Para o bem do City e felicidade geral da torcida, Yaya Touré fica

O City anunciou nesta quinta-feira (1) que Yaya Touré não vai a lugar algum – pelo menos por mais um ano. Em fim de contrato, o marfinense renovou por mais uma temporada, com seu novo vínculo tendo encerramento em junho de 2018. Com o novo acordo, Yaya vai completar sua oitava temporada no clube, tendo chegado em transferência junto ao Barcelona em 2010.


De lá pra cá, Touré foi peça central em todas as conquistas do clube nos últimos anos. Na FA Cup de 2010/11, foram dele os dois gols nas vitórias por 1 a 0 contra o United na semifinal e o outro 1 a 0 na final diante do Stoke, em Wembley, tirando o City da fila de títulos que se arrastava por muito tempo.


Nas conquistas dos títulos da Premier League em 2011/12 e em 2013/14, Yaya novamente foi decisivo. Na difícil partida contra o Newcastle em St. James’ Park em 2012, os dois gols dele na vitória por 2 a 0 mantiveram o City na ponta da tabela para a última rodada diante do QPR, onde o camisa 42, mesmo lesionado, arquitetou a jogada que culminou no gol de Zabaleta, que abriu o placar no Etihad naquele 13 de maio.


Em 2013/14, Touré praticamente levou o time nas costas rumo à conquista da liga naquela temporada, com nada menos que 24 gols naquela campanha. Uma marca absurda para alguém que atua na posição dele.


Yaya foi, sem sombra de dúvida, a força condutora do time naquela temporada, tendo também feito um dos gols da vitória sobre o Sunderland na final da Copa da Liga, também vencida pelo City naquele ano. E falando em Copa da Liga, foi dele o pênalti derradeiro que garantiu a conquista sobre o Liverpool em 2015/16.



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É claro que Yaya também teve seus maus momentos no time. Com tanto tempo de casa, era até natural que alguns períodos menos produtivos ou gloriosos aparecessem. O caso do bolo de aniversário que desencadeou uma crise que quase culminou na saída de Yaya do City foi um momento, no mínimo, peculiar.


Na última temporada de Pellegrini no comando do time, Yaya estava visivelmente fora de forma e sem qualquer condição de atuar numa função mais defensiva – ainda que o chileno insistisse em colocá-lo para executar tal trabalho. Quando mais avançado, Yaya parecia ser mais produtivo, mas tendo David Silva e De Bruyne em melhor forma física e mais dispostos, não haveria porque descartar um dos dois para acomodar o marfinense.


Deste modo, para manter Yaya no time, Pellegrini escalava-o mais recuado. Então, a impressão que se tinha era que o marfinense, ídolo incontestável, passou a se escalar mais com o nome e a história que tem no clube do que pela qualidade e pela produtividade em si.


Este que escreve, inclusive, chegou a defender a saída do marfinense do clube. Por maior que fosse (e é!) o status de ídolo, seu work-rate era de fazer qualquer um passar raiva. Contra o Real Madrid, na semifinal da Champions, foi possível ver Yaya caminhando em campo em mais de uma oportunidade.


Então, quando Guardiola chegou, ele não fez questão nenhuma de ter meios-termos. Ou está apto a jogar e encaixar-se no sistema proposto, ou simplesmente não joga. Com Hart foi assim, e com Touré também. Enquanto o goleiro teve que buscar outro clube para jogar, o meia ficou encostado por quase meia temporada.


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Yaya foi de descartado a imprescindível para Pep em 2016/17


É até bem verdade que não era só a questão física e técnica que pesou na decisão de Guardiola de colocar Touré para escanteio. A briga pública com o agente do jogador também foi um fator determinante para tal.


Mas se há algo que não pode ser dito sobre Yaya é que ele não é absolutamente profissional. Houve outros momentos em que tal qualidade até pôde ser colocada em xeque, mas não em 2016/17.


Mesmo tendo sido colocado de lado, Yaya treinou forte, perdeu peso, pediu desculpas pelo comportamento de seu agente e, de certo modo, pediu por uma nova chance para Guardiola para que ele pudesse provar seu valor e mostrar que ainda poderia ser importante para o City.


Mais leve e mais disposto, Yaya voltou numa forma que fazia lembrar o meia de dois anos atrás, com gols decisivos e tirando o City de situações espinhosas na temporada em diversas vezes, além de comandar e ditar o ritmo do meio de campo junto com David Silva e De Bruyne.


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Volta por cima de Yaya Touré foi um dos pontos altos da temporada do City


O City teve diversos contratos expirando ao final da última temporada, com Touré sendo um deles. Se ele tivesse escolhido ficar na sua, o clube não teria outra opção a não ser deixá-lo ir – ainda que se prestasse uma devida (e merecida) homenagem. Entretanto, pelo que produziu em meio ano, Touré se provou necessário para o clube e merecedor de um novo contrato.


Com 299 jogos e 81 gols anotados, Touré já é, sem sombra de dúvida, um dos maiores da história do City. Mas ao contrário do que se imaginava, ele ainda tem mais história pra fazer no clube, nem que seja por apenas mais um ano.


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