Em fim de contrato, quem precisa se provar para Pep?

Nesta última sexta-feira (3), informações do Telegraph deram conta de que Pep teria dito a jogadores do City em final de contrato que eles têm três meses para se provar e se mostrarem merecedores de uma vaga no elenco do time na próxima temporada. Mais especificamente, estes jogadores são: Caballero, Zabaleta, Yaya Touré, Clichy, Sagna e Jesús Navas.


Dado o panorama da atual temporada, é difícil imaginar o que mais os três primeiros desta lista teriam que fazer para merecer um novo contrato.


Caballero, reserva de Hart e de Bravo, conquistou a condição de titular e tem colecionado grandes atuações desde então. De quebra, o argentino resolveu um problema crônico nessa temporada: o de que todo chute que ia no gol acabava encontrando as redes. É até provável que Willy volte ao banco na próxima temporada, quando o City deve ir ao mercado atrás de um novo goleiro, com os nomes mais prováveis para assumir a meta do clube sendo Rulli, da Real Sociedad, e o brasileiro Ederson, do Benfica.


Ainda assim, e apesar da idade avançada (36 anos), seu protagonismo na conquista da Copa da Liga em 2016 e as boas atuações em 2016-17 lhe fazem ser merecedor de um novo acordo – ainda que seja por pelo menos mais uma temporada.


Outro argentino, Zabaleta é um cuja história no clube fala por si. Por mais que a idade tenha chegado e ele possa não ter mais o vigor físico para ir e voltar durante os 90 minutos como em temporadas anteriores, ainda é um dos jogadores mais dedicados do elenco.


Dizer que Zaba deixa o sangue em campo pelo time passa ao largo de ser mera força de expressão. Foram incontáveis as vezes em que a camisa azul do City ficou vermelha graças aos lances em que ele bateu e levou na mesma proporção. Tudo em nome do time.


Além disso, estando no clube desde 2008, é até natural que Zabaleta seja um dos líderes do elenco. Sua importância para o time vai muito além das quatro linhas e, somando isso ao fato de que ele ainda atua em alto nível, um novo contrato para ele não deveria nem estar sendo objeto de discussão, mas um fato consumado.


Yaya Touré é um caso à parte. Quando ele permaneceu no clube ao final da temporada passada, já foi algo que causou muita surpresa. Com atuações ruins e um work-rate ainda pior, ele foi escanteado por Pep na atual temporada – e com razão.


Fosse pouco, a briga entre ele, seu agente Dimitri Seluk e Pep não ajudou em nada a melhorar a situação. Mas, ao invés de tentar forçar uma vaga ao menos no elenco dos jogadores aproveitados por Pep, Touré calçou as sandálias da humildade, pediu desculpas a Pep pelo comportamento de seu empresário, trabalhou duro, perdeu quase 10kg, e fez por merecer uma volta ao time.


Getty
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Voltando a ser decisivo, Touré parece ser outro jogador sob o comando de Guardiola


Resultado? Touré é outro jogador, que nem de longe faz lembrar o atleta quase displicente e preguiçoso da última temporada e meia. Ao contrário: em algumas atuações, ainda que em uma função diferente, a sensação é de que estamos vendo aquele Touré do auge em 2014, que assombrou o mundo ao fazer 20 gols numa única edição da Premier League mesmo jogando como holding.


Particularmente, eu fui um dos que pedi sua saída do clube, mas, dada esta total mudança de situação, o marfinense se mostra um jogador incontestável nesse momento. Técnica ninguém nunca negou que ele sempre teve. Neste caso, o que faltava era uma mudança de comportamento para que ele pudesse voltar a ser importante, e assim aconteceu.


É difícil saber exatamente até quando Touré vai conseguir atuar em alto nível, mas, hoje, ele precisa ter seu contrato com o clube renovado. Assim como Caballero e Zabaleta, nem que seja só por mais uma época.



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As laterais do City são um problema que clamam por solução há muito tempo. Renovar o setor se faz mais do que necessário e, com Sagna e Clichy tendo seus contratos em via de expirar, o melhor a se fazer é simplesmente deixar acontecer.


Trata-se evidentemente de bons jogadores, mas que não conseguem mais manter um determinado nível de consistência durante toda uma temporada para atuarem em um clube que se propõe a ser campeão de tudo que joga, como é o City.


Sagna está prestes a completar 35 anos e, trocando em miúdos, está prestes a encerrar a carreira. Mantê-lo no clube a esta altura é um exercício desnecessário e cansativo para ambos. Talvez ainda consiga jogar por mais uma ou duas temporadas na Ligue 1. Ultimamente, o Olympique de Marseille tem mostrado que adora repatriar um jogador que está quase parando. Poderia ser uma boa opção para ele.


Já Clichy ainda tem 31 e pode ter alguma lenha para queimar por mais duas ou três temporadas em um nível minimamente satisfatório em um clube com pretensões menores, mas para o City não serve mais.


Getty
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Navas corre (e muito!), se dedica, se esforça, mas ainda é pouco


Por fim, o espanhol Jesús Navas nunca chegou a se firmar no time e mostrar exatamente a que veio, embora se trate de um jogador absolutamente dedicado. Apesar disso, as limitações técnicas do winger que veio do Sevilla sempre nos fizeram mostrar que a Premier League era demais pra ele.


Desde 2013 no clube, dá pra contar nos dedos as partidas em que podemos dizer que ele foi absolutamente vital em uma vitória do time. Jogos em que ele foi man of the match? Talvez uma ou no máximo duas no período.


Atualmente, Navas tem entrado cada vez menos no time e, quando o faz, quase sempre é no final das partidas. Com isso, podemos concluir que sua saída não seria exatamente sentida.


Há quem diga que o Sevilla morre de saudades de sua cria, mesmo tendo um elenco recheado de boas opções e brigando forte em todas as frentes que disputa. Sendo o caso, pode levar.


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