City 1-1 Liverpool: jogo bom, resultado ruim

Neste domingo (19), City e Liverpool se enfrentaram no Etihad e entregaram tudo aquilo que se esperava da partida. Os times de Pep e Klopp compartilham algumas semelhanças entre si, como o fato de fazer muitos gols, mas também sofrê-los na mesma proporção.


Enquanto o City é um time que passa a bola e procura sempre abrir espaços na defesa adversária para criar suas oportunidades, o Liverpool é um time mais intenso, que põe muita gente pra atacar e sufocar o adversário dessa forma.


Já contando com a partida de hoje, o City tem, ao lado do Tottenham, o quarto melhor ataque da Premier League, com 54 gols. Por sua vez, o Liverpool tem o maior poder de fogo do certame com 60 tentos anotados. Como consequência disso, não seria surpresa nenhuma esperar por um jogo lá-e-cá desde o princípio – e assim o foi.


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Desde o primeiro minuto o City já saiu disposto a buscar a vantagem no marcador. Hoje, nem sombra da passividade que se viu no meio de semana contra o Monaco. Mas, evidentemente, um time que ataca tanto quanto o Liverpool não iria aceitar isso tão facilmente e, claro, também sairia pro jogo.


Como prova disso, os visitantes criaram as melhores oportunidades da primeira etapa e só não inauguraram o placar porque Caballero estava lá pra evitar o pior. O City também poderia ter aberto a contagem, mas nas chances mais perigosas, como nos chutes de David Silva e Fernandinho, a bola passou perto da trave e se perdeu pela linha de fundo.


Na volta do intervalo, o Liverpool pareceu voltar mais disposto e o City demorou para se encontrar novamente na partida. E a situação pareceu ficar ainda pior quando Clichy fez pênalti em Firmino. Milner, garantindo que a lei do ex siga forte, converteu a cobrança.


No lance, duas coisas chamaram atenção: primeiro, a verdadeira clareira no setor defensivo do City no espaço em que Firmino recebeu a bola; depois, o jeito e a calma com que Clichy chegou para tentar desarmar o brasileiro. A delicadeza de um mamute tocando piano.


A partir disso, parecia que o City não ia ter forças para reagir. Especialmente porque nos minutos seguintes o que se viu foi um Liverpool dominante, criando chances e tocando a bola com a liberdade que lhe era conveniente. A oportunidade incrível perdida por Lallana poderia ter dado outro rumo ao jogo.


Em tempo, há de se convir também que parte disso se deu também porque já com mais de 60 minutos de bola rolando, Touré, jogando como primeiro homem de meio de campo à frente da defesa, mostrava-se visivelmente cansado. A entrada de Sagna na lateral direita e o deslocamento de Fernandinho do flanco para o meio em sua posição original deu novo fôlego ao setor.



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Algo que vale destacar também foi a participação de Kevin De Bruyne na partida. É notório que nos últimos jogos o belga não tem exatamente entregado tudo aquilo que sabe. Entretanto, o jogador que é diferenciado não recebe esse adjetivo à toa. Jogadores como ele, mesmo que não estejam no seu melhor dia, às vezes são capazes de resolver com um toque na bola – e foi exatamente o que De Bruyne fez ao acertar um passe milimétrico para Agüero, letal nesse tipo de lance, antecipar o zagueiro e empatar a partida.


Getty Images
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Tá difícil? Agüero ao resgate!


O que também fez aumentar o rendimento do time foi a saída de Sané, que fazia uma boa partida, para a entrada de Fernando para tentar preencher os espaços que o time vinha dando no meio. A partir disso, De Bruyne e David Silva, que começaram a partida como meias centralizados, passaram a revezar os trabalhos pelo lado direito, que foi justamente de onde saíram as melhores chances do City para virar a partida.


Apesar do ótimo jogo que se viu de parte à parte, o resultado foi ruim tanto para o City quanto para o Liverpool. Particularmente, acho que o prejuízo maior ficou para nós, já que poderíamos ter aberto quatro pontos em relação ao próprio Liverpool com uma partida a menos. Além disso, se tivesse vencido hoje, o City teria retomado a segunda posição de maneira isolada.


Pelo lado bom, vimos uma significativa melhora de produção e até mesmo de mentalidade em relação ao que testemunhamos no meio de semana contra o Monaco. Pelo lado ruim, o City segue incorrendo em problemas que lhe custaram muitos pontos ao longo da temporada: falhas defensivas e falta de precisão na hora de finalizar em lances que potencialmente poderiam matar um jogo.


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