França 3x2 Inglaterra: homenagem emocionante, vitória de virada

"So I'll start a revolution from my bed
Cause you said the brains I had went to my head
Step outside, summertime's in bloom
Stand up beside the fireplace
Take that look from off your face
You ain't ever gonna burn my heart out"


(Oasis - "Don't Look Back in Anger")


Nesta terça-feira, França e Inglaterra realizaram um movimentado amistoso no Stade de France, sendo que os bleus conseguiram impôr vitória convincente de virada, pelo placar de 3x2. Precedido por homenagens aos ingleses de Manchester, a partida acabou frustando quem queria ver os lioneses Lacazette e Tolisso.


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Franceses e ingleses antes do início da partida


Na entrada dos atletas para o campo, a Federação Francesa ordenou a execução de “Don’t Look Back in Anger” da banda inglesa Oasis, oriunda de Manchester. A canção se tornou um hino da cidade britânica, após os atentados terroristas em maio passado. A música foi entoada em uníssono pelo Stade de France.


Veja a cobertura da partida no site da ESPN Brasil (incluindo-se a execução da canção do Oasis), clicando aqui.



As várias faces da França de Deschamps


Diferente da partida contra a Suécia na última sexta-feira, Didier Deschamps escalou a França num 4-3-3, alinhando o tridente ofensivo Dembélé/Mbappé/Giroud. Kanté surgiu entre os titulares fixo à frente da linha defensiva, tendo ao seu redor Thomas Lemar e Paul Pogba. Os badalados lioneses Lacazette e Tolisso não foram a campo.


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Dembélé e M'bappé comemoram um dos gols franceses


O primeiro tempo discorreu em ritmo frenético, com Harry Kane abrindo o placar aos 9 minutos para os ingleses. A jogada inglesa surgiu pelo setor direito da defesa bleu. Samuel Umtiti empatou aos 21 minutos, em lance iniciado com cobrança de falta de Thomas Lemar.


A França obteve vantagem no marcador aos 42, com Sidibé finalizando após grande jogada de Ousmane Dembélé, incisivo pelo lado direito. No início da segunda etapa, Varane cometeu pênalti e foi expulso. Kane cobrou e converteu para o English Team.


Deschamps repôs a lacuna da defesa tirando Giroud para colocar Koscielny. A expulsão de Varane frustrou possíveis alterações no decorrer dos últimos 45 minutos. Além de Lacazette e Tolisso, Payet e Griezmann foram poupados. Os quatro permaneceram no banco de reservas.


O que chamou a atenção foi a mentalidade francesa de buscar a vitória com um homem a menos, num simples amistoso. Os bleus saíam no contra golpe e chegavam com perigo, valendo-se da velocidade da dupla Mbappé/Dembélé. Os atacantes tinham atrás de si Lemar centralizado como meia de ligação, além da bola longa de Pogba.


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Kanté surgiu no time titular francês


Em jogada tramada com passe longo de Pogba a Mbappé, Dembélé deu números finais à vitória bleu. A formação 4-3-3 vista nesta ocasião é uma das opções táticas de Deschamps. O módulo deixa o lado direito da defesa muito exposto porque Dembélé é um atacante. Essa é a faixa de campo geralmente ocupada por Moussa Sissoko.


Após a falha do goleiro Hugo Lloris no minuto 93 da derrota (2x1) para a Suécia pela rodada das Eliminatórias europeias, Deschamps parece ter cobrado os atletas, que corresponderam.


Rumo a um título em 2018?


A grande realidade é que a França tem um grupo excelente, mesmo com Benzema excluído. Neste momento há 15 ou 16 atletas em plenas condições de serem titulares e Deschamps detém duas ou três variações táticas.


Não dá pra saber o que ocorrerá em um ano. Atletas podem se lesionar e jogadores que podem ser negociados para novos clubes talvez não consigam se adaptar rapidamente a novos campeonatos.


Mas aqui e agora em junho de 2017, o Les Bad Gones afirma pela primeira vez que a França é candidata ao título na Copa de 2018!


Coup d’oeil des rivaux


- A seleção da Inglaterra mostra renovação e jogadores interessantes, principalmente os lapidados pelo londrino Tottenham, Harry Kane e Dele Alli. Porém, parece faltar um ou dois protagonistas ao English Team. Os jogadores treinados por Pep Guardiola (Stones/Sterling) são os que destoam um pouco dos outros, mas ainda carregam condição de “bons coadjuvantes”.


- A seleção inglesa prossegue à sombra das lideranças de sua última geração, com Gerrard, Lampard, Rio Ferdinand e Beckham, além do ainda ativo Wayne Rooney. Buscar peças de reposição correspondentes é o grande desafio dos ingleses.


La balle de Lyou


- Este blog tem a missão de cobrir o Lyon, mas seu blogueiro se pergunta: Thomas Lemar não vale os 40 milhões de euros que alguns querem oferecer por Tolisso? Ele também se questiona: Dembélé não está num momento melhor do que Lacazette?


- Fora do âmbito da seleção francesa Mathieu Valbuena já é jogador do turco Fenerbahçe, que também tem interesse no lateral francês Gael Clichy (Manchester City). O zagueiro brasileiro Marcelo (30 anos, ex-Santos, PSV Eindhoven), pertencente ao turco Besiktas, tem seu nome relacionado ao Lyon pela imprensa francesa.


- Frequentemente convocado para a seleção colombiana, o artilheiro Carlos Bacca deve deixar o Milan. Nos últimos dias o staff do atacante afirmou que a Ligue 1 francesa pode ser uma boa opção para o jogador bicampeão consecutivo da Europa League pelo Sevilla.


Respondendo aos leitores


- Agradecemos a audiência do público e, como prometido dois posts atrás, vou responder algumas participações feitas por leitores no post sobre a derrota da França para a Suécia.


- Um dos nossos leitores disse não entender a confiança de Deschamps em Moussa Sissoko. Ressaltamos esta questão mais acima, quando descrevemos que Sissoko oferece algo mais na recomposição. O jogador é fisicamente vigoroso e concede segurança ao lateral-direito que avança, em caso de perda da posse de bola.


Sissoko passa a impressão de ser um jogador que atua por dentro, mas, por jogar pelo lado direito, dá um contraponto à dupla Kanté/Matuidi. Ambos têm desenvoltura avançando pelo lado esquerdo. Numa comparação “tosca”, Sissoko é algo similar ao brasileiro Hulk. Jogador de muita força física, atuando pela extremidade direita. A diferença é que o francês chegou a ser cogitado no Real Madrid após a EURO 2016. Se fosse, disputaria posição com Gareth Bale, alguém “intocável” em Chamartín.


- Muitos leitores também expressam desejo de ver Kanté como titular da França. Quando se destacou pelo Leicester 15/16, Kanté foi o “problema agradável” para Deschamps, que tinha Matuidi como titular absoluto desde a Copa 2014. Matuidi (PSG) é um jogador subestimado. Se jogasse na Premier League, seria bem visto. Mas a tendência é que Kanté (26 anos) vá ocupando a lacuna de Matuidi (30 anos) aos poucos.


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