Women’s Champions League: Lyon tetracampeão!

Nesta quinta-feira o Lyon feminino enfrentou o PSG em final francesa da Women’s Champions League, realizada em Cardiff (País de Gales). As lionesas reencontraram as parisienses, quase duas semanas depois da decisão da Copa da França. Em âmbito continental, mais um êxito do Lyon, com vitória nos pênaltis por 7x6, após empate sem gols em 120 minutos.


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Lionesas celebrando o título da WCL 2016/2017


No geral, transmissões televisivas de torneios femininos de futebol no Brasil são escassas, à exceção de competições importantes de seleções. Esta final 16/17 da WCL foi extraordinariamente televisionada em nosso país.


Logo não há como propor uma grande análise do Lyon feminino, uma vez que não houve como acompanhar de forma regular toda a temporada da equipe, que obteve a tríplice coroa europeia 2016/2017 (WCL, copa nacional e Division 1). Este título da WCL é também o segundo consecutivo das lionesas, que levantaram seu quarto troféu europeu.


Champions League feminina ou cenas de convento?


Ver o Lyon jogar a decisão da WCL foi o fim de um grande mistério. A equipe de Gérard Precheur varia os desenhos táticos em 4-4-2 (convencional) e 3-4-3. A “espinha dorsal” do time pode ser caracterizada elencando Renard (zagueira/capitã), Kumagai (volante) e as meias Abily e Marozsán.


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A lionesa Majri marcada pela espanhola Veronica 'Vero' do PSG


Zagueira de origem, a japonesa Saki Kumagai surge fixa na cabeça de área, com a dupla Abily/Marozsán ao seu redor. A tunisiana naturalizada francesa Amel Majri, aberta pela esquerda, é quem determina o módulo tático. Se Majri avança, desprende-se da linha de 4 defensoras, determinando o 3-4-3.


Ainda no aspecto defensivo, o setor direito da defesa do Lyon feminino faz inveja ao setor direito defensivo do time lionês masculino. Griedge M’bock é uma lateral-direita dotada de grande disposição física, além da zagueira central Kadeisha Buchanan mostrar-se muito segura. As duas são sustentadas pela capitã Wendie Renard.


O conjunto deixa salientar a organização tática feminina no jogo sem bola, que talvez seja superior ao dos homens.


As “galácticas” lionesas de Aulas


No ataque Eugénie Le Sommer e Ada Hegerberg se alternam na área adversária com ambas aptas a exercer a função de “falsa centroavante”. A americana Alex Morgan surgiu entre as titulares na final, fixa na ponta direita. Morgan deixou o campo com menos de 20 minutos de partida, vítima de uma lesão muscular.


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Alex Morgan sofreu lesão muscular ainda na primeira etapa


A aquisição de Morgan por empréstimo (pertence ao Orlando Pride/EUA) parece uma extravagância de Jean-Michel Aulas, num arroubo de dirigente megalomaníaco, à la Roman Abramovich ou Florentino Pérez. Na seleção dos EUA, Morgan atua do centro para a esquerda, como segunda atacante.


No time do Lyon a dupla Le Sommer/Ada é intocável, obrigando o treinador a deslocar Morgan. É como se a estrela norte-americana fosse mais uma “galáctica” na coleção de Aulas. No todo é a alemã Dzsenifer Marozsán o grande nome do time, atuando como segunda volante, com liberdade para avançar pelos lados. É a que mais se assemelha à brasileira Marta.


As adversárias


O PSG mostrou uma equipe solidária na defesa, abdicando da posse de bola para partir em contra-ataques. O ataque depende da criatividade da costa riquenha Shirley Cruz (meia-atacante e capitã) e da artilheira brasileira Cristiane. No entanto, falta ao PSG uma atacante de velocidade, mais incisiva pelos lados.


A forma como Cristiane atua no PSG é um pouco similar a Ibrahimović na seleção da Suécia masculina, por exemplo. Ela é obrigada a recuar para auxiliar na criação de jogadas e, se Cristiane não está na área adversária, sua equipe perde na parte ofensiva. 


Produto final


A partida no Cardiff Stadium teve cerca de 22 mil espectadores, em um estádio apto a abrigar 33 mil pessoas. Há público, estrutura e prestígio da UEFA na divulgação e realização do evento. O produto WCL é muito bom e no aspecto técnico nada deve ao futebol olímpico ou Copa do Mundo da categoria feminina.


La balle de Lyou


- O técnico lionês Gérard Precheur deixa o comando técnico do time feminino. Seu substituto será o ex-jogador francês Reynald Pedros, ex-atleta de Nantes, Olympique Marselha e Parma (Itália), e já confirmado pelo presidente Aulas.


- No PSG desde 2015, a brasileira Cristiane deve seguir para o futebol chinês. A atacante de 32 anos confirmou que pretende continuar atuando, visando disputar o Mundial 2019 e as Olimpíadas 2020 pela seleção brasileira.


- Parabenizamos a Sportv pela iniciativa de transmitir a final da WCL 2016/2017.


- Por outro lado, caso a Sportv ou qualquer outra emissora resolva transmitir o torneio nas próximas edições, pergunto: quantos jogos de Marta (hoje nos EUA, atuou em times suecos no passado) ou Cristiane (que na década passada jogou no futebol alemão), no auge de suas formas, não deixamos de ver?


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