Atuação covarde eliminou o City da Champions

O City fez tanto por onde para ser eliminado nas oitavas dessa edição da Champions que é até difícil saber exatamente por onde começar. A saída precoce do torneio deve ser dividida em diversos acontecimentos ao longo das últimas duas semanas.


ESPN.com.br | Com primeiro tempo desastroso, City perde para o Monaco e dá adeus à Champions


Na partida de ida, vimos um grande jogo – daqueles para entrar para a história da competição. Vitória por 5 a 3, muitas viradas, gols, emoção na parte final do jogo. Enfim, tudo o que pede uma boa partida entre duas boas equipes.


Entretanto, sabíamos que, embora tivéssemos feito muitos gols, sofremos mais tentos que o considerado saudável nessa fase, levando em conta o critério do gol fora de casa. Mas, vá lá, foi compreensível. Estávamos enfrentando o ataque mais positivo da Europa com uma defesa que não passa muita confiança desde o início da temporada. Previsível, até.


Mas o ataque do City é bom. Era o que todo mundo dizia. E na verdade, não há nenhuma mentira nessa frase, porque é mesmo. Pensando nisso, caberia confiar em nosso poder de fogo para fazer uns dois gols no Monaco hoje no Louis II, o que obrigaria o time do principado a fazer pelo menos quatro se quisessem avançar na Champions.


O grande problema é que, hoje, o City resolveu incorrer no mesmo erro que fez com que o PSG, com uma vantagem ainda melhor, fosse eliminado pelo Barcelona. Ainda que Pep tivesse falado nos últimos dias que o time iria atacar para não ser atacado, o que se viu no primeiro tempo foi um time absolutamente passivo, sentado em cima da vantagem e contente em jogar com o regulamento embaixo do braço.


E como todo mundo sabe no mundo do futebol, ninguém pode chamar um adversário que tem um bom ataque pra dentro da área e achar que vai sair impune. Tanto é que com meia-hora de jogo o Monaco já havia pulverizado a vantagem que o City havia construído no Etihad.


A ida aos vestiários poderia ter sido muito pior se Caballero não tivesse feito intervenções providenciais em mais de uma oportunidade.


O City precisou de dois gols sofridos e mais de 30 minutos jogados pra conseguir acertar uma sequência de passes e avançar pela intermediária do Monaco. Antes disso, o time monegasco sufocava o City de forma ostensiva dentro de sua área. Mesmo assim, o City foi ao intervalo sem dar um chute sequer ao gol de Subasic.



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Na volta pro segundo tempo, o City parecia outro time. E nem haveria de ser diferente. Com a vantagem perdida, só restava ao time se concentrar em ir pra cima e buscar o gol que daria a classificação no agregado. Se no primeiro tempo o time parecia extremamente nervoso, no segundo tempo a calma na hora de construir as jogadas foi visível – assim como a melhora nos rendimentos de David Silva e Kevin De Bruyne, assim como dos wingers Sterling e Sané.


Quanto mais o City avançava em relação ao campo de defesa do Monaco e começava a perder gols que custariam caro depois, mais espaço era aberto lá atrás. Mas que opção teria o City a não ser essa?


A cada chance desperdiçada, mais perto parecia estar o gol do City. E assim foi quando Subasic rebateu o chute de Sterling e Sané recolocou o City na frente do placar agregado ao pegar o rebote e diminuir pra 2 a 1.


A alta de produção do City na segunda etapa pode ser explicada por duas coisas: a necessidade em fazer um gol e o fato de o Monaco ter se acomodado com o 2 a 0. Além disso, o time da casa não iria conseguir sustentar por 90 minutos a estratégia de marcar o adversário sob pressão na saída da área. Não existe time que tenha físico suficiente pra isso.


Mas como não poderia deixar de ser, mais um erro no sistema defensivo fez com que a classificação do City às quartas não durasse mais do que cinco minutos, quando Bakayoko subiu livre de marcação e cabeceou pra fazer 3 a 1 para o Monaco. Mesmo com um verdadeiro bolo de gente dentro da grande área, o volante do time francês subiu sem ninguém pra acompanhá-lo.


Com o 6 a 6 no placar agregado, o City foi eliminado da Champions. Não só pelo que fez ou, principalmente, deixou de fazer hoje. O primeiro tempo foi pavoroso? Foi. Mas há de se convir também que time que quer ir longe na Europa não pode tomar três gols dentro de casa – mesmo que faça cinco. Em situações como essa, o gol fora pode ser um fator determinante.


Em tempo, há também de atribuir a Guardiola sua parcela de culpa pelo resultado de hoje. Afinal de contas, ele é o comandante, ora. Neste caso, cumpre destacar que o City terminou a partida de hoje com duas alterações a fazer, com Pep apenas tendo colocado Iheanacho já com mais de 80 minutos de jogo.


Getty
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É preciso admitir: Pep demorou a mexer no time, e o fez menos do que deveria


Por mais que Kelechi sempre deixe seu gol mesmo entrando nos minutos finais, partidas como a de hoje pediam desesperadamente por alguém que tivesse caráter decisivo e pudesse botar a bola debaixo do braço e resolver a parada. Quem? Ele mesmo: Yaya Touré.


Por mais que De Bruyne tenha recuado na segunda etapa para dar qualidade à saída de bola e a modificação no esquema tivesse dado algum resultado, hoje o belga, no conjunto da obra, apresentou muito menos do que se espera dele. A entrada de Touré em seu lugar poderia ter dado outro rumo à história.


Mas de qualquer modo, agora, resta ao time focar em manter o lugar entre os quatro primeiros na Premier League para ir à Champions na próxima temporada, uma vez que o título já parece ter dono há algum tempo. E se, de alguma forma, serve como consolo, o time está nas semifinais da FA Cup, mas precisará bater o Arsenal pra ir à final e, quem sabe assim, fazer com que Guardiola não termine seu primeiro ano na Inglaterra de mãos vazias.


À essa altura, é o mínimo que se espera.


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