Chelsea 2 x 1 City: muita posse de bola, pouca eficiência ofensiva

Todo mundo sabe que na Premier League não existe jogo fácil. Mesmo os times da zona de rebaixamento tendem a vender caro derrotas aos seus adversários. Quando a missão é enfrentar o time mais eficiente do certame fora de casa, a coisa fica ainda mais difícil.


Com méritos, o Chelsea é líder absoluto do campeonato e caminha em largas passadas rumo a mais um título inglês. Apesar de não ser o melhor time em números gerais no que diz respeito a gols feitos e sofridos, a eficiência do time de Antonio Conte explica o porquê desta liderança com sobras.


O City, por outro lado, mais uma vez deixou de sair de campo com um resultado positivo justamente por não ser eficiente. Chutou mais, teve mais a bola, mas não soube fazer por onde para furar o bloqueio defensivo dos donos da casa em Stamford Bridge nesta quarta-feira (5).


ESPN.com.br | Goleiros vacilam, Hazard brilha e Chelsea vence Manchester City em casa


De certa maneira, dá até pra dizer que a partida de hoje foi um replay do que testemunhamos no primeiro turno. Lembram como foi? O City, à frente no placar, perdeu um caminhão de gols. O Chelsea, por outro lado, quando tinha a bola era letal quando chegava ao ataque e acabou vencendo por 3 a 1.


Hoje, especialmente no primeiro tempo, parecíamos estar vendo um flashback. O Chelsea tinha menos a bola e procurava jogar nos erros e espaços deixados pelo City, enquanto nós rodávamos a bola de um lado pro outro procurando um buraco que o time de Conte dificilmente proporciona aos seus adversários. A diferença pro primeiro turno é que naquela ocasião o City conseguiu criar muitas oportunidades, mas hoje não.


O gol de Hazard que abriu a contagem no duelo de hoje foi uma das raras vezes que o Chelsea construiu uma trama bem elaborada. Há ainda de se registrar que o desvio de Kompany no meio do caminho matou qualquer chance que Caballero poderia ter de fazer a defesa.


E como o Chelsea se fechava muito bem, o gol de empate do City, de Agüero, só poderia mesmo ter saído de uma falha. Neste caso, a péssima saída de bola de Courtois abriu o caminho para que David Silva invadisse a área para chutar e Kun fizesse o gol no rebote do goleiro belga.


Não muito tempo depois, em um pênalti besta de Fernandinho em Pedro, Hazard fez no rebote de Caballero. Neste caso, há de se destacar a eficiência de Caballero em cobranças de pênalti. O fato dela ter sido rebatida para a frente da área nos pés do camisa 10 do Chelsea foi uma fatalidade. Um lance de azar.



Curta o Manchester Connection no Facebook



Ao contrário da partida no Etihad, onde um placar mais largo inclusive com vitória do City teria sido absolutamente normal, hoje o jogo não teve muitas chances de gol que pudessem aumentar o placar para além do que se viu. Aliás, no segundo tempo o City foi absolutamente passivo e até mesmo previsível, oferecendo muito pouco perigo à defesa do Chelsea, que por sua vez, também pouco produzia.


Um fator preocupante é termos visto mais uma partida abaixo da média de Kevin De Bruyne. Apesar do passe para o gol de Sané no jogo contra o Arsenal no último final de semana, mais uma vez o belga proporcionou uma performance que deixa muito a desejar – especialmente porque temos plena consciência do que ele é capaz de produzir e do diferencial que ele costuma ser na equipe.


Por outro lado, David Silva, Sané e Agüero foram produtivos na medida do possível, mas, como dito anteriormente, de forma previsível – à exceção do alemão, que sempre está tentando algo diferente para surpreender o adversário.


Além disso, tivemos hoje ainda as voltas de Kompany e Delph ao gramado e a repetição de Jesús Navas na lateral direita.


Getty
Getty

Apesar do desvio crucial para o primeiro gol do Chelsea, atuação sólida de Kompany foi um alento


Quanto ao zagueiro, fica o alívio por ele não ter saído machucado e o contentamento por ele ter tido uma atuação bastante sólida. Como bem sabemos, estando em forma, Kompany é um dos melhores defensores do mundo. Hoje, com ele na defesa, mesmo que o Chelsea pouco tenha exigido do sistema defensivo, a mera presença de Kompany no miolo de zaga junto com Stones fez com que nós pudéssemos nos sentir mais seguros.


Já no que diz respeito à escalação de Delph no meio de campo, não dá pra dizer que não foi uma surpresa. Não só a presença dele no time em titular em si, mas pelo fato de descobrirmos que o camisa 18 ainda está vivo. Brincadeiras à parte, até que Fabian não foi mal em sua volta, já que ele executou alguns bons desarmes durante a partida fazendo companhia a Fernandinho na volância.


Mas por mais que algumas atuações individuais possam passar sendo minimamente convincentes, o coletivo parece não estar encaixado e isso reflete em maus resultados como vimos não só no domingo, mas hoje também. A falta de eficiência na hora de finalizar os lances tirou muitos pontos do City ao longo da temporada e nos trouxe à realidade que vemos hoje: a briga por uma vaga – direta ou não – na próxima edição da Champions League.


Para voltar a disputar o título da Premier League na próxima temporada, muita coisa vai precisar mudar ao final desta.


Siga @javierfreitas