serviços do brasileiro na próxima temporada, em negociação amplamente antecipada por diversos veículos ao longo dos últimos meses.


O acordo só falta ser anunciado pelo City, já que o Benfica confirmou a venda do goleiro e o atleta já não só foi visto no centro de treinamento do clube para exames médicos, como já registrou fotos do CT em suas redes sociais e também manifestou diversos agradecimentos ao clube português.


O que impede o City de oficializar Ederson são as chamadas “terceiras partes”, já que o Rio Ave também tem sua fatia sobre o jogador e tal pendência precisa ser resolvida pelas regras da Premier League.


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Confiável com as mãos e bom com os pés: Ederson junta o que o City precisa e o que Pep procura


Aos 23 anos, Ederson teve apenas uma temporada completa pelo Benfica, ainda que tenha desbancado o então titularíssimo Júlio Cesar. Entretanto, suas atuações sólidas que foram parte vital na conquista da Primeira Liga e da Taça de Portugal pelo Benfica, bem como suas apresentações acima da média na Champions League, sobretudo contra o Borussia Dortmund, lhe deram o status necessário para que ele se tornasse desejado no mercado.


No City, ele vai chegar para ser titular, e a pressão por boas atuações existirá desde o primeiro minuto em campo, assim como foi com Bravo. Com pouca idade, muito potencial e tempo pela frente, Ederson tem tudo para corresponder às expectativas e, finalmente, dar segurança à posição no Etihad.


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