Diante do Hull, o City fez o que se espera: venceu e convenceu

O City não vencia há quatro jogos na Premier League. O último resultado positivo foi conquistado há mais de um mês, quando o time bateu o Sunderland fora de casa por 2 a 0. De lá pra cá, três empates seguidos contra Stoke, Liverpool e Arsenal e a derrota para o Chelsea no começo da semana impediram um possível progresso do time na tabela.


Hoje, mais do que nunca, era necessário bater o Hull no Etihad. Independentemente do adversário, conseguir os três pontos neste sábado era algo urgente.


Entretanto, a vitória por 3 a 1 pode ser encarada como um resultado de ressalvas. Apesar do Hull estar imediatamente acima da zona de rebaixamento, há de se convir que o time comandado por Marco Silva estaria numa posição muito mais confortável se estivesse com o português desde o início da Premier League.


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Especialmente no primeiro tempo, os Tigers se mostraram um time absolutamente combativo, de muita movimentação e toque de bola, e longe de ser alguém que iria simplesmente esperar o City em seu campo defensivo.


Ainda assim, e principalmente se levarmos em conta que o City é, tecnicamente, muito superior ao seu adversário de hoje, a tendência, que se confirmou, era de que nós tivéssemos mais a bola e criássemos muito mais oportunidades de gol.


Isso se deu também porque Pep escalou um time absolutamente ofensivo, repetindo Navas na lateral direita e colocando Kolarov no miolo de zaga ao invés de Kompany. Além disso, depois da boa atuação contra o Chelsea, Delph ganhou nova oportunidade no meio – dessa vez ao lado de Yaya Touré.


No caso do inglês, cabe mencionar que novamente ele não decepcionou. Aliás, muito pelo contrário. Apesar de ter capacidade para jogar como cabeça de área, Delph costuma sair muito mais para o jogo que Fernandinho. Jogando com Touré, dá até pra dizer que o City atuou hoje sem um volante de contenção propriamente dizendo – ainda que houvesse uma boa movimentação pelo setor para que aquela área intermediária fosse coberta.


A exemplo do que tem se visto ao longo da temporada, por mais que o City criasse as oportunidades, elas não eram finalizadas de forma efetiva. Tanto é verdade que o City precisou de meia-hora e de uma contribuição do adversário para abrir o placar, quando Elmohamady cortou o ótimo cruzamento de Navas para dentro do próprio patrimônio.


Foi só a partir do primeiro tento anotado que o City passou a jogar com mais tranquilidade para construir o resultado positivo.



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Na volta do intervalo, o Hull até tentou voltar com o mesmo ímpeto do primeiro tempo, mas Agüero jogou um balde de água fria nas pretensões dos visitantes quando aumentou a contagem logo aos três minutos do primeiro tempo. Letal na pequena área, Kun fez seu 10º gol nos últimos 10 jogos em todas as competições. Além disso, o tento de hoje foi seu 28º na temporada – apenas um a menos que em toda a temporada passada.


Todavia, o gol de Kun tem créditos que devem ser dados a Sterling, que construiu toda a jogada pela direita antes de passar para o camisa 10 – sem contar que ele fez exatamente a mesma coisa quando passou para Delph fazer o terceiro e acabar definitivamente com qualquer chance de reação do Hull. Com as assistências de hoje, Sterling chegou a 15 passes para gol na temporada, além de ter ido às redes em nove oportunidades. Trocando em miúdos, se teve alguém que evoluiu – e muito! – nessa primeira temporada sob o comando de Pep, certamente este alguém é Sterling.


No tocante à defesa, esta se comportou muito bem hoje sempre quando exigida – especialmente se falarmos de Stones, que fez uma grande partida. Mas como não há segurança alguma com Bravo sob as traves, era previsível que em algum momento o clean sheet iria para o espaço. E assim foi quando Ranocchia, já no final da partida, chutou fraco e Bravo, com o braço mole, permitiu que a bola passasse por baixo e morresse lentamente no fundo das redes.


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Dupla inglesa foi imprescindível para a boa vitória do City sobre o Hull


Com mais uma atuação sólida, Delph foi escolhido o man of the match neste sábado. Particularmente, teria dado o tal prêmio a Sterling. Embora Fabian tenha sido absolutamente participativo, tendo dado diversos chutes a gol, bons passes e executando alguns desarmes, e até mesmo deixando seu nome na súmula, penso que Sterling tenha atuado de forma mais vital para o resultado ao procurar criar chances de gol, buscando o lance individual e, claro, registrando duas assistências em seu nome.


Diferente de outras ocasiões, quando o coletivo não foi eficiente, hoje que o que se viu foi um City que funcionou de um lado a outro do campo. Há quem possa dizer que o adversário de hoje era mais frágil e tal performance seria uma obrigação. Meia verdade. Pela forma recente do Hull e pelo bom futebol que o adversário de hoje vem apresentando desde a virada do ano, pode-se dizer que o City venceu e convenceu diante de um oponente que sabe jogar futebol e vende caro uma derrota.


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