Southampton 0-3 City: quando um líder faz a diferença

Sempre escrevi aqui que Kompany, quando em forma, é um dos melhores defensores do mundo. Ao longo de todos esses anos de City, sua qualidade técnica sempre foi algo indiscutível. O que lhe atrapalha é a sua tendência em se lesionar por longos períodos.


Ausente, Vinny faz uma falta imensa para o City. Não só pela qualidade, mas também pela liderança que exerce dentro de campo. A capacidade de comandar não se faz ver só quando ele chama a responsabilidade e organiza o sistema defensivo, além de passar a segurança que não se vê com os outros defensores da equipe.


Aqui, cumpre abrir um parêntese: não é que Stones ou Otamendi sejam maus defensores. Longe disso. O primeiro desde já mostra imensa qualidade e tem um futuro brilhante pela frente, enquanto o segundo acumula grandes atuações com a camisa do City desde que chegou ao clube, ainda que sua primeira temporada tenha sido melhor. De qualquer modo, hoje Otamendi entregou uma performance bastante sólida.


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Mas, como eu dizia, Kompany não lidera apenas o seu setor, mas também o time. Hoje, a partida contra o Southampton caminhava para um zero a zero ou no máximo uma vitória com um único gol para qualquer um dos lados. Ainda que o City passasse mais tempo com a bola e tentasse sufocar os donos da casa em seu campo de defesa, o primeiro chute na direção da meta adversária só veio com dois minutos da etapa complementar.


O gol do camisa 4, entretanto, animou a equipe a ir pra cima e construir uma vitória confortável e, de certo modo, até mesmo surpreendente. Não só o gol em si, mas a vibração característica de quando o capitão anota um tento é capaz de contagiar o time de tal maneira que a subida no nível de produção a partir de então é algo de saltar aos olhos.


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Esse espírito, essa vibração. Talvez fosse isso que estivesse faltando ao time


Mas nem só de líderes morais se faz um time. Os líderes técnicos também precisam aparecer para que bons resultados sejam construídos. Assim o foi quando David Silva e De Bruyne, que não estavam tendo uma tarde das mais inspiradas, construíram o segundo gol que terminou na finalização de Sané.


Aliás, mais uma vez cabe repetir o óbvio: o lance do jogador diferenciado é esse. Às vezes, ele pode passar 70 minutos sem produzir nada de efetivo, mas em um ou dois lances, ele acaba definindo um resultado. Hoje, isso mais do que nunca se aplicou a De Bruyne. Três minutos após o gol de Sané, o belga levantou a bola para Agüero fazer seu 11º gol em 11 jogos.



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Quando disse logo acima que a vitória por um placar tão elástico chega a ser surpreendente, digo isso porque a qualidade do Southampton é deveras conhecida – especialmente quando joga em seus domínios. Na semana passada, o City venceu um Hull que vinha numa crescente de produção e, por isso, a vitória foi convincente.


Neste sábado, dá pra se dizer o mesmo diante do resultado positivo contra os Saints, ainda que o time não tenha criado tantas oportunidades quanto em outras ocasiões na temporada, hoje vale destacar que o time aproveitou as chances mais claras para construir o placar – ainda que tenha perdido algumas outras.


De qualquer maneira, é bom ver que o City pode se sair bem mesmo contra adversários que podem ser traiçoeiros quando querem. Além disso, essa reta final de temporada deverá ser decisiva não só para o presente, mas também no que diz respeito ao que veremos desse time na próxima temporada. Se tem um momento no qual o time vai precisar de seus líderes – técnicos ou não –, esse momento é agora.


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